Presépios não vi...
a Angeiras
Data: 21 de dezembro de 2025
Por: A. Augusto de SousaData: 21 de dezembro de 2025
Por: A. Augusto de SousaSaí de casa com intenções de ver presépios e outras decorações natalícias, nomeadamente aquelas que as autarquias costumam colocar nas ruas...
Logo ali, na rotunda a meio da Rua de S. Gens, lá estava uma dessas decorações, com um grande cartaz "Associação de Pais da Senhora da Hora". Adiante um pouco, em mais uma rotunda, lá estavam umas bolas gigantes de Natal e um "animal" (rena?) feito de latas. No meio, lá no alto sobre os telhados, um belíssimo Arco-Íris projetava-se no negrume de um céu ameaçador... "vou ter molho... grrr..."
Já nas imediações da Câmara Municipal de Matosinhos, o trenó do Pai Natal parecia querer levantar vôo, mesmo sem condutor... mas o mercadinho de Natal ainda estava vazio, àquela hora...
Depois... bem, depois não vi mais decorações destas ao longo de 45 km... fiquei até curioso por isso mesmo, pois em anos anteriores costumava perder algum tempo a apreciá-las em alguns pontos que já considerava como sendo uma tradição!
Dali segui pela ponte levadiça de Leixões e subi à EXPONOR, para seguir pelas vias que passam por detrás da antiga refinaria da GALP. Com mais uns metros, já estava junto à praia da Memória, na ciclovia marginal ao areal que me levaria a Angeiras, com vista para o mar. Neste trajeto ainda apanhei umas pingas algo grossas e frias, muito frias. As mãos, principalmente os dedos, gelavam com a corrente de ar... e o céu ainda ameaçava.
Iniciei o regresso, que faria com uma volta bem maior. Evitei a passagem nuns trilhos que gosto imenso mas que, supus, estariam demasiado enlameados, senão mesmo inundados, e segui para Sul pelo estradão paralelo à A28. De quando em vez, a visão para o verde que vem cobrindo os campos obrigou-me a parar para a devida tomada da imagem... este colorido atrai-me imenso!
Ali no nó da A41 com a A28, há uma descida íngreme, em terra batida, seguida de uma subida a condizer. No meio, lá em baixo, existe uma linha de água que não costuma causar transtorno à passagem... mas hoje era bastante mais do que isso, era uma ribeira com um caudal que ameaçava a minha trajetória... "Passo? Desisto?" Hum... lá veio a história das palavras que não constam no meu dicionário e avancei... digamos que foi à justa... passei bem, mas a bicicleta experimentou umas trajetórias novas, em "ésses e zês"... Os pés pedalaram debaixo de água, mas passar a vau teria sido mil vezes pior!
A subida foi lenta... e deu para perceber que, contidas em folhas de árvore caídas, havia umas bolinhas brancas... hum... continuei. Com mais uns quilómetros, estava na linha de comboio que vem do Porto de Leixões. Segui-a até ao bonito local "Ponte do Carro", em Santa Cruz do Bispo, passando sobre aquele dique de água no rio Leça que hoje estava soberbo!
"E agora, por onde vou?" Decidi-me pelo "Corredor Verde do Leça". Regressar "a direito" para casa daria provavelmente um total inferior a 40 km, e o acréscimo foi bem-vindo, também, porque possui passagens muito bonitas. Logo ali, junto às ruínas de uma casa ribeirinha, lá estavam novamente as bolinhas brancas... decidi investigar. Parei e apanhei umas tantas para a minha mão e... sim, eram esferinhas de granizo que ali terá caído anteriormente. No cimento da ecovia já haviam derretido, mas as folhas caídas das árvores garantiram a devida manutenção... e as muitas folhas, na berma, estavam cobertas de um branco frio que lhes matizavam a cor em castanhos e brancos.
O Rio Leça, por sua vez, estava "corpulento" e rápido... as chuvas dos últimos dias acrescentaram-lhe muito "conteúdo" que corre ligeiro para o mar. Atravessei-o nas pontes metálicas da ecovia e também na ponte medieval de D. Goimil, que linda é. Menos visível é a velha ponte de Moreira... onde mudei de rumo para a rua de Custió, em direção ao Porto.
Com mais uns quilómetros, poucos, e umas subiditas, sempre a direito, lá terminei o passeio de hoje... Não vi presépios, mas vi granizo... não apanhei muita chuva, mas vi o céu ameaçar que me cairia na cabeça de tão escuro que estava (sim... também sou fã dessas magníficas histórias). Não fiquei extremamente cansado... mas coloquei muito empen(h)o na pedalagem!
Aqui me fico, com o usual "adeus e até ao próximo empeno",
A. Augusto de Sousa