A proposta se organiza enquanto projeto para a área de Licenciatura em Letras/Português, buscando discutir as concepções de texto e de leitura e língua e linguagem, no processo de iniciação à docência em Língua Portuguesa, buscando aproximar ensino superior da educação básica, na articulação entre pesquisa e ensino. Tendo como ponto de partida uma reflexão teórica sobre texto, leitura, língua e linguagem, alicerçada nos pressupostos da semiótica de linha francesa, e norteado pelas Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos Letras e pelo PPP do Curso de Letras da Unesp de Assis, o projeto pretende discutir as práticas de leitura e escrita nos diversos suportes e o domínio da língua nas suas diversas modalidades, permitindo aos docentes em formação uma visão mais ampla sobre sua atuação docente, que leve em consideração a natureza da linguagem, as práticas sociais de interação que se dão pelo uso da língua, e os mecanismos de construção do texto e do discurso. Nesse caso, tal reflexão permite ainda, ao docente em formação, o exercício pleno de sua cidadania e a participação democrática, crítica e ativa na sociedade.
O objetivo desta proposta, de modo geral, é discutir e problematizar as noções de texto e de leitura, segundo diversas manifestações de linguagem, em especial aquelas marcadas pela linguagem verbal (língua materna) e os produtos culturais (textos orais e escritos, não literários e literários) que dela decorrem, levando os docentes em formação ao fortalecimento de um percurso teórico diante dos fenômenos de língua e de linguagem, dando prioridade (I) a uma formação que tenha base em reflexões epistemológicas, (II) que não os reduza, portanto, a meros técnicos repetidores de conteúdo, e (III) que promova o acesso a bens culturais e o incremento de seu capital cultural.
Nesse sentido, a presente proposta se articula profundamente com o Documento (Unesp/2017), na medida em que propõe superar as dificuldades encontradas na formação de professores, no que que concerne, sobretudo, à articulação entre teoria e prática. Quanto a essa questão, ressalta-se, ainda, a necessidade de superação do distanciamento do ensino superior em relação à educação básica, “notadamente nos estágios curriculares que utilizam a escola apenas como local de cumprimento das horas exigidas pela legislação” (Cf. p. 4 do Documento Unesp/2017), valorizando, efetivamente, a dimensão da licenciatura no ensino de graduação, dimensão esta que permanece desprestigiada quando em comparação com o bacharelado.
Ou seja, a proposta busca concretizar a articulação entre pesquisa e ensino, e, portanto, entre universidade e educação básica, na formação de professores, o que, parece-nos, é o objetivo maior da Diretoria de Educação Básica Presencial (DEB), que permitiu à CAPES ultrapassar as fronteiras da pós-graduação (da pesquisa, em certa medida) e caminhar na direção do fomento à formação inicial e continuada de profissionais da educação básica, estimulando a valorização do magistério em todos os níveis e modalidades de ensino.
Além disso, esta proposta se coaduna também com algumas das diretrizes do Documento Unesp/2017 que consideramos essenciais, quais sejam: (a) valorização do ensino presencial; (b) sólida formação científica na graduação, sintonizada com os avanços científicos e tecnológicos; (c) articulação teoria, prática e pesquisa; (d) produção, inovação e socialização de conhecimentos científicos, no âmbito da escola e da universidade.
A presente Proposta, que tem na sua base o referencial teórico da semiótica de linha francesa, tem por objetivo pensar a produção e a compreensão da significação, apreendida na forma de textos e discursos em diferentes linguagens, instauradas em suportes distintos (oriundos das mais diversas formas de tecnologias, atuais ou tradicionais), incluindo as práticas sociais que os produzem (sejam elas literárias, jornalísticas, publicitárias, etc.).
A semiótica de linha francesa entende o texto a partir de duas perspectivas: como objeto de significação, que deve ser analisado a partir de sua estruturação interna, e como objeto de comunicação, que pressupõe a relação entre os sujeitos construídos no discurso (na enunciação), inseridos numa sociedade em que circulam valores. Desse modo, texto, numa e noutra acepção, pode ser sempre tomado, em maior ou menor grau, como sinônimo de discurso. A semiótica exercita, pois, assumindo-se como teoria de leitura, um enfoque textual cognitivo, relacionando o acontecimento singular do contato com o texto àqueles procedimentos que o inscrevem num conjunto de regularidades funcionais – semânticas, narrativas ou culturais. Atualmente, o aparato teórico-metodológico da semiótica, para além de analisar e racionalizar os diferentes níveis de articulação da significação, busca ligar a efetuação do sentido com a enunciação viva, independentemente do modo como ela se organiza e da modalidade de língua e suportes empregados.
Nesse sentido, o presente projeto pretende contribuir também para, em um primeiro momento, ampliar a competência de leitura dos alunos em formação docente, contribuindo para o estabelecimento de uma visão analítico-crítica das formas de produção e de circulação do sentido na cultura. Em um segundo momento, o projeto permitirá estabelecer um reflexão mais ampla sobre Língua e Literatura, buscando (1) a atualização da formação docente diante de novas teorias da leitura e novas práticas de produção textual e seus diversos suportes, objetivando a implementação de práticas de ensino voltadas mais propriamente para a realidade atual de sala de aula, e (2) o estabelecimento de mecanismos de análise e de produção de textos diversos que podem auxiliar o aprendizado dos alunos em formação docente, aumentando a sua competência de leitura, e, principalmente, evidenciando o seu papel de agentes (trans)formadores.
Desse modo, o projeto contribuirá para um maior entendimento das práticas de leitura e de escrita construídas nos diversos processos semióticos, projetados nos diversos textos e discursos (verbais escritos e orais, visuais, audiovisuais) que permeiam o ambiente escolar da Educação Básica e a vida social, como um todo, levando ao desenvolvimento e à implementação de novas propostas de ensino de Língua materna (Produção de texto e Leitura) e Literatura.
O projeto se justifica, primeiramente, por efetivar a aproximação entre ensino superior e escola básica, fomentado as relações entre teoria e prática. Em segundo lugar, o projeto se justifica, na medida em que propõe trabalhar com uma das questões mais sérias da educação básica: as práticas de leitura e escrita nos diversos suportes, o domínio da língua nas suas diversas modalidades. É justamente o fortalecimento dessas duas dimensões que vai permitir tanto aos docentes em formação quanto aos alunos da Educação Básica o exercício pleno de sua cidadania, a participação democrática, crítica e ativa na sociedade em geral, seja na vida pessoal, acadêmica ou profissional.
Escola Dr. Clybas Pinto Ferraz
Escola Profa. Cleophania Galvão da Silva