Augusto nos Cam. de Santiago
Vila do Conde e Arcos
Data: 6 de outubro de 2019
Por: A. Augusto de SousaData: 6 de outubro de 2019
Por: A. Augusto de SousaHoje haveria que fazer mais um percurso de terapia para o meu joelho, o mesmo que é dizer, nada de monte, mas sim estradinha a rodas... perdão, a rodos!
Caiu a decisão numa experimentação que há algum tempo pretendia fazer: seguir o Caminho da Costa a partir do Padrão da Légua, para verificar se a dita marcação, feita recentemente, é tão boa como alguém me dizia há algum tempo. Esta alternativa pode ser usada por quem inicie no Caminho Central e deseje mudar para o caminho da Costa Marítimo, em Vila do Conde.
A coisa até que começou bem... no Padrão da Légua, duas setas devidamente identificadas, acompanhadas por um placard com um texto adicional, mostram claramente o percurso. As setas são gravadas em amarelo sobre uns marcos em ferro (propositadamente enferrujado) denunciando o forte investimento que se fez na sinalização dos Caminhos de Santiago.
O problema é que, apesar dos inúmeros cruzamentos depois encontrados (curiosamente, nunca pela rua de Santiago...), não se vê mais seta nenhuma, nem dessas nem pintadas, até se chegar ao pequeno parque em Custóias, de nome Largo do Souto! E o troço que se segue sofre de mal semelhante... deixando mesmo algumas dúvidas de qual o arruamento a seguir ao sair dali. Na ponte de D. Goimil, a situação é até caricata... uma seta aponta em frente, pela estrada de alcatrão... mas uma outra seta, invisível a quem siga a primeira, aponta para a ponte... Não se percebe como alguém conseguirá discernir que existe ali uma ponte medieval, a menos que, como eu, o saiba antecipadamente...
Dali em diante começam a aparecer umas poucas setas pintadas em postes e muros; são setas já antigas, desbotadas e praticamente invisíveis. Invisível também é um marco, com a cruz de seis bicos dos Templários que, de acordo com o tal placard, assinala a entrada em terras da Maia, mas posso ser eu que não consegui encontrar. Depois de passar Pedras Rubras, o caminho está melhor marcado.
Em todo este percurso encontrei dois peregrinos: um casal jovem da Bielorrússia, que iniciou caminho onde saiu do avião. Lá lhes mostrei, num mapa, a forma de atingirem o Caminho da Costa Marítimo.
Daí até Árvore o caminho não é bonito e torna-se cansativo. Só ruas e estradinhas secundárias com piso em paralelo, nada de paisagem, a menos de um local ou outro que possam mostrar algum campo de cultivo. Depois, o percurso faz-se pela N13, até à ponte de Vila do Conde, onde parei para pensar no que fazer para o regresso.
Lembrei-me então que nunca fizera o percurso de ligação para o Caminho Central... fiz algumas contas de distâncias e de tempo e decidi-me a conhecê-lo. O percurso não é nada de especial, sendo o seu ponto mais interessante a ponte sobre o rio Este, que fica junta ao desvio para aquele percurso de terra que nos leva por Touguinha, pelas margens daquele rio, até Arcos.
E até Arcos, por estrada e seguindo as poucas setas existentes, também eu fui,... tendo entretanto passado na grande igreja/mosteiro da Junqueira. Aprendi uma coisa ao longo de nove quilómetros: Arcos encontra-se a uma cota mais alta do que Vila do Conde... e de que maneira!!! :-D
De Arcos, regressei fazendo o Caminho Central inverso. Em Vilar do Pinheiro encontrei um peregrino num local que me fez crer que a marcação voltou à solução inicial: seguir, depois do Padrão de Moreira, pela N13, em vez de ir à zona industrial da Maia.
De resto... nada a salientar... no regresso encontrei vários peregrinos no Caminho Central, mas o número não é nada que se compare com a afluência que se conhece agora no Caminho da Costa Marítimo. No troço de ligação Vila do Conde - Arcos, encontrei uns três ou quatro, somente.
Assim sendo, porque o texto já vai longo... há que terminar... Feita a experiência, posso continuar a dizer, a quem me pergunte, que a ligação Padrão da Légua - Vila do Conde está bastante mal marcada, especialmente antes de Pedras Rubras. Também posso continuar a pensar e a dizer que a ligação Vila do Conde - Arcos poderia ganhar imenso se fosse pelo nosso conhecido percurso por Touguinha.
Adeus e até ao próximo empeno,
A. Augusto de Sousa