Comprar furos no mercado de Angeiras
a Angeiras
Data: 13 de dezembro de 2020
Por: A. Augusto de SousaData: 13 de dezembro de 2020
Por: A. Augusto de SousaOntem preparei um track... a ida seria ao topo Norte do Concelho de Matosinhos, a atingir em dois locais diferentes... algum monte faria as delícias do ego, de resto seriam estrada e locais já (muito) vistos.
A ida não correu mal... Saímos do Monte dos Burgos eram 9:10. Depois... Leça da Palmeira, traseiras da refinaria e, com mais coisa menos pedal, estávamos nas sepulturas medievais de Cabo do Mundo. A sair dali, tinha recuperado um percurso que fiz há anos... talvez muuuuiitos anos... taaaantos anos que... o trilho já não existe! Está lá agora um "espaço" de nome BluePark ("Eventos, equitação e muito mais"). A propósito, tem um letreiro a recomendar o fecho da porta para não fugirem os cães... mas os funcionários "da quinta" andavam cá fora à procura de dois que se perderam havia já dois dias...
Perdem-se cães, perdem-se trilhos, e estes dois aventureiros das duas rodas pedalantes não tiveram outro remédio senão improvisar caminho... por estrada, já se vê!
Chegados ao mar, a ciclovia ajudaria no avanço, também auxiliada pelo vento que soprava de Sul! Que bonito estava... o azul do mar misturava-se com a neblina, ou mesmo nevoeiro, o mesmo que já havia algum tempo não nos deixava ver o topo das torres da refinaria, e proporcionava imagens difusas.
Adiante, passaríamos por um caminhante que, observado à distância tinha um andar estranho... Sim, e com razão... toc, toc, toc, toc... a cada passada chutava uma bola que mantinha nos pés, eternamente, "sem tocar o chão". Lá seguia, passo a passo, chuto a chuto, provavelmente ao som da música que levava nos seus auscultadores, que cantarolava de quando em vez e que lhe permitia alhear-se em absoluto do mundo que o rodeava.
Pelas 10:30, já em Angeiras, ali mesmo em frente ao mercado, resolvemos tomar um café e um pastel de nata. Muito bom e revigorante para o regresso que havia sido traçado por um percurso interessante, no interior rural.
Hum? Sim? A sério? ... Nãaaa... o furo que me atormentava há dias resolveu dar ar de sua graça e a roda de trás precisou de intervenção. Ainda se tentou que o gel anti-furo fizesse o seu trabalho, mas foi mesmo necessário tirar a roda, retirar todos os picos que o pneu apresentava, colocar a câmara e o pneu, encher e recolocar a roda. Vamo-nos ao caminho.
Hum? Sim? A sério? ... Nãaaa... (mas onde é que eu já ouvi isto?) Então não é que a roda continuava a perder ar? Repete-se o processo... "tirar a roda, retirar todos os picos..." ... Ok, ok, pronto, já sabem... mas com isto tudo lá se foram largos minutos que fizeram toda a diferença: eram já 11:45, são seria adequado voltar pelo percurso previsto. Vamo-nos à estrada, é mais rápido!
E pronto... se o percurso era "dejá vu", agora então era-o mais ainda! Ainda por cima o vento ajudava... a andar para trás; mas o Sol apareceria um pouco mais aberto e o mar estava bonito; os reflexos de luz na água eram entrecortados pela espuma branca do rebentar das ondas... e até a árvore vermelha de Natal (?) nos parecia bem, em contraste com a torre do edifício da APDL (certo, na minha próxima encarnação serei poeta!)
Com tempo ainda para umas fotos na entrada da Quinta da Conceição, lá subimos, tinha que ser, o resto que sobrava deste passeio, para chegarmos ao monte dos Burgos eram 12:45.
Moral da história: em Angeiras há um mercado que vende de tudo... até furos! E por aqui me fico.
Adeus e até ao próximo empeno,
A. Augusto de Sousa