As metodologias ativas são um conjunto de abordagens educacionais com o objetivo de posicionar os alunos como protagonistas de seus processos de aprendizagem.
E, por migrar o papel de principal agente dos processos educacionais do professor para o aluno, as metodologias ativas transformam os modelos de ensino tradicionais.
Essa transformação conta com o auxílio de tecnologias digitais. Os celulares, tablets, computadores, entre outros dispositivos passam a ser ferramentas necessárias em sala de aula e servindo como facilitadoras do acesso à informação.
Com esse tipo de metodologia e suas ferramentas contemporâneas, as dinâmicas de aula tendem a ser mais ativas por parte dos alunos. Sendo que, em modelos tradicionais, eles possuem uma posição mais passiva, em muitos casos apenas acompanhando o que os professores apresentam.
De acordo com os estudos de William Glasser chegou à conclusão que se os estudantes fossem expostos a metodologias ativas, eles se desenvolveriam e aprenderiam melhor, e a partir disso desenvolveu um gráfico em forma de pirâmide de conhecimento. Confira-a a seguir:
no topo da pirâmide: há a leitura, representando 10% da aprendizagem;
apenas ouvindo o conteúdo aprendemos: 20%;
assistindo a uma vídeoaula: 30%
escutando e vendo ao mesmo tempo: 50%;
discutindo sobre determinado tema: 70:
quando se pratica exercícios de fixação: 80%;
finalmente, na base da pirâmide: ao ensinar determinado conteúdo a alguém: 95%
Com base nestes dados, pode-se notar que o método tradicional de absorção do conteúdo não é a melhor maneira de se aprender, mas, ao contrário, quando se assume um lugar ativo em seu próprio processo de conhecimento, a aprendizagem é muito mais efetiva.
E é por isso que a educação 4.0 (uma versão moderna e atualizada da educação convencional) acredita em metodologias ativas que desenvolvam de maneira completa o jovem do século XXI.
São exemplos de metodologias ativas:
Sala de aula invertida
A sala de aula invertida é uma metodologia ativa, atual e moderna, que procura fazer do aluno ator principal de seu caminho rumo ao conhecimento.
Para isso, o educador deve passar qual será o conteúdo brevemente mas indicar aos alunos que pesquisem sobre o assunto em casa pelos meios necessários. Em um terceiro momento, os alunos deverão levar o conteúdo aprendido à sala de aula apenas para sanar suas dúvidas.
Mas o que se nota na sala de aula invertida é que os estudantes estão por si só, de maneira autônoma, sendo completamente ativos.
Seria interessante, inclusive, que os você sugerisse como tarefa individual ou em grupo, que os alunos ensinassem aos demais o assunto estudado em casa. Já que de acordo com a pirâmide de aprendizagem, aprendemos muito mais quando ensinos determinado assunto a alguém.
Ensino Híbrido
O ensino híbrido é também uma metodologia ativa. Isso porque este ensino inovador busca unir de maneira equilibrada o ensino a distância e o ensino presencial.
Com essa união, os alunos deverão ser muito mais ativos em seu processo de ensino-aprendizagem, já que precisarão de disciplina e muita concentração para aprenderem via EAD. E, além disso, o uso da tecnologia como meio de aprendizagem vai fazer com que os alunos produzam conhecimento de maneira mais autônoma.
Um exemplo de técnica de ensino híbrido é a rotação por estações.
Promoção de seminários e discussões
Uma outra metodologia ativa superinteressante é a promoção de seminários e discussões. Mudar a disposição das carteiras e colocar alunos e professor em uma mesmo patamar é bem interessante e faz os estudantes se sentirem importantes.
Além disso, eles aprendem muito mais quando apresentam e discutem algum tipo de assunto, se posicionando sobre ele.
Inclusive, por meio de discussões e seminários, os estudantes também desenvolvem sua argumentação, o que é fundamental para realizar textos dissertativo-argumentativos e se posicionar frente a determinado assunto durante sua vida.
Gamificação
A gamificação é uma outra metodologia ativa. Ela busca trazer jogos para a sala de aula, e assim fazer dos celulares aliados na aprendizagem dos conteúdos das aulas.
Seria interessante que você sugerisse jogos interativos que tenham a ver com o assunto das aulas. Essa é uma estratégia bem legal para unir alunos e professores no desenvolvimento do conhecimento em um mundo cheio de distrações tecnológicas.
A gamificação é interessante também para que os alunos desenvolvam um espírito de competitividade saudável.
Vale lembrar também que os jogos não precisam ser apenas tecnológicos, eles podem ser de qualquer espécie. Então, use sua imaginação junto com seus alunos e criem games legais para que a aula fique divertida e interativa.
Vale lembrar que esse é um tipo de metodologia ativa que gera inúmeros benefícios para os estudantes, como:
Proatividade
Curiosidade
Independência
Cooperação
Organização
Autonomia
Disciplina, entre outros.
Para adotar esse tipo de metodologia na sua instituição de educação superior (IES), é importante definir objetivos claros e determinar já no planejamento a estrutura de avaliações que deseja aplicar.
Também é necessário definir os prêmios que irão motivar e engajar ainda mais os alunos a participarem das dinâmicas.
Rotação por estações de aprendizagem
A metodologia de rotação por estações propõe uma divisão da turma em diferentes grupos e a criação de um circuito em sala de aula, as chamadas “estações”.
Cada uma delas deve estar comprometida em uma atividade que foque em uma categoria de aprendizado, como:
Visual
Auditivo
Leitura
Escrita
Cinestesia.
O uso de ferramentas tecnológicas pode ser permitido, a variar da proposta de atividade de cada estação.
O objetivo desse tipo de rotação é fazer com que toda a turma, dividida em grupos, interaja com todas as estações. Assim, todos os grupos fazem todas as atividades e estimulam diferentes tipos de aprendizagem!
Aprendizagem entre pares
O aprendizado entre pares parte do mesmo princípio da sala de aula invertida, que citamos acima.
Entretanto, o objetivo dessa metodologia específica é que o aluno estude previamente um conteúdo já disponibilizado pelo professor. Assim, na aprendizagem entre pares, o direcionamento dos estudos é mais específico.
Para aprofundar os conhecimentos dos estudantes e testar suas habilidades, o professor deve aplicar questionários online. Tudo com base nas propostas de estudo prévio, claro.
Um outro benefício dos testes é que, com os resultados em mãos, os professores conseguem identificar os pontos fortes e fracos da turma.
Aprendizagem baseada em problemas
Como o próprio nome sugere, esse tipo de metodologia ativa orienta os professores a proporem problemas para seus alunos, que devem buscar formas de solucioná-los.
A aprendizagem baseada em problemas estimula os alunos a serem mais autônomos e criativos.
Além disso, é comum que os estudantes se engajem muito nesse tipo de atividade, que tendem a ser mais práticas e associadas ao campo profissional da graduação.
Aprendizagem baseada em projetos
A aprendizagem baseada em projetos se assemelha à metodologia acima. Entretanto, nesse cenário, o professor deve propor um projeto prático aos alunos.
Esse projeto deve estar relacionado às possíveis vivências que os estudantes enfrentarão profissionalmente na área da graduação.
E para que essa metodologia seja aplicada corretamente, o professor deve atuar como orientador e observar o desenvolvimento dos alunos.
Os estudantes, por sua vez, devem elaborar planos de ações para os projetos, executá-los e demonstrar seus resultados alcançados.
Cultura Maker
A chamada “cultura maker” se baseia na cultura do “faça você mesmo”.
Esse tipo de metodologia ativa estimula que os alunos criem ou produzam projetos com as próprias mãos. Eles ficam livres para desenvolver suas habilidades e criatividade.
Construir maquetes, projetos e protótipos são exemplos de projetos que podem ser considerados como parte da Cultura Maker.
Aqui, mais uma vez, é importante que os alunos tenham autonomia e que os professores sirvam como orientadores e avaliadores.
Storytelling
O storytelling, ou contação de histórias, é uma metodologia de aprendizagem ativa de grande utilidade para graduação.
Afinal, construir narrativas é parte de um processo de memorização inerente ao ser humano.
Para aplicar essa metodologia em sala de aula, recomendamos não apenas que os professores usem narrativas para explicar seus conteúdos. Mas, principalmente, que eles proponham aos alunos criar narrativas sobre determinado tema que está sendo explorado em sala, por exemplo.
Assim, os alunos participam como criadores e contadores de histórias, e não apenas meros ouvintes.
E agora que você já conhece os tipos de metodologias ativas, que tal planejar a integração delas na sua IES? Confira o artigo: Passo a passo para elaborar um plano de aula com metodologia ativa!