"Tempo Esculpido"
de Flavia Sampaio (SP)
"Tempo Esculpido"
de Flavia Sampaio (SP)
"Tempo Esculpido"
Seres que habitam o imaginário
Tempo Esculpido é um projeto fotográfico desenvolvido que apresenta seres elaborados com fragmentos orgânico-botânicos, em uma apreciação e ressignificação do que se deteriora. Os corpos criados possuem fisiologias singulares e efêmeras, salientam evidências, marcas e vestígios do estado de encerramento de ciclo (morte) e reformulação da matéria (vida). No caminhar contemplativo, a natureza é cenário e fonte brincante para o descobrimento de formas de vida tanto familiares quanto ainda inexistentes. A coleta desses objetos para fora de seus habitats é tratada em uma abordagem científico-criativa.
Fragmentos colecionados para serem manuseados, remontados, reformulados e capturados através da fotografia. O material mimetiza-se a partir da decomposição, formando uma estrutura híbrida que se desloca para o domínio do imaginário e das infinitas possibilidades de recriação. Formas ora frescas, ora murchas e secas ressaltam impermanência do estado das coisas. As criaturas inventadas por meio de um exercício centrado no corpo da artista surgem através da manipulação física e subsequente transfiguração em imagens. A coleta de restos mortais, ou resíduos orgânicos destinados à decomposição, para convertê-los em novas realidades escultóricas que sofrem uma transformação adicional com o registro fotográfico.
Entre o que existe e o ainda não criado, Tempo Esculpido é um processo poético de modelagem no tempo, espaço e forma. As frações de diversas espécies somam-se em busca de uma harmonia escultórica. A beleza do frescor é confrontada com o desgaste, afirmando novas possibilidades de presença centradas mais em suas jornadas do que em seus destinos, propondo assim um novo modo de ser.
O desenvolvimento criativo de Tempo esculpido transita pelo processo natural de decadência e renovação, atribuindo novos significados àquilo que se percebe como efêmero ou destituído de valor e, simultaneamente, reflete sobre o próprio envelhecer. Essa dupla incursão desafia as fronteiras entre natureza e subjetividade, onde a transformação dos materiais orgânicos dialoga intimamente com as marcas deixadas pela vida no corpo humano. Uma investigação visual e conceitual sobre a transformação e a revalorização daquilo que é perecível.
Crédito Juliana Correa
Flavia Sampaio (SP)
Flavia Sampaio é formada em Comunicação Social pela FAAP. Desde 2018 desenvolve projetos com ênfase na investigação da memória e da passagem do tempo. Participou de ciclos de estudos em Criação Literária na PUC, Fotografia e Literatura no IMS e Reflexões sobre a Cor no Grupo de Estudos Cromáticos. Segue orientada pelo pesquisador e curador Daniel Salum. Seu trabalho foi exibido em exposições nacionais e internacionais, incluindo o 10º Festival de Fotografia de Tiradentes em 2020 e 2025 e na coletiva na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre. Em 2022, foi finalista do prêmio de melhor boneco de fotolivro no Festival Imaginária. Em 2024, uma foto de "Palco do Silêncio" foi selecionada para uma retrospectiva no Festival de Fotografia Xposure em Sharjah, Emirados Árabes Unidos. Em 2025, lançou o fotolivro Tempo Esculpido no Festival de Fotografia de Tiradentes. Tempo Esculpido foi selecionado para a exposição no Festival de Kariri. Além da fotografia, desenvolve poemas inspirados em seus projetos.
Para conferir o vídeo da artista, clique aqui.
Instagram: @flaviasampaio_photo