Dia das mães
Dia das mães
Ser mãe não foi algo planejado, e muito menos esperado, com o diagnóstico de endometriose minhas chances eram de 1%, durante todo um ano foram diversos médicos, exames e propostas de tratamento. E finalmente no dia em que iria agendar minha cirurgia, em um dos exames pré operatórios a grande notícia, GRÁVIDA.
Pensei que ao ser mãe perderia toda a minha personalidade e individualidade, que eu deixaria de ter amigos que não estivessem na mesma ”fase” de vida que eu, que deixaria de gostar das coisas que gosto, que não teria tempo para me desenvolver profissionalmente, que prejudicaria meus estudos e que não teria tempo para cuidar de mim, e esse era o meu maior medo, de me perder de mim mesma, de perder a minha identidade, individualidade por ser refém da criação de uma outra pessoa que depende de mim.
Eu preciso dar conta, eu preciso ser boa, eu não posso repetir padrões familiares, eu preciso ser amorosa, cuidadosa, atenciosa, respeitosa, eu preciso, eu preciso, eu preciso, as cobranças são muitas, as vezes a gente acha que não vai dar conta e quer sumir. E por isso muitas vezes me pego pensando quem em sã consciência de si teria um filho? Qual o grande objetivo de se ter um?
Acredito que justamente por pensar assim eu seja uma mãe suficientemente boa, o melhor motivo para ser mãe na minha visão talvez seja esse, de não planejar ou projetar expectativas que são minhas e somente minhas nesse outro.
Sempre digo as minhas pacientes mães que essa tal de mãe perfeita não existe, e acredito realmente nisso, uma mãe perfeita é aquela que ainda não teve filho, porque tudo fica no só campo da idealização.
E na realidade a gente tá sempre pagando a língua. Meu filho não vai comer doce, não vai ver TV, não vai fazer birra, vai ser X e agir Y.
E na prática toda criança é só uma criança.
Quando me toquei dessa frase eu mudei, enquanto ele aprende a ser criança eu aprendo junto com ele a ser mãe dessa criança.
A maternidade ensina muitas coisas mas temos que estar dispostas a aprender e a se desenvolver com ela, para mim foi de fato uma evolução em todo o meu processo de autoconhecimento e principalmente em sobre como lidar e me relacionar com outras pessoas.
Hoje me vejo uma mulher muito mais madura, sensível, empática, criativa, resiliente e compreensiva.
Obrigada filho por me ensinar todos os dias como ser mãe, e principalmente como ser mais humana.
-Sâmia Nascimento.