Esta variedade de Uva viajou o mundo, salvou vinhedos, navegou nos porões de navios e aportou aqui em Urussanga.
A Vitis Riparia Michaux, conhecida carinhosamente de Tinturina.
Esta Uva de cachos longos e volumosos, mas de bagos pequeninos nasceu na América do Norte, mais precisamente entre o Canadá e a costa leste dos Estados Unidos, é uma variedade de Uva selvagem que gosta de nascer em beiras de rios e riachos. Lá ela foi descoberta desde muito cedo pelos colonizadores Ingleses e Franceses, mas ficou meio esquecida, até que em meados de 1850, uma praga chamada “Filoxera” dizimou boa parte dos vinhedos da Europa e do resto do mundo.
Os botânicos da época já conheciam a Vitis Riparia Michaux e sabiam que ela era bastante resistente a diversas pragas, fungos e doenças, além de ser muito produtiva e robusta, logo surgiu a ideia de torna-las “Cavalos”, que são plantas porta-enxerto. Feitas as experiências, ela se saiu muito bem, e foi levada à Europa para servir de base aos novos vinhedos, junto a outras dezenas de variedades foi introduzida em diversos países, inclusive a Itália. Foi nesta época que muitas variedades de Uva nasceram, buscando resistir a Filoxera.
Já ouviu ou leu, que os nossos Imigrantes Italianos trouxeram nos navios cepas de Uva envoltas em musgo? Quem você imagina que voltou para as Américas, triunfante? Ela mesmo, a Tinturina. Os relatos falam de uma uva com uma cor muito forte, de grãos pequenos e que produzia muito, mas que dava um vinho muito ruim, pois bem, a Tinturina realmente é uma Uva que não é muito doce, e não produz muito álcool, sendo muito usada na época, e até hoje, para produzir Vinagre. Aqui ela serviu também como cavalo para os vinhedos, até a chegada da nossa querida Uva Goethe, que deve ter também um pouquinho da Tinturina no seu DNA.
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