Foto: Arquivo pessoal
A jornada musical de Stone Ferrari teve início em 1983, quando começou a tocar contrabaixo e bateria. Entre 1986 e 1988, deu os primeiros passos profissionais, recebendo cachê como músico acompanhante de artistas cover e atuando como operador de som em bandas de baile.
Em 1989, integrou o grupo Virga Férrea, com o qual gravou um disco homônimo de canções autorais e passou a se apresentar em festivais, eventos e casas noturnas — uma formação que permanece ativa até hoje.
Entre 1990 e 1994, ampliou sua atuação como músico da noite e técnico de som, colaborando com diversos artistas da cena local e consolidando sua experiência tanto nos palcos quanto nos bastidores da música.
Entre 1995 e 1997, Stone Ferrari integrou a banda paranaense Anjos Karicatos, que lançou um vinil com quatro faixas e conquistou grande visibilidade ao emplacar um hit nas rádios do sul do país. O grupo foi finalista do renomado Festival Skol Garage Band — que mais tarde se tornaria o Skol Rock — sendo uma das 12 bandas selecionadas entre 750 participantes de todo o Brasil. Com ampla divulgação na MTV e na revista Bizz, firmaram contrato para uma turnê de 36 apresentações em 60 dias na capital paulista, promovendo o novo Guaraná Brahma e integrando a coletânea nacional da Sony Music. A banda também realizou inúmeros shows em casas noturnas, ginásios e feiras agropecuárias pelo sul do país.
Foto: Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal
Em 1997, logo após a morte de Renato Russo, Stone criou o projeto Renato Para Sempre, uma homenagem emocionante a Renato Russo e à Legião Urbana. O espetáculo ganhou força e alcançou grande repercussão, resultando em apresentações por todo o Brasil e abrindo shows para grandes nomes da música nacional como Barão Vermelho, Ira!, Engenheiros do Hawaii, Zé Ramalho e Roupa Nova. Durante dois anos consecutivos, o projeto manteve uma impressionante média de oito apresentações mensais — um feito marcante para uma banda do interior do Paraná.
No ano seguinte, em 1999, fundou o estúdio Mr. Track ao lado do premiado engenheiro de som Rodrigo Sanches (vencedor do Grammy Latino, com trabalhos para Gal Costa, Cansei de Ser Sexy, Cachorro Grande, entre outros). No Mr. Track, Stone atuou na produção de diversos álbuns da cena musical local, colaborando com artistas como Holder, Aline Lima, Fantoches e muitos outros.
Foto: Arquivo pessoal
No ano 2000, Stone Ferrari se muda para São Paulo e passa a integrar a equipe da prestigiada gravadora Trama, onde atuou até 2004. Nesse período, trabalhou diretamente em projetos de alguns dos nomes mais representativos da música brasileira, como Jair Rodrigues, Inezita Barroso, Tom Zé, Sepultura, Nação Zumbi, Rappin Hood, Sabotage, Pedro Mariano, Fernanda Porto, Luciana Mello, Wilson Simoninha, Max de Castro, entre muitos outros.
Stone também participou da produção de álbuns de grupos tradicionais como a Banda de Pífanos de Caruaru e Caju e Castanha, demonstrando sua versatilidade ao transitar entre gêneros tão diversos quanto o samba, o rap, o forró e o rock.
Um de seus momentos mais emblemáticos foi atuar como assistente responsável pela remixagem do clássico “Elis & Tom”, ao lado do maestro César Camargo Mariano e do renomado engenheiro de som Luís Paulo Serafim. Considerado um dos álbuns mais importantes da música brasileira, essa reedição marcou profundamente sua carreira e consolidou sua experiência em produções de alto nível artístico e técnico.
Em 2004, após gravar um novo álbum em São Paulo com os remanescentes da banda Anjos Karicatos, no renomado estúdio Mega SP e com mixagem assinada pelo premiado produtor Carlo Bartolini (Ultraje a Rigor, Paralamas do Sucesso), Stone Ferrari retorna a Maringá. De volta à cidade natal, inaugura a loja-conceito JAY PEE, voltada à temática musical, e retoma sua atuação como músico na noite. Nesse período, também reativa seu estúdio próprio, o Pé de Manga Surround.
Foto: Arquivo pessoal
Em 2005, cria o espaço cultural A Base, uma casa de shows independente que se torna referência na cena local e regional, recebendo artistas como Wander Wildner, Blaze Bayley (ex-Iron Maiden), Made in Brazil e Cachorro Grande.
A partir de 2006, amplia sua atuação na área técnica, operando o áudio para turnês brasileiras de artistas internacionais como Marky Ramone (The Ramones), Napalm Death, e Manny Charlton (Nazareth). Também produz shows para bandas alternativas nacionais e internacionais, incluindo Dead Fish e os ingleses The Varukers.
Em 2008, inaugura oficialmente o estúdio Pé de Manga, que se torna um polo de produção musical em Maringá. Produz discos de diversas bandas locais como Dedo de Moça, Sollado e Inimitável Fábrica de Jipes, além de apresentar um quadro musical no programa televisivo Karangos, Motocas e Rock’n’Roll, ampliando sua presença na mídia regional.
Foto: Capa do álbum "Uma Gravidade" de Stone Ferrari
Em 2009, Stone Ferrari grava e lança seu primeiro trabalho em formato DVD, com um show ao vivo de músicas autorais maringaenses, realizado no teatro da Universidade Estadual de Maringá. O projeto também inclui o lançamento do média-metragem “Uma Gravidade”, expandindo sua atuação para o audiovisual e consolidando seu compromisso com a produção artística local.
Em 2010, Stone Ferrari idealiza o projeto The Blues Is On The Table, reunindo músicos da cena maringaense com afinidade pelo blues em jam sessions semanais. O projeto rapidamente se torna um sucesso, lotando a casa O Butiquim por dois anos consecutivos e fomentando uma nova cena musical na cidade. A proposta cria um ambiente de troca entre músicos experientes e iniciantes, gerando o surgimento de novas bandas e consolidando Maringá no circuito de apresentações de artistas internacionais do blues.
Entre 2012 e 2014, assume a técnica de áudio e o gerenciamento da casa de shows Porto Café, espaço com capacidade para 1.200 pessoas. Nesse período, lança o single autoral “T’Chamo”, apresenta-se na Virada Cultural Paranaense ao lado de nomes como Zeca Baleiro e Wanderléa, e leva suas músicas para eventos como a FLIM – Festa Literária Internacional de Maringá.
Em 2015, foca na expansão do estúdio Pé de Manga, passando a produzir não só álbuns musicais como também eventos e shows. Apresenta-se novamente na Virada Cultural de Maringá, consolidando seu espaço como artista e produtor.
Foto: Rafael Saes
Foto: arquivo pessoal
Em 2016, amplia sua atuação para o audiovisual, assinando a mixagem de longas-metragens como “A Heroína”, “Vidas Ameaçadas” e “O Legado”, além de atuar como músico e técnico freelancer em diferentes produções.
No ano de 2017, realiza o show autoral de lançamento do livro “Ímpar”, do poeta A. Amazonas, com quem também colabora em diversas composições. Participa do projeto Convite à Música com os espetáculos “Baladas e Blues” e “A Música Maringaense de Stone Ferrari”. Produz faixas das bandas Stolen Byrds, Montanas Trio, Virga Férrea e The Old Skull Guz, lançadas em compacto de vinil. Lança o single “Cidadão Vigilância” com a banda Virga Férrea, conquistando o primeiro lugar no Festival Mundo Livre FM.
Em 2018, retorna à Virada Cultural com o projeto The Blues Is On The Table e segue na ativa com o estúdio Pé de Manga, produzindo discos de artistas como The Old Skull Guz, Montanas Trio, Purple Trip, Inputma Band, Indexsonnora, Diego Salvetti, Dedo na Quina, além da produção do Maringá Jazz Festival. Também compõe e realiza a mixagem do documentário audiovisual “Nós, Servidores”. Nesse mesmo ano, apresenta o projeto “Literal Mente”, no qual transforma poesias em canções autorais, invertendo o processo criativo tradicional ao priorizar a palavra como ponto de partida para a composição. O projeto também é destaque na FLIM. Fecha o ano com apresentações da Virga Férrea no Convite à Música, reafirmando seu papel de liderança na cena musical da cidade.
Foto: recorte de "maringa.com"
Foto: arquivo pessoal
Em 2019, Stone Ferrari relança, em parceria com a Melomano Discos, o álbum ao vivo “Uma Gravidade”, agora no formato vinil duplo, tornando-se o primeiro artista maringaense a lançar um trabalho autoral nesse formato. Com o projeto “Literal Mente”, realiza apresentações acústicas em espaços culturais como as bibliotecas municipais de Maringá e o CEU das Artes de Iguatemi, além de diversas performances em casas noturnas, reforçando sua presença na cena musical local com uma proposta sensível que une poesia e música.
Durante a pandemia, em 2020, Stone Ferrari manteve sua produção ativa mesmo em meio às adversidades. Produziu o álbum “Mantras Distorcidos” da banda Inimitável Fábrica de Jipes, o disco “Transborda” da cantora Rúbia Divino, e o single “Um Novo Mundo” da banda Salamargo. Realizou dez palestras sobre sua trajetória artística como contrapartida à Lei Aldir Blanc, compartilhando sua vivência com o público. Também participou remotamente do projeto Convite à Literatura com o show “Toda Poesia de Renato Russo”, unindo música e palavra em um tributo poético-musical.
Foto: arquivo pessoal
Em 2021, lançou o single autoral “2020: O Ano Que Nunca Acabou”, retratando o impacto do período pandêmico. Produziu o álbum do grupo Seres Inteligíveis e, mesmo tendo enfrentado complicações ao contrair Covid-19 — o que o afastou das atividades por grande parte do ano —, lançou, ao lado de sua companheira, o single e videoclipe “Blues Bar”, produzido durante o período de reclusão.
Em 2022, Stone Ferrari retoma suas atividades com força total, marcando uma nova fase em sua carreira com a mudança do nome de sua produtora de Pé de Manga Produções para Pé de Música Produções, refletindo uma identidade mais alinhada à sua trajetória musical e audiovisual.
Nesse período, criou trilhas sonoras originais e assinou a mixagem de importantes produções, como o documentário “A Descoberta do Eldorado: Formação e Consolidação Política de Maringá (1947–1988)” e o desenho animado “O Dia Em Que Eu Esqueci de Você”. Produziu o álbum “Sinombre” da banda homônima, o single da cantora Débora Louize, a live da banda Corda Crua, e operou o som no Festival AGO. Também mixou o documentário institucional do Sicoob, o single “Ipê Amarelo” da cantora Elba Leal e o álbum “Nua”, da cantora e compositora Nuah, que também contou com sua masterização.
Em 2023, deu continuidade ao trabalho audiovisual, realizando os documentários “SCHERER: Do Nazismo às Terras Vermelhas” e “Maringá Cidade Empreendedora”, além de seguir produzindo suas composições autorais, consolidando-se como um artista multifacetado e atuante tanto na música quanto no cinema independente.