A matar saudades de um solo a Espinho
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Data: 18 de outubro de 2020
Por: A. Augusto de SousaData: 18 de outubro de 2020
Por: A. Augusto de SousaHoje decidi ser Empen()ado a solo... coisas que vão acontecendo, em face da pandemia que por aí circula...
"E o que vou fazer hoje? Dava jeito um passeio de ritmo certo, a puxar pela performance"... E se bem o pensei melhor o fiz... Há já muito tempo, dos tempos em que andava muitas vezes sozinho, que não fazia a marginal marítima para Sul, até Espinho... "vamos nessa" e lá fui a galgar quilómetros, ida e volta mais ou menos pelo mesmo trajeto.
É claro que a máquina fotográfica foi comigo e fartou-se de trabalhar. No final da descida da Estrada da Circunvalação, o monumento às atividades de pesca de Matosinhos, também conhecido por "Anémona" foi o primeiro motivo... as ondulações provocadas pelo vento geravam um efeito muito interessante nas malhas da rede.
O Forte de S. Xavier, mais conhecido por Castelo do Queijo, deu também uma fotografia interessante, com a minha própria sombra a projetar-se no corredor de acesso à porta de armas. E depois as praias, com as suas rochas, o mar e o céu... davam um colorido ainda matinal aos pixels de cada foto. Pena que o cheiro, nomeadamente à maresia que tanto aprecio, não fica registado... ainda!
Seguir-se-ia a marginal fluvial do Douro... o vento, não sendo forte, incomodava um pouco o andamento, mas as vistas são fabulosas... Foz do Douro, Pilotos e, desde o lodo molhado à Ponte da Arrábida, tudo à mistura com fortes e bonitos reflexos de luz, fez o meu prazer visual.
Da Ribeira passei para Gaia pelo tabuleiro inferior da Ponte de D. Luís... a concentração policial era enorme, fazendo-me lembrar o malfadado vírus... o afluxo de gente àquelas bandas era ainda moderado, mas viria a ser bastante mais forte, com o adiantar da hora, justificando o aparato.
Ao longo da marginal esquerda do rio tem-se a vista inesquecível do Porto... A Sé Catedral, a Torre dos Clérigos, e muitas outras igrejas e monumentos emprestam a sua beleza a uma paisagem que não me canso de apreciar... e na qual a bem mais moderna Ponte da Arrábida se enquadra de forma tão perfeita.
Passando pela Afurada, a barra domina com os seus areais, passando pela marina (bem composta, por sinal) e belos "barracos" de observação de aves. Depois... bem, depois são praias e mais praias, o azul em dois tons, de mar e céu, a acompanhar as minhas pedaladas. Optei pela ciclovia... ainda estava não muito preenchida, àquela hora.
Em Miramar fixei a imagem da capela do Senhor da Pedra e do areal quase imenso a apontar para Espinho. Saí dali pelo trilho lateral à Ribeira do Espírito Santo, sempre bonita de se ver pela mistura de vegetação que alimenta.
Aguda, devidamente assinalada pela rotunda onde se encontra a bonita Capela da Aguda e, contrastando, o quartel de Bombeiros, hoje muito preenchido com um grupo de (muito) jovens, todos munidos da respetiva máscara. Aquela rotunda é para mim um ponto marcante: muitas vezes a usei como forma de fazer "inversão de marcha" para início do regresso, mas hoje decidi não o fazer. "É para chegar a Espinho"... e assim foi!
Atingido o "menir" que marca a entrada na cidade, segui ainda pela avenida pedonal até ao centro. Na marginal marítima muita gente olhava o mar... o que se justificava com a presença de muitos praticantes de Surf, por ventura em resultado de uma escola especializada.
Depois de estar num banco de jardim, "Roendo uma maçã, mas sem falésia, olhando o mar azul à minha frente", iniciei o regresso, aproveitando para sujar as rodas em trilho de terra batida até à Granja. Aqui... espera... que linda que a velha estação de comboio ficou depois das obras de recuperação... mais uma foto bem merecida!
O trajeto de regresso foi mais ou menos o mesmo da ida, mas agora muito mais concorrido, a ponto de, por vezes, abandonar a ciclovia por dificuldades em avançar com velocidade... ainda deu para fazer umas fotografias no parque de Miramar e, já na marginal fluvial de Gaia, para apreciar o Cruzeiro do Senhor da Boa Passagem (mas como é que eu nunca tinha reparado naquele monumento?).
Depois da passagem na Ponte de D. Luís, a marginal direita do Douro foi feita já com algumas dores musculares... mas lá se foi aguentando, sem esforçar muito. No Passeio Alegre havia feira... e o lago do Parque da Cidade estava verde... de quem estará ele cheio de inveja? ;-)
Haveria que subir a Circunvalação (ui... como aquilo subia, hoje...) e, no limite das cãibras, lá cheguei ao Regimento de Transmissões. A partir daí foi a descer... ufa!!! e cheguei a casa eram 13:30 !!!!
E pronto, lá se fez mais um Empen()o, declaradamente sem "H". Matei saudades... e fiquei feliz. Espero que os meus amigos dos "Tantos & Empen(h)ados" também tenham gozado bem a manhã de domingo.
Assim sendo,
Adeus e até ao próximo empeno,
A. Augusto de Sousa