Passeio do Rojão,
a Covelas
Data: 19 de Janeiro de 2025
Por: A. Augusto de SousaData: 19 de Janeiro de 2025
Por: A. Augusto de SousaNo reino dos Empen(h)ados, terceiro domingo de janeiro... eis o que sucedeu.
Como se sabe, este é o dia dedicado universalmente a S. Gonçalo... quer dizer... universalmente não será, porque, por exemplo, em Amarante, a data é outra... ou haverá vários S. Gonçalos? Pronto, fiquemo-nos pelo "internacionalmente", já inclui Covelas, está assente!
Como se sabe também, é neste reino costume antigo que, nobreza, clero e povo peregrinem ao local de adoração ao Santo... ou será ao Rojão? Mas este não é santo... Fica S. Rojão, está assente!
E assim se juntaram seis valentes cavaleiros, a saber, o rei cavaleiro guia D. Carlos, de cognome "o Gomes", seu filho primogénito, o príncipe D. Carlitos, sua excelência o conde D. Jorge "du Arte", o bom reverendo Paulo que já se afirma pelos Santos e o plebeu José Luís, popularmente conhecido por "o Coelho". Completaria o séquito o bobo da corte, o "Augustii", encarregado também de manter o diário do acontecimento.
Fez-se a saída da capital do reino, "Alto da Maia", e seguiu-se o Caminho Central, Variante por Braga. Alguns outros peregrinos foram encontrados, também nas suas montadas, já perto do destino. Ali mesmo, o bobo fez soltar as gargalhadas de todos os presentes que se roíam de inveja pelo senhor "do bigode branco" conseguir, SEM ELETRÕES, subir a "Louca", a tal mal afamada subida.
Em Covelas, a "grande cidade" (ok, este bobo não tem grande cultura em termos de geografia política), o movimento ainda era calmo, talvez fruto da matinal hora. Também a "estalagem" estava ainda pouco frequentada e o vinho saltou logo para homenagear o grupo e, principalmente... o S. Rojão! Mas a homenagem saiu pobre, que o "espadal" afinal era rosê, que afinal seria... algum outro produto, resultante de ação insistente de algum martelo. À saída dali, a passagem junto à catedral local deixava ouvir lindos cânticos e sermões que o grupo muito apreciaria... se fosse oportuno, é claro!
Pelo meio da multidão (agora sim), percorrer-se-ia a feira e os arruamentos locais para, de seguida, se enveredar pelo verdadeiro caminho da peregrinação.... mas em sentido inverso. Um momento mais sério... é sempre um espanto, ver aquela mole de gente a deslocar-se pelo meio da lama, a pé, a cavalo, em carroça, em jipe, em mota, e até mesmo, imagine-se, em... bicicleta!!! A "grande cidade" assim fica facilmente cheia!
O transito é difícil e faz-se lentamente; sim que aquilo sobe mais do que o "que se farta". A escolher o caminho menos escorregadio, lá vamos progredindo no meio dos peões, "com licença"... "à esquerda"... e, bem quase lá no alto, com inclinação desusada, os peões não saem... e lá ficaram as marcas das sapatilhas no chão! Não, desta feita, não há lugar a indulgência de todos os pecados...
No Alto da Paradela apreciava-se a paisagem linda da Trofa e, melhor, o enorme movimento local, desorganizado mas muito apreciado. "O que diz aquela barraca? Hum... As Mafiosas"... Hum? Bem... desculpar-me-á a realeza, vai o clérigo que é dos Santos investigar... Hum? Vamos adiante, sim? ...
Descida vertiginosa... seria se não fosse a multidão em sentido contrário e, mais metro menos metro, lá estávamos a atravessar aquele bonito túnel que dá acesso a uma bonita calçada que tem uma bonita paisagem de bonitos campos verdes e uma bonita terra vermelha... Hum? "Terra vermelha? Olha, já não há trilho, as obras do "canal" comeram-no, temos de subir o monte de terra resultante das obras... e de saltar o muro, que isto aqui é propriedade privada...
São ainda de recordar a passagem pelo lago... quer dizer... a travessia do rio Trofa, uns pela ponte de pedra, outros a vau, a tentar não molhar os (dois) pés; o percurso inicial da antiga linha de comboio e a respetiva interrupção que nos levou a "corta caminho", upa, upa... até à estrada, rotunda e... Rua Cabrito! Mau, com tanta carne ainda engordo, senhores!
Mais terra, mais lama, mais subidas... e aqui o bobo da corte já não bobava nada... depósito de água... túnel sob a CREP, Ardegães e Águas Santas, devida e alegremente assinalada pela fonte de 1986 e pela bonita travessia do rio Leça. Com mais uma subida em percurso solteiro (também conhecido por "single track"), lá estávamos na passagem de nível que assinala a (quase) chegada à capital do reino dos Empen(h)ados, o Alto da Maia.
E pronto, o que dá andar com a realeza é... ter um empeno de caixão à cova! Malditos eletrões que agora populam a nossa corte... O que vale é que um bobo da corte não tem grande coisa que fazer senão... ZZZZzzzzzz...... zzzzZZZZzzz....
Mas lá gostar gostei... e, agora com seriedade, já tinha saudades de uma voltinha à moda dos empen(h)ados. Obrigado ao rei, ao príncipe (coitado, o que ele sofreu, sempre a aguardar por mim... OBRIGADÃO Carlitos!), ao conde, ao reverendo, e ao Coelho que pelo que vi tem treinado muito e se não têm mão nele ainda vira lebre...
Mas como gostei... olha, cá fica o velhinho... "adeus e até ao próximo EMPENO (sim, com maiúscula!)
A. Augusto de Sousa