Prof. Alexandre Medeiros de Figueiredo
Gráfico 1 - Média móvel da Incidência com casos notificados
Gráfico 2 - Média móvel da Incidência com casos corrigidos pela letalidade (Óbitos acumulados/Casos Acumulados) de 1%
A média móvel da incidência no Brasil evidencia uma tendência de crescimento. Esta tendência de crescimento ainda tem intensidade desconhecida em virtude do atraso nas notificações. Este atraso é demonstrado tanto na queda no número de casos nas semanas entre o Natal e Ano novo quanto numa maior intensidade da subida na semana passada. Outro aspecto importante é que estes dados representam a situação de contágio ainda do mês de dezembro, e portanto, não apresentam os efeitos das festas de final de ano.
A análise foi feita com dados brutos (Gráfico 1) e com ajuste de casos a partir dos dados de letalidade (Gráfico 2). Esta correção considerou uma letalidade média de 1%. O ajuste foi feito por estado e visa reduzir os efeitos da subnotificação de casos que varia bastante entre os estados brasileiros.
Os dados de incidência ajustada apontam que a Região Sul é a que apresenta maior incidência diária de casos e que as Regiões Sudeste e Norte vem apresentando uma tendência de aumento substancial.
Particularmente, a Região Norte teve um aumento exponencial a partir de 15 de dezembro de 2020.
A Região Nordeste está seguindo uma tendência diferenciada, o crescimento dos casos está menor do que nas demais regiões.
Gráfico 3 - Média móvel de Mortalidade
A média móvel da mortalidade no Brasil apresenta o mesmo comportamento da incidência: tendência de crescimento e subnotificação no período das festas de final de ano.
As Regiões Sul, Sudeste e Norte já apresentam taxa de crescimento elevada no número de óbitos diários, refletindo o crescimento do número de casos nas últimas 6 semanas.
Assim como na incidência, a Região Nordeste segue uma tendência diferente, com crescimento muito menor nos casos diários.
É importante observar que os óbitos refletem as contaminações de 17 dias atrás*, ou seja, a curva de óbitos continuará crescente por pelo menos duas semanas. Se não for reduzido o contágio, com medidas de enfrentamento sérias, a tendência é de aumento da média móvel de óbitos diários por um maior período, podendo chegar a patamares acima dos registrados na primeira onda.
Esta análise regional demonstra que existem importâncias regionais na progressão da epidemia. Por isso, nas próximas postagens iremos realizar uma análise por estado de cada região do país para compreender melhor a situação da pandemia.
*Conforme publicação A PANDEMIA AINDA NÃO ACABOU