Uma boa mãe
Uma boa mãe
Se hoje eu consigo ser uma boa mãe para o meu filho, foi porque aprendi muito com a minha.
Mãe, foi com você que aprendi que amar nem sempre é dizer “eu te amo” o tempo todo. Às vezes, amar é acordar às cinco da manhã para trabalhar. É abrir mão do próprio descanso. É fazer o que precisa ser feito para que o filho tenha oportunidades melhores.
Aprendi com você como educar uma pessoa, como cuidar, como ser responsável, comprometida e disciplinada. Aprendi observando seus esforços diários, sua dedicação e sua presença, mesmo quando a vida exigia tanto de você.
Se hoje tenho tempo para estar com o meu filho, se consigo oferecer a ele uma qualidade de vida diferente, isso também é fruto do seu trabalho, das suas renúncias e de tudo o que você construiu ao longo da vida. Muitas das coisas que consigo dar a ele hoje só são possíveis porque você trabalhou duro para que eu pudesse chegar até aqui.
A maternidade também me ensinou algo importante: nenhuma mãe nasce pronta. A gente aprende sendo mãe. Aprende na tentativa, no erro, no acerto, no improviso e na coragem. Eu nunca tinha sido mãe antes. Assim como meu filho está aprendendo a ser filho e a ser pessoa, eu estou aprendendo a ser mãe. Crescemos juntos.
Por isso, hoje consigo olhar para você com outros olhos. Com mais compreensão. Com mais maturidade. Talvez você não tenha acertado tudo. Mas quem acerta? Nenhuma mãe acerta. Nenhuma mãe consegue ser tudo o que gostaria de ser. E, muitas vezes, fazemos o melhor que sabemos com os recursos, o tempo e as referências que temos.
Às vezes, uma mãe não foi exatamente como o filho precisava porque lhe faltou tempo, apoio, exemplo ou simplesmente porque acreditava que aquela era a melhor forma de amar. E tudo bem reconhecer isso sem apagar tudo o que ela fez de certo.
Ontem eu vi você se comparando a mim, observando como sou uma mãe diferente. É verdade que eu verbalizo mais o meu amor. Eu abraço mais, beijo mais, faço mais carinho. Mas seria muito injusto você usar isso como medida para avaliar a mãe que foi.
Nós tivemos histórias diferentes. Contextos diferentes. Oportunidades diferentes.
Eu tive algo que você talvez não tenha tido: você.
Você foi minha referência. Foi quem me ensinou, com os acertos e também com os erros. Foi quem me mostrou caminhos, valores e princípios que carrego até hoje. Se sou uma mãe amorosa, paciente e presente, existe muito de você nisso.
Mãe, hoje eu não preciso mais que você diga que me ama. Eu sei. Eu vejo. Eu sinto.
Sinto no seu esforço, no seu trabalho, no cuidado, nas preocupações, nos limites que colocou quando eu não queria aceitar, nas vezes em que esteve ao meu lado e nas vezes em que precisou se ausentar justamente para cuidar de mim.
Você não foi perfeita. Mas eu também não sou. E meu filho, um dia, também perceberá isso.
O que posso te dizer é que você foi exatamente a mãe de que eu precisava para me tornar quem sou hoje.
E, se hoje consigo ser uma boa mãe ou pelo menos tento ser todos os dias, é porque você tem uma parte enorme nisso.
Obrigada por tudo. E não vou falar eu te amo porque para nós isso seria meloso e dramático demais, mas como a gente fala: tchau, beijo, love u!
-Sâmia Nascimento.