Foto: Antônio Junior Bizunga
Foto: Antônio Junior Bizunga
ARARUNA (SOCIEDADE DE DANÇAS ANTIGAS E SEMIDESAPARECIDAS). É um grupo de dança folclórica de Natal, fundado por Mestre Cornélio Campina, em 1956. A Araruna é uma dança de salão, reunindo vários movimentos coreográficos, com influência de danças europeias, como a valsa, mesclados com ritmos brasileiros, como o xote. Os homens vestem cartola e casaca e as mulheres, longos vestidos e saias rodadas. O acompanhamento musical é feito por sanfona e pandeiro e algum outro instrumento de percussão. Organizados sempre em pares e enfileirados, o grupo possui quinze coreografias. O grupo tem a preocupação de preservar as coreografias como foram idealizadas pelo Mestre Cornélio, sem nada modificar. Reconhecido como Registro de Patrimônio Vivo do RN em 2021.
Foto: Acervo do grupo
BOI-DE-REIS DE BOCAS E CUITÉ. Fundado pelos mestres Manoel Joaquim e Geraldo Marreiro no ano de 1908. Bocas e Cuité são dois distritos vizinhos no município de Pedro Velho. O Boi-de-reis de Bocas e Cuité tem uma história ininterrupta que testemunha o valor que o boi teve na sociedade agrária do final do século XX. Os participantes do folguedo brincam acompanhados do rabequeiro, acompanhado do pandeirista e do tocador de triângulo. As cantorias são tradicionais. A masseira, um canto inicial de saudação, anima os galantes antes da chegada do boi. A brincadeira mistura sagrado e profano. Reconhecido como Registro de Patrimônio Vivo do RN em 2010.
Foto: Lenilton Lima
BOI CALEMBA PINTADINHO, de São Gonçalo do Amarante. É um dos grupos mais tradicionais do Rio Grande do Norte, com 114 anos de existência. Atualmente, o Boi Calemba Pintadinho é liderado pelo Mestre Dedé Veríssimo, que está no posto há 38 anos. O “boi calemba” é a versão potiguar do “bumba meu boi”, também conhecido como “boi de reis”. Trata-se de um auto popular que conta a morte e ressurreição de um boi. É composto por “enfeitados” e “mascarados”, divididos em Mestre, Galantes e Damas. Os instrumentos utilizados são a rabeca, o pandeiro ou a sanfona. Entre músicos e brincantes, o grupo é composto por 30 integrantes. Reconhecido como Registro de Patrimônio Vivo do RN em 2020.
Foto: Acervo do grupo
CHEGANÇA, de Barra do Cunhaú/Canguaretama. A Chegança, folguedo de grande dramaticidade, simula batalhas navais entre mouros e cristãos pela posse da Península Ibérica. A origem da Chegança no Rio Grande do Norte está ligada ao Bairro das Rocas, em Natal, e remonta ao início do século passado. O Mestre Valdemir Marques dos Santos mantém, há mais de trinta anos, as atividades do Grupo. Foi um tio seu, chamado João Marques, que levou a Chegança para Barra do Cunhaú. Os brincantes do folguedo, em número de 40, chamados de tripulação, revezam-se nos papéis de oficiais, marinheiros e marujos. Reconhecido como Registro de Patrimônio Vivo do RN em 2009.
Foto: Gibson Machado
CABOCLINHOS, de Ceará-Mirim. O Grupo tem mais de um século. Os primeiros mestres foram Joaquim Inácio e Chico Emídio. O folguedo constitui-se em uma representação de antigas manifestações indígenas. O Caboclinhos é uma dança com forte marcação rítmica, puxada por uma flauta de lata, batidas de surdo e estalos de flechas. A agremiação de Ceará-Mirim é formada por 50 brincantes, sendo 90% dos integrantes membros da mesma família. Desde 1999, o grupo é presidido por Severino Roberto, o Mestre Birico (66 anos), e conta com o apoio do seu sobrinho Fabrício Marques. Reconhecido como Registro de Patrimônio Vivo do RN em 2009.
Foto: Acervo do grupo
FANDANGO, de Canguaretama. Trata-se de um auto popular de origem ibérica, inspirado nas grandes aventuras marítimas portuguesas. Varia de nome de uma região para outra: Nau Catarineta, a Barca, Fandango. O Fandango de Canguaretama apareceu por volta de 1885, trazido do Pará. A apresentação se faz com uma barca, a Nau Catarineta. O enredo principal desenvolve-se em torno da “Nau”, que é atacada por uma tempestade e vaga durante sete anos. Perdida e sem comida, a tripulação passa a comer sola de sapatos e chega à beira da antropofagia. O Fandango de Canguaretama participa, com a Nau Catarineta, da procissão de Nossa Senhora da Conceição, conduzindo a imagem da santa pelas principais ruas da cidade. Reconhecido como Registro de Patrimônio Vivo do RN em 2009.
Foto: Antônio Junior Bizunga
RENDEIRAS DA VILA/Vila de Ponta Negra, Natal. Maria de Lourdes de Lima, Mestra Vó Maria, aprendeu a fazer renda de bilros ainda criança. Percebendo que a prática estava perdendo força, decidiu reunir um grupo de amigas rendeiras, em sua casa. E assim voltou a “zoada dos bilros”, orquestrados por hábeis mãos que dão ritmo às tardes de produção e conversa. Há mais de vinte anos, o grupo, que pode chegar a 90 associadas, reúne-se de segunda a sexta feira para rendar. De herança portuguesa, a técnica de tecer com bilros instalou-se em nosso território há mais de quatro séculos. As rendeiras de Ponta Negra produzem peças de roupa e de decoração. Reconhecida como Registro de Patrimônio Vivo do RN em 2020.