C O N T E X T U A L I Z A N D O
C O N T E X T U A L I Z A N D O
Muitas vezes passamos por importantes momentos em nossas vidas, sem perceber e reconhecer o potencial que eles carregam. Isso acontece, às vezes, por não estarmos em sintonia com o nosso silêncio e em harmonia com a nossa alma.
Consequentemente, deixamos passar oportunidades valiosas para o aprendizado, crescimento e apreciação da vida. Oportunidades essas que podem exercer grande influência sobre nossas escolhas, além de definir direções e caminhos futuros.
Esses momentos podem ser identificados como pontos de inflexão. Na Matemática, esses pontos são importantes, porque marcam onde a curvatura de uma função muda, o que pode ter implicações significativas na interpretação do comportamento da função. Metaforicamente, na vida, esses pontos descrevem os momentos significativos ou os eventos que provocam mudanças fundamentais em uma trajetória.
Nesse sentido, é essencial atentarmos para a importância de tais momentos e exercitar identificá-los, como por exemplo: um encontro casual, um episódio acidental, uma conversa aparentemente banal, ou uma decisão tomada por impulso. Assim sendo, temos a oportunidade de promover uma reflexão sobre o que pode estar por trás de nossas escolhas e ações, para lidarmos com as influências do cotidiano.
Esse olhar retroativo pode promover descobertas valiosas sobre nós mesmos e sobre as forças que moldam nossas jornadas ao autoconhecimento, e também pode nos ajudar a fazer escolhas mais conscientes no futuro e a abraçar as oportunidades que surgem no presente, com mais convicção.
São diversas as situações em que questionamos nosso lugar no mundo, nossos conceitos e nossos valores, até mesmo aqueles que consideramos estar enraizados em nossa cultura e inabaláveis pela poderosa ação do tempo, cuja marca da tríade: passado, presente e futuro permeia a história da existência humana.
O longo período de isolamento social, imposto durante a pandemia de COVID-19, encaixa-se no conceito de um ponto de inflexão, ou momento de grande impacto na vida de indivíduos e na sociedade como um todo. Foi um período desestabilizante e inquietante, que provocou uma série de dúvidas, medos e incertezas em todo o mundo.
Embora o isolamento social tenha sido desafiador, também gerou oportunidades para o aprendizado e diversas adaptações. Muitas pessoas desenvolveram novas habilidades, descobriram formas criativas de manter a conexão com os outros e demonstraram resiliência, diante de circunstâncias adversas. Como ponto de inflexão, esse período destacou a importância da saúde, do apoio social e da flexibilidade, diante de mudanças inesperadas, e seus efeitos continuam a ser estudados e compreendidos, à medida que a sociedade avança após a pandemia.
A série Tríada revelou-se nesse momento. Surgiu como uma reflexão morfo-pictórica desses aspectos inefáveis da vida, como a solidão, provocada pela ausência dos encontros sociais e profissionais, a formatação forçada de novos hábitos e rotinas, e uma assustadora desumanização. Tríada revela-se com a intenção de provocar um diálogo entre os nossos sentimentos e a nossa realidade, além de questionar as nossas razões e nos mover ao ponto do equilíbrio perdido.
Trata-se de interpretações relevantes da condição humana, da materialização de episódios, a partir da observação e leitura de como percebemos a vida; uma interpretação do quanto entendemos sobre o nosso lugar no mundo.
A exposição Tríada convida a uma experiência imersiva, em que a simplicidade das formas e suas cores definidas, provocam um mergulho na complexidade das sensações, das emoções e de diferentes interpretações de cada olhar.
A construção dessa narrativa pictórica é fruto de investigações pessoais, que propõe uma relação dialógica entre o transcendente, o universo e o conhecimento, cujo diálogo visual busca a reinvenção de significados, por meio do pragmatismo das formas.
Essa abordagem artística parece se concentrar na síntese e na exploração das relações conceituais, buscando revelar verdades ou percepções mais profundas, por meio dessas representações simbólicas. É um convite para contemplar o divino, o cósmico e o intelectual, em uma estrutura de cores e formas, transcendendo as barreiras convencionais do pensamento e da expressão artística.
Tríada, nesse contexto, pode se referir a três elementos cruciais, como relacionamentos, valores, objetivos, ou até mesmo dimensões pessoais, como o físico, o mental e o espiritual.