Prof. Alexandre Medeiros de Figueiredo
Os dados deste gráfico se referem ao município de São Paulo (SP), no período de fevereiro a novembro de 2020, e foram compilados a partir dos dados do SIVEP-Gripe com datas de primeiros sintomas, internação e óbito. Devido a alta variabilidade dos dados diários, os valores são a média móvel de 7 dias.
Este gráfico evidencia os impactos positivos das medidas de distanciamento adotadas em março na redução de internações e óbitos.
Enquanto o isolamento social estava próximo a 60% houve uma estabilidade no número de contaminações. A manutenção das medidas de enfrentamento poderia ter mantido o número de casos e óbitos em um patamar próximo aos países Europeus.
Porém, este sucesso inicial foi quebrado pelas campanhas contra as medidas de distanciamento social incentivadas pelo presidente da república, levando a um novo crescimento explosivo de casos e óbitos.
Compreender a dinâmica da epidemia é importante para entender o impacto das aglomerações sobre o aumento de internações e óbitos. Para que não repitamos os erros de 2020.
Na primeira onda, nota-se que as internações ocorrem quase duas semanas depois dos momentos de contaminação e que a curva de óbitos aumenta cerca de 17 dias depois.
A dinâmica da doença se repete na segunda onda. Após os eventos de contaminação ocorridos durante o feriado de 12/10/2020 e do início da campanha eleitoral, os óbitos começaram a crescer no dia 07/11.
Se considerarmos os dados de notificação disponibilizados pelas Secretarias de Saúde e pelo Ministério da Saúde, este atraso tende a ser maior. A data considerada nos registros oficiais é a data de notificação no sistema do ministério.
Portanto, os dados que estamos vendo na imprensa representam as contaminações que ocorreram nos primeiros dias de dezembro com menos aglomerações.
Ou seja, as aglomerações desta semana tendem a aumentar o número de internações em meados de janeiro.
Vamos nos cuidar para que 2021 seja melhor. A epidemia ainda não acabou.