Na comédia, o juiz de paz é um pequeno corrupto que usa a autoridade do cargo para lidar com a inocência dos roceiros, que lhe trazem os mais cômicos casos.
O escrivão é a pessoa mais próxima ao juiz e viabiliza suas ordens, no entanto não é intencionalmente corrupto e chega a surpreender-se com algumas decisões de seu superior. “O certo é que é bem bom ser juiz de paz cá pela roça. De vez em quando temos nossos presentes de galinhas, bananas, ovos.
Crítica aos costumes rurais
É uma sátira aos costumes rurais, revelando os hábitos curiosos, a fala simples e a extrema candura que delimitam os seres da roça. São criaturas broncas e rústicas, ainda mais quando comparadas aos homens da capital, requintados e espertos. Porém os caipiras têm, com frequência, melhor índole que os tipos da Corte. Até os pequenos corruptos, como o juiz , não deixam de possuir uma certa inocência simpática.
No conjunto, as comédias são superficiais e ingênuas. Nelas, os tipos humanos são esboçados de forma primária e as tramas pecam, às vezes, pela falta de coerência e verossimilhança. Mesmo assim, essas peças apresentam tal vivacidade nas situações e no registro dos costumes e tamanha espontaneidade nos diálogos que ainda hoje ainda podem ser lidas ou assistimos a elas com prazer.
final.mp4Na famosa obra O auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, podemos encontrar elementos semelhantes com a obra o Juiz de Paz na roça. Primeiramente, ambas são peças de teatro e retratam a vida simples dos sertanejos, também encontramos a temática da corrupção na qual as pessoas que detém um "poder" ou que podem pagar conseguem certos privilégios.