Caça aos Gambozinos, parte II,
a Sobreira
Data: 14 de Julho de 2024
Por: Carlos GomesData: 14 de Julho de 2024
Por: Carlos GomesHoje éramos onze: Fernando, Carlos Gomes, Ximbra, Paulos (Costa e Santos), Teixeira, Fernandes(?) António, Durval, Gaspar e eu. "Tantos!", pensei, enquanto nos preparávamos para mais uma aventura sobre duas rodas.
Esta manhã, a velha inscrição "1765" no umbral da porta de uma casa rural, granítica e antiga, fez-me refletir sobre a passagem do tempo. Século XVIII, bolas, era realmente antiga. A casa era mais antiga que a Revolução Francesa.
Hoje, 235 anos após o Dia da Bastilha, Revolução Francesa o seu lema de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” ecoou em cada pedalada.
Seguimos pelo trilho, partilhando a liberdade que esses passeios nos conferem. Na nossa alegria e na nossa condição de ciclistas, somos iguais e irmãos, unidos pelo amor à liberdade e à natureza.
A revista britânica Rouleur traz, na sua última página, um belo texto de Rachel Neylan, ex-ciclista profissional. Ela descreve andar de bicicleta como “uma sinfonia dos meus pensamentos mais íntimos, desejos profundos, e uma ligação com a beleza da natureza que me envolve.” Essa descrição ressoava em mim enquanto avistávamos a montanha de Santa Justa. Os trilhos entre a vegetação faziam-nos sonhar, mas nós passamos ao lado, em busca de novidade, em direção a Recarei.
Santa Justa observava-nos, intrigada, perguntando-se: “Onde está aquele jovem, Mr. Gordon Grams? E os seus companheiros, porque escolhem o alcatrão quando tenho terra e pedras para os desafiar?”
A N15 fluía rápida e dela tentamos sair antes do viaduto em Campo, só para sermos abraçados pelas primeiras silvas. O primeiro furo, do Paulo Santos, deu-nos tempo para recuperar o fôlego, e, na estação de Terronhas, retificamos a pressão do pneu dianteiro do outro Paulo (Costa).
Seguimos viagem com a montanha sempre ao alcance da vista e do coração, que batia forte por mais adrenalina. E ela veio, em trilhos pedregosos, com árvores caídas que todos superamos com saltos ágeis, como coelhos, e muito xisto, exigindo técnica apurada.
Paramos para merendar após uma íngreme subida, os famosos “50 metritos”. Passamos por Alegrete, Além do Rio, e pelo complexo desportivo Nun’Álvares, sem caçar gambozinos, mas com outra música no ar. No murmúrio das águas do rio Sousa, distinguia o tom do clássico do Canal Panda: “Eu vou comer, comer, comer - laranjas e maçãs”. Estava feito o reforço calórico.
O regresso fez-se pela linha do comboio, com passagem pela ponte metálica e finalizou com a subida de Valongo, em modo turbo, elevando a pulsação.
Cada passeio uma nova revolução pessoal, cada pedalada uma sinfonia de liberdade e natureza.
Boa semana, regresso no final do mês.
Abraço,
Miguel