Se prepare para uma viagem sem volta. Quando a gente adquire conhecimento, nos libertamos internamente e abrimos a janela da nossa alma, psique, espírito ou o que quer que seja que estiver nos aprisionando. Conseguimos vislumbrar o mecanismo existente entre informações e mente, emoções e corpo, sentimentos e razão que nos fazem pensar, sentir e agir. Conseguimos acionar as engrenagens da nossa caixa de velocidades, tal qual funciona o motor de um automóvel, e seguimos em frente na marcha correta de nossas vidas.
O que vem a seguir, neste livro, aconteceu comigo. Foi uma fase da minha vida. Eu ainda estou vivendo as consequências dela, mas sem dúvida, me fortaleceu. Durante esse tempo, me propus a escrever sobre a depressão que me acometia e como convivia com ela. E começar a expressar minhas percepções durante os momentos mais difíceis me ajudou a observar os processos mentais e físicos pelos quais passava. Revirei minha mente para entender o que estava acontecendo comigo e busquei saídas para não enlouquecer ou sucumbir à doença. Por ter conseguido descrever o que se passava dentro da minha cabeça, do meu corpo e os pensamentos que me cercavam, recuperei a consciência da minha vida e dos meus atos e pude fazer escolhas melhores no combate à depressão. Então, resolvi compartilhar o que vivi e o que aprendi durante todo esse tempo. O que é bom para mim, quero imediatamente dividir com os outros. O conhecimento não pode ficar trancado e muito menos parado, pois estimula novas conexões abrindo caminhos ou mesmo saídas para as dificuldades que enfrentamos diariamente. Quanto mais pessoas entenderem como funciona nosso mecanismo cerebral, mais pessoas vibrarão pensamentos saudáveis e terão ações positivas no mundo.
O leitor vai encontrar uma narrativa livre e que pode mudar de capítulo para capítulo ou ao longo dele. Às vezes, estou falando na primeira pessoa do singular, em outras, na do plural. Também escrevo como se estivesse acompanhando meus pensamentos, minhas perguntas internas e minhas próprias respostas. Parece até que estou falando sozinha. De certa forma, estou! Pode ser um monólogo, mas também um diálogo se separarmos o pensamento da mente dando a cada um uma voz. Algumas vezes faço uso de analogias. Fecho os olhos e vou imaginando para onde as sensações me levam. E acabo encontrando semelhanças com outros sistemas. Isso me ajudou a entender como as emoções se processavam internamente. Haverá também frases que podem parecer soltas e sem sentido nos capítulos que são como diários. Mas, dada a subjetividade que a depressão aflora, fazem parte da minha história. É importante que fique claro, não escuto vozes. Não vejo fantasmas. Não uso alucinógenos. Tudo o que sei é que a depressão é o grande mal deste século. E a saúde mental, o nosso grande desafio. É para ela que devemos voltar nossa atenção, porque no final tudo passa.
"Eu sei como é difícil enfrentar a escuridão, mas acredite, a luz está logo à frente. Escrevi este livro para que, juntos, possamos encontrar um caminho para dias melhores. Obrigada por confiar em mim nessa jornada."
Maria Cecile Azambuja