“Se queres prever o futuro, estuda o passado.”
Confúcio
A história da Estatística começa com o interesse dos reinos e governos antigos em obter informações sobre sua população e riquezas, principalmente para fins militares e tributários. Mais de 2000 anos antes de Cristo, Confúcio, filósofo chinês, realizava levantamentos para fundamentar seus pensamentos. Pesquisas arqueológicas indicam que os faraós do Egito Antigo também utilizavam sistematicamente informações estatísticas, assim como as civilizações pré-colombianas na América, incluindo os Incas, Maias e Astecas. Esses exemplos de registro e catalogação antecedem a emergência da estatística descritiva no século XVI, na Itália.
Com o Renascimento, surgiu um maior interesse pela coleta de dados estatísticos, especialmente por suas aplicações na administração pública. A publicação de 1561 de Francesco Sansovini é considerada pioneira na estatística descritiva. Na Alemanha, Gottfried Achenwall, professor da Universidade de Göttingen, é creditado com a criação do termo "estatística" em 1746.
É importante destacar que a estatística foi bastante utilizada antes de ser considerada uma disciplina. O desenvolvimento da estatística teve início nas aplicações.
Algumas das mais importantes incluem:
Natural and Political Observations Mentioned in a Following Index and Made upon the Bills of Mortality, de John Graunt, em 1662;
Five Essays on Political Arithmetic, de William Petty, em 1683;
A primeira tábua de sobrevivência, de Edmond Halley, em 1693;
Os estudos de probabilidades em jogos de azar, de Blaise Pascal e Pierre de Fermat, no final do século XVII;
O Teorema Central do Limite, de Marques de Laplace, no século XVIII;
Theoria Combinationis Observationum Erroribus Minimis Obnoxiae, de Carl Friedrich Gauss, em 1823;
Essai de Physique Sociale, de Adolphe Quételet, em 1835;
Natural Inheritance, de Sir Francis Galton, publicando em 1889;
A era moderna da Estatística pode ser dividida em dois momentos importantes: a Escola Biométrica e a Fase da Experimentação.
A Escola Biométrica surgiu na Inglaterra entre o final do século XIX e o início do século XX, destacando-se no estudo de técnicas de correlação e ajustamento de curvas, importantes para a descrição de grandes amostras. Karl Pearson (1857-1936) é considerado o principal nome desta escola. Em seu artigo "Regression", Pearson propôs a fórmula momento-produto, conhecida hoje. Seu contemporâneo, Yule, também contribuiu significativamente com seu livro "An Introduction to the Theory of Statistics" e seus estudos sobre correlação como medida de associação de dados quantitativos.
Distintamente das técnicas desenvolvidas pela Escola Biométrica, as pesquisas científicas experimentais exigiam métodos adequados para pequenas amostras, com objetivo inferencial. William Sealy Gosset, sob o pseudônimo "Student", foi pioneiro nesse campo. Seus trabalhos foram aprofundados por Ronald Aylmer Fisher (1890-1962), considerado o criador dos métodos modernos de Análise e Delineamento de Experimentos.
Fisher contribuiu significativamente para a estatística com o desenvolvimento do método da máxima verossimilhança no ajustamento de curvas de frequência e o conceito de probabilidade fiducial, abordando o problema central da inferência estatística sem a necessidade do teorema de Bayes e suas probabilidades a priori. Jerzy Neyman, outro nome importante desta fase, contribuiu com o Teorema de Cochran e a Teoria da Randomização.
A história da Estatística é marcada por uma evolução contínua, desde as práticas empíricas da antiguidade até os métodos rigorosos e teóricos da era moderna. A disciplina continua a crescer e se adaptar, respondendo às necessidades de novas áreas de aplicação e às demandas de uma sociedade em constante mudança.