Sessão 1
2 de Outubro
Paul Huddie
Apresentação
Dr. Paul Huddie is a historical researcher from Ireland, who is interested in war and society, principally within the British Empire in the long 19th century. He is a graduate of University College Dublin (BA, 2008; MA 2009) and Queen’s University Belfast (2014) and the co-editor of the 2023 special issue of War & Society, New Perspectives on Conflict and Ireland in the Nineteenth Century and the forthcoming Military Welfare History since the Eighteenth Century: War and Welfare (via Palgrave McMillan). His research has been published in several edited volumes and multiple peer-reviewed journals and has been the recipient of over two dozen research grants, travel grants and conference support grants, since 2013. He is currently employed as a Research Project Manager at University College Dublin, where he supports three prestigious European Research Council-funded projects. Lastly, he is the founder and Coordinator of the Military Welfare History Network.
Comunicação
Military Welfare History: what is it and how can we use it?
Sumário
For as long as there has been war, there have been soldiers’ and sailors’ spouses and children and widows and orphans, and there have been veterans. All of these people have been impacted by military service, and all of them have had or have sought welfare and medical needs before, during, and after military service and periods of conflict. The scope of military welfare history is broad because while military welfare clearly begins with soldiers and veterans, it by no means ends with them. This ‘perspective’ (military welfare history) also interrogates how their service affects their families, dependents, and communities. In addition, military welfare history incorporates all the changes to a society due to this service, including but not limited to policies, perceptions, ideologies, provisions, and infrastructures. This vast range of categories necessitates examining the decisions of governments and militaries as well as charitable, philanthropic, and religious organizations. It likewise requires gauging how creating and modifying various forms of assistance (such as government allowances and pensions, regimental provisions, charitable funds, philanthropic education, employment, housing, and medical care) seeks to meet the evolving needs of soldiers, veterans, and their families. It is the purpose of this lecture to present military welfare history as a new academic perspective, to trace its origins and evolution, and to discuss both its core features and its utility.
Sessão 2
16 de Outubro
Daniela Dantas
Apresentação
É investigadora associada no Centro de História da Universidade de Lisboa. Concluiu o doutoramento em 2020, com a tese intitulada Mare Nostrum: Military History and Naval Power in Rome (2nd century BCE – 1st century CE). Este trabalho resultou de um processo de investigação no mestrado em História Antiga, durante o qual se debruçou sobre a Primeira Guerra Púnica e iniciou o seu percurso no estudo da marinha romana. Tem apresentado os resultados da sua investigação em conferências, revistas científicas e capítulos de obras académicas. Os seus interesses de investigação centram-se na História Militar Romana, Poder Naval de Roma e a relação de ambos com o imperialismo em Roma.
Comunicação
A medicina naval em Roma
Sumário
Os primeiros registos de combates navais no mundo romano remontam ao século IV a. C. No século seguinte, com o início da Primeira Guerra Púnica, observou-se um aumento significativo do investimento na componente naval. A partir de então, Roma manteve uma marinha de guerra ativa que viria a desempenhar um papel fundamental no processo de expansão do império e na sua posterior manutenção. Para operar estas frotas foi necessário um número considerável de marinheiros e remadores, acompanhados por soldados. O crescente aparato militar levou ao desenvolvimento de estruturas médicas para servir não só os exércitos terrestres, mas também os seus correspondentes navais.
O presente seminário propõe uma análise da forma como Roma enfrentou os desafios médicos inerentes à vida a bordo das embarcações de guerra. Ter-se-á em consideração a simbiose mar-terra: por um lado, as tripulações raramente pernoitavam no mar, sendo que as suas questões médicas se estenderiam a contextos de acampamentos. Por outro, o combate naval romano frequentemente optava pela abordagem de navios inimigos com elementos da infantaria, o que iria influir no tipo de ferimentos.
Serão abordadas práticas de prevenção da doença, cuidados terapêuticos e de higiene, bem como procedimentos cirúrgicos. A medicina naval romana revelará uma adaptação às especificidades do ambiente marítimo, caracterizado por espaços confinados, ausência de condições sanitárias ideais e elevada densidade humana. A preocupação romana com as questões da higiene, saúde pública e manutenção da eficácia militar em espaço marítimo demonstrará a sua mentalidade pragmática, que contribuiu para a sustentabilidade do esforço bélico em espaço naval. Relativamente aos médicos propriamente ditos, discutiremos, sobretudo, a figura do medicus triremis, que assumiu particular relevância a partir do século II d. C. A sua existência está sobretudo atestada por inscrições epigráficas, que indiciam a escassez de profissionais disponíveis para um serviço considerado indesejado.
Sessão 3
30 de Outubro
MariaTeresa Morais
Apresentação
A Investigadora Maria Teresa Morais (ORCID ID 0009-0006-7938-5274) é Mestre em História Militar pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL), onde desenvolveu a sua tese de Mestrado dedicada ao tema da cavalaria da Ordem Teutónica no Báltico durante os sécs. XIII-XV. Os seus principais focos de investigação são a Ordem Teutónica e as Cruzadas no Báltico, tendo também grande interesse em temas de literatura medieval, História Equina e Equestre, Traumatologia e Psicologia. Cavaleira experiente, praticou as modalidades de obstáculos (semi-profissional) e dressage, dedicando-se igualmente à recuperação física e mental de cavalos. Durante a Licenciatura, foi voluntária no Museu Militar de Lisboa e na Liga dos Combatentes da Grande Guerra. Participou em seminários e colóquios realizados na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa como palestrante e também como organizadora. Exerceu as funções de professora de Inglês, História e Português do Ensino Básico e de formadora de professores. Correntemente, dedica-se à concretização de um projeto freelance e colabora oficialmente com o Centro de História, Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa, desde Abril de 2025.
Comunicação
Ossos do Ofício – Vidas e Mortes de Cavaleiros Medievais
Sumário
Começando pela premissa base daquilo que faz o cavaleiro medieval – o cavalo – é possível deduzir que as lesões mais comuns dos cavaleiros estão relacionadas com quedas de cavalo ou com choques com outros cavaleiros, como traumatismos cranianos e rótulas partidas. Vestígios osteológicos revelam também alterações músculo-esqueléticas causadas pelo assento e pelo tempo passado no arreio, como o ‘síndrome de cavaleiro’, que afeta a pélvis, os fémures e a parte inferior da coluna vertebral.
Para além de lesões relacionadas com a atividade equestre, verifica-se, no estudo de ossadas, da arte, de crónicas e de armamento ofensivo e defensivo, que o cavaleiro medieval estava sujeito a vários tipos de trauma, físico e psicológico, sendo que o presente trabalho se foca no trauma físico, possível de interpretar graças às cicatrizes e lesões ante-mortem que ficam no esqueleto.
O cavaleiro medieval estava sujeito a lesões traumáticas, quer por força contundente, trauma cortante ou ambos, por vezes sobrevivendo a ferimentos severos ou sucumbindo a um ou vários traumatismos. Apesar da limitada amostra osteológica disponível para uma melhor compreensão da vida – ou morte – dos cavaleiros da Ordem Teutónica no Báltico, é possível extrapolar, graças ao estudo das ossadas de enterramentos de outros cavaleiros (como as ossadas de Cavaleiros Templários encontrados in situ na fortificação do vale do Jacob, ou a amostra proveniente de Aljubarrota e até mesmo de Visby), o tipo de traumas físicos que seriam sustidos durante o período das Cruzadas no Báltico (Sécs. XIII-XIV).
Sessão 4
13 de Novembro
Cristiano Enrique de Brum
Apresentação
Doutor em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Mestre em História pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Graduado em História pela mesma Universidade. Tem experiência e interesse nas áreas de História do Brasil Contemporâneo, Patrimônio Cultural, Primeira Guerra Mundial, História da Ciência, História da Saúde, História da Medicina e História das Elites. Foi pesquisador do Programa Nacional de Apoio a Pesquisa da Fundação Biblioteca Nacional (2020). Foi Coordenador do Grupo de Trabalho (GT) História e Saúde da Associação Nacional de História/Seção do Rio Grande do Sul (Anpuh-RS) por duas gestões (2018 a 2020 e 2020 a 2022). Entre 2021-2023 foi Professor Auxiliar-Substituto do Departamento de História do CERES, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Campus Caicó.
Comunicação
A (des)mobilização de médicos na Grande Guerra: o caso da Missão Médica Brasileira na França (1918-1919).
Sumário
Durante a Grande Guerra, após declarar beligerância ao Império Alemão, o governo brasileiro enviou, em 1918, uma Missão Médica para a França, a fim de prestar serviços médicos aos seus aliados no conflito (França, Inglaterra, Itália, Portugal e outros). Procurando compreender o processo de mobilização discutiremos a organização da Missão Médica brasileira, bem como a constituição e o recrutamento de seu corpo de médicos, analisando, também, o perfil dos membros. Serão analisadas as ações realizadas por este grupo na França durante a Guerra e também quais os capitais, prestígio e experiências adquiridos pelos médicos durante este período. Por fim, após o retorno ao Brasil, em 1919, examinamos o processo de desmobilização médica a partir dos impactos nas carreiras.
Sessão 5
27 de Novembro
Gustavo Gonçalves
Apresentação
É licenciado em História e Mestre em História Militar e Ensino da História. É Doutorando na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra onde, no âmbito da História Antiga, se encontra a realizar uma tese doutoral sobre as dinâmicas político-militares bizantinas no Mediterrâneo Ocidental no decurso da Antiguidade Tardia. É Investigador Colaborador no Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra; membro-fundador da Associação Ibérica de História Militar, séculos IV-XVI; é docente no Agrupamento de Escolas José Saramago, Palmela.
É coautor na obra O Sangue de Bizâncio. Ascensão e Queda do Império Romano do Ocidente, e autor da obra A Génese do Exército Bizantino. O Stratēgikón de Maurício. 284-602. Tem apresentado os resultados da sua investigação, no campo da Bizantinística e da Didática da História, em conferências, revistas científicas e capítulos de obras académicas. Os seus interesses de investigação centram-se em Bizâncio, o mundo tardo antigo, e, no que concerne à Didática da História, em torno da preparação e adequação curricular de Manuais Escolares.
Comunicação
Sobreviver à Guerra em Bizâncio. Entre a preservação e o desenvolvimento da Medicina Militar na Antiguidade Tardia.
Sumário
Após a queda do império Romano do Ocidente, em 476, recaiu sobre o seu homónimo oriental a preservação e continuação do legado imperial. Com o vasto programa de conquistas militares realizado no decurso do século VI, Bizâncio logrou impor a autoridade imperial a (quase) toda a bacia Mediterrânica. Para o efeito contribuíram as diversas reformas realizadas pelos imperadores bizantinos, bem como as técnicas e experiência herdados da antiga máquina militar romana.
Opondo-se aos tratamentos e diagnósticos praticados no Ocidente, baseados na superstição e crenças clericais, a medicina bizantina conheceu um novo período de desenvolvimento, quer nas esferas civis como militares, apoiado nos textos clássicos, preservados e copiados em Constantinopla. A par das diversas medidas com vista ao aumento da higiene pública, potenciada pelo aparecimento da peste bubónica no Mediterrâneo no decurso do segundo quartel do século VI, também o exército foi alvo de novas reformas com vista à saúde dos seus efetivos e ao tratamento daqueles que sofriam pelas armas inimigas.
No presente seminário serão abordados aspetos que caracterizavam a medicina militar bizantina no decurso da Antiguidade Tardia. Para o efeito, será tida em conta a produção de compêndios militares no período coevo que, a par das inovações tático-estratégicas, nos permitem compreender de forma mais profunda a arte da medicina aplicada ao mundo bélico. Concomitantemente, serão analisadas as medidas encetadas pelos imperadores com vista à melhoria das conduções de higiene e de saúde das populações no rescaldo da peste bubónica do século VI, bem como os preceitos que deveriam ser tidos em conta no decurso das campanhas militares, quer no tocante à preparação inicial dos acampamentos, da gestão e preservação das fontes e acessos a água potável, até aos procedimentos cirúrgicos realizados em pleno campo de batalha pelos deputati imperiais.
Sessão 6
11 de Dezembro
Carlos Alves Lopes
Apresentação
Doutorado em História Contemporânea, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, na vertente de História Naval, onde desenvolveu a tese doutoral "Portugal e o Bloqueio Naval na Grande Guerra; Uma lição aprendida e esquecida". Obteve o grau de Mestre em História Contemporânea pela Universidade Aberta em 2013, tendo à data apresentado a dissertação sobre "Os portugueses na Grande Guerra; uma experiência de combate e de cativeiro". É ainda, Auditor de Defesa Nacional pelo IDN - Instituto de Defesa Nacional, membro da Comissão Portuguesa de História Militar e consultor científico do Museu de Marinha e do Museu Militar de Lisboa.
Comunicação
Grande Guerra 14-18; Moçambique; Serviços de Saúde Militares
Sumário
A comunicação enquadra o serviço de saúde militar durante a Grande Guerra de 14-18, no teatro de operações de Moçambique. É uma oportunidade para se compreender as dificuldades que o clima e a adaptação dos militares a essas mesmas exigências, pode traduzir um problema muito maior que a presença do inimigo.
Durante os anos de guerra foi registada uma das maiores evoluções no campo da medicina. Esta evolução não se restringiu à organização dos serviços de saúde militares medico-hospitalares, mas também ao campo do tratamento, diagnóstico e gestão de procedimentos cirúrgicos.
Igualmente se verificou um grande avanço ao nível da patologia, mas com diferente impacto nos resultados conseguidos pelos serviços de saúde na Europa e na África, assim como uma grande diferença nos resultados conseguidos pelos serviços de saúde prestados pelo Exército britânico e os prestados pelo Exército português em África.
No entanto, as opções portuguesas tomadas ao longo das três campanhas não apresentaram um progresso marcante que permitisse distinguir uma evolução nos serviços de saúde prestados, ou mesmo de cuidados primários, comparados com os resultados obtidos noutros exércitos presentes em África.
Mas houve excepções, no quadro hospitalar do teatro de guerra em Moçambique entre 1914 e 1918, nos serviços prestados em duas unidades hospitalares: no hospital central de Lourenço Marques (Miguel Bombarda) e no navio-hospital NRP Quelimane.