A Origem é um filme desafiador. Num mundo não muito distante do nosso, em que existe tecnologia para invadir sonhos é realidade, um espião altamente capacitado tem sua chance final de redenção condicionada à realização de uma missão impossível: implantar uma idéia estranha na mente de uma pessoa, capaz de levá-la a fazer algo que não quer. Na superfície, trata-se de um barulhento filme de ação típico de Hollywood, com tiros, perseguições de carros e muitas explosões. Na profundeza, é uma condensação vertiginosa de cem anos de psicanálise, neurobiologia, filosofia e cinema. Cientificamente, acerta um tanto e erra outro tanto.
O filme é composto de cinco narrativas, uma dentro da outra, articuladas em diferentes velocidades temporais com uma clareza desconcertante. Além do protagonista, cinco personagens adentram o sonho da vítima do golpe, para ajudar na difícil tarefa de semear o germe de uma ideia indesejada. Atuando de forma coordenada, tentam convencer a vítima a descer mais e mais profundamente, passando de um sonho a outro, até um local em que a ideia estrangeira possa ser plantada com sucesso.
Indução — Voltando para o mundo real (real em termos, já que a ciência não tem como provar que não estamos sonhando), com a tecnologia atual é possível induzir uma pessoa ao sono. Fazer a mesma pessoa sonhar é mais difícil. Substâncias precursoras de dopamina e acetilcolina afetam o sonho. O DMT (Dimetiltriptamina, uma substância psicodélica), contido na Ayahuasca, gera padrões de ativação cerebral e de experiência psicológica semelhantes aos observados durante o sonho. Mas os estudos ainda são incipientes.
Cientificamente é possível sonhar que se está sonhando, como muitos de vocês já devem ter experimentado e como acontece no filme. Mas ninguém sabe ao certo quantas camadas um sonho pode ter. Talvez milhares, talvez apenas duas ou três. Também não há dados sólidos a respeito.
Invasão — Em A Origem, tudo acontece como se a tecnologia para fazer o implante fosse algo já estabelecido. Fora das telas, nada disso existe. Para realizar a invasão de sonhos seria necessário decodificar o sonho a ser invadido e ser capaz de inserir conteúdo novo nele, não próprio do sonhador original. A primeira parte talvez seja possível em um futuro não muito distante, a segunda parece mais difícil.
No que diz respeito à decodificação, nos últimos anos foram publicados artigos mostrando que é possível descobrir o que a pessoa está imaginando através da análise da ativação do córtex visual. Existe um truque aí, porque antes de fazer o experimento de "leitura de mentes", a pessoa é submetida a uma bateria de imagens visuais, e sua ativação no córtex visual é gravada, gerando um mapa de possíveis estados que depois serve de base para a codificação de imagens novas, ainda não apresentadas ao sujeito. Com ou sem truque, é uma façanha e tanto. No que diz respeito à invasão, nossa tecnologia para estimular o cérebro com eletricidade ou campo magnético ainda é muito grosseira para se pensar em causar imagens específicas numa pessoa.
Enquanto no filme o equipamento necessário para entrar nos sonhos cabe em uma maleta, os aparelhos atualmente existentes que permitem ver um cérebro sonhando são uma combinação de magnetoencefalografia (bem mais poderosa do que a eletroencefalografia comum) e ressonância magnética funcional. São técnicas que requerem o uso de aparelhos enormes, do tamanho de um carro cada, caríssimos. Mesmo eles não resolveriam o problema, esbarraríamos nas limitações citadas acima, mas pelo menos seria o melhor possível.
O ator Leonardo di Caprio, em cena do filme A Origem
Ritmo acelerado — Uma vez dentro do sonho, o filme mostra que a cada camada o tempo passa mais devagar: um segundo no mundo dos acordados significa cinco minutos na primeira camada de sonho, duas horas na segunda, e assim por diante. Ponto para o filme. Existem algumas evidências em ratos de que a compressão temporal do processamento neuronal varia conforme as diferentes fases do sono. O resto é a imaginação de Christopher Nolan, o diretor do filme. Mas ele chega perto quando define a morte, dentro do sonho, como uma das formas para despertar. É muito difícil que as pessoas sonhem com a própria morte, embora algumas afirmem ter sonhos assim. No caso de A Origem, como acontece com a maioria das pessoas, morrer faz com que a pessoa acorde.
O filme também acerta em mostrar pessoas que sabem que estão dentro de um sonho, como os agentes contratados para implantar as ideias. Quando começamos a perceber que estamos sonhando, há quem consiga permanecer nesse estado sem despertar ou regressar para o sonho comum, equilibrando-se entre o espanto e a inconsciência. Se torna um sonhador lúcido, capaz de criar o enredo onírico com sua própria vontade, simulando o que quiser.
Chuva onírica — A perturbação do sonho através da interferência sensorial - como a cena em que chove porque o dono do sonho está com vontade de ir ao banheiro - tem base científica. Como notou Freud, estímulos externos entram no sonho e são ressignificados, de forma que "o sonho protege o sono". Isso ocorre até um certo ponto, além do qual a pessoa acorda.
O mais interessante em “A Origem” é como o personagem principal enfrenta a impossibilidade de ter certeza sobre os limites da realidade. O desejo é motor do sonho, e o sonho não cessa. Repressão de memórias e loucura se entrelaçam, seguindo o fio condutor das idéias de Freud. Mas o espectador é levado ainda mais longe, saltando por cima das divergências acadêmicas no campo das psicologias e das neurociências para interrogar de modo incisivo, equipado com tudo que sabemos, qual é a arquitetura última da mente. Nada mal para um blockbuster.
*Sidarta Ribeiro é doutor em neurociências pela Universidade Rockefeller (2000), chefe de laboratório do Instituto Internacional de Neurociência de Natal (IINN-ELS), professor de Neurociências da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), pesquisador do Instituto de Ensino e Pesquisas do Hospital Sírio Libanês e pesquisador-colaborador da Universidade Duke (EUA).
Metropolis (bra/prt: Metrópolis)[2][3] é um filme de ficção científica alemão de lançado em 1927, dirigido pelo cineasta austríaco Fritz Lang. Foi, na época, a mais cara produção até então filmada na Europa, e é considerado, por especialistas, um dos grandes expoentes do expressionismo alemão. Na época, foi considerado um tanto controverso, fazendo com que sua bilheteria fosse um desastre.[4] O roteiro, baseado em romance de Thea von Harbou,[5] foi escrito por ela em parceria com Lang. Em 2008, foram reencontrados, na Argentina, 30 minutos de metragem deste clássico. Tal parte foi restaurada e acrescentada à versão conhecida.[6] Na Berlinale 2010, o filme teve, 83 anos depois, a sua segunda estreia mundial.
Em 2026 (100 anos após a produção do filme), ricos industriais governam a grande cidade de Metrópolis a partir de arranha-céus, enquanto trabalhadores subterrâneos trabalham constantemente para operar as máquinas que fornecem energia à cidade. O dono de Metrópolis é Joh Fredersen, cujo filho Freder passa o tempo praticando esportes e frequentando um parque de diversão. Freder é interrompido pela chegada de uma jovem mulher chamada Maria, que trouxe um grupo de crianças dos trabalhadores para ver o estilo de vida privilegiado dos ricos. Maria e as crianças são rapidamente levadas para longe, mas Freder fica fascinado por Maria e desce para a cidade dos trabalhadores, na tentativa de encontrá-la. Nas salas de máquinas, Freder assiste, com horror, a explosão de uma enorme máquina, causando várias lesões e mortes, depois que um dos seus operadores cai de exaustão. Freder corre para contar a seu pai. Grot, um dos capatazes, chega logo depois para fornecer mapas que foram encontrados com os corpos dos trabalhadores mortos. Fredersen está irritado pois seu assistente Josaphat não foi o primeiro a trazer-lhe notícias de qualquer explosão ou os mapas, e o demite. Sabendo que ele só pode ir para as profundezas e se tornar um trabalhador, Josaphat tenta o suicídio, mas é interrompido por Freder, que o envia para casa para esperar por ele. Preocupados com o comportamento incomum de Freder, Fredersen despacha o Homem Magro para manter o controle de seus movimentos.
Voltando às salas de máquinas, Freder encontra o trabalhador Georgy e toma seu lugar quando ele cai em seu posto. Os dois homens trocam roupas, com Freder instruindo Georgy para ir ao apartamento de Josaphat e esperar por ele. No entanto, ao ser expulso pelo motorista de Freder, Georgy torna a distrair-se com as imagens e sons na discoteca Yoshiwara e passa a noite lá em vez disso. Enquanto isso, Freder encontra um mapa no bolso e descobre uma reunião secreta de outro trabalhador que sofre alucinações provocadas pelo desgaste. Fredersen leva os mapas trazidos por Grot ao inventor Rotwang a fim de saber o seu significado. Rotwang tinha se apaixonado por uma mulher chamada Hel, que o deixou para se casar com Fredersen; ela morreu ao dar, à luz, Freder. Desde então, ele construiu uma robô (a Maschinenmensch, ou Máquina-Humana) para "ressuscitá-la". Os mapas mostram o layout de uma rede de antigas catacumbas sob Metrópolis, e os dois homens saem para investigar. Eles espionam um encontro de trabalhadores, incluindo Freder, e encontram Maria esperando para enfrentá-los.
Maria profetiza a chegada de um mediador que pode fazer as classes trabalhadoras e os governantes governarem juntos, e exorta os trabalhadores a terem paciência. Freder passa a
Maria profetiza a chegada de um mediador que pode fazer as classes trabalhadoras e os governantes governarem juntos, e exorta os trabalhadores a terem paciência. Freder passa a acreditar que ele poderia preencher o papel, e depois que a reunião se rompe, ele declara seu amor por Maria. Eles concordam em reunir-se na catedral da cidade no dia seguinte, então partem. Fredersen ordena Rotwang para dar semelhança de Maria ao robô para que ele possa arruinar a reputação de Maria entre os trabalhadores, mas não sabe do plano secreto de Rotwang para destruir Freder como vingança por ter perdido Hel. Rotwang persegue Maria através das catacumbas e sequestra-a. Na manhã seguinte, o Homem Magro pega Georgy deixando Yoshiwara, ordena-lhe para voltar ao seu posto e leva o endereço de Josaphat dele. Freder vai ao apartamento de Josaphat em busca de Georgy, mas descobre que Georgy nunca chegou. Depois de contar para Josaphat sobre seu tempo na cidade dos trabalhadores, Freder vai para a catedral, faltando apenas a chegada do Homem Magro. Josaphat repele as tentativas de suborno do Homem Magro e intimida-o a deixar Metrópolis; os dois lutam, e Josaphat escapa e se esconde na cidade dos trabalhadores.