Imagens que suportam o poder da ambiguidade sempre me interessaram. Fotos registram o vivido através da eternidade.
De maneira menos codificada e mais generosa, exploro a estética e a técnica com a intenção de capturar de momentos que despertam emoções como co-presenças.
Achando que iria aprender a fazer as fotografias "certas", folheava revistas e livros sobre esse assunto...até que Barthes chegou às minhas mãos. Um livreto chamado A Câmara Clara. E, uau! Encontrei ali algo muito interessante, que ele chama de Punctum,
"[...] vem quebrar o stadium. Dessa vez, não sou eu quem vou buscá-lo (como invisto com minha consciência soberana o campo do stadium), é ele que parte da cena, como uma flecha, e vem me transpassar. [...] é o que acrescento à foto e que todavia já está nela".
"Como assim?", pensei. Um detalhe imprevisto, pungente que fere, comove..."eu vejo isso todos os dias, na clínica!". E lá, para o que olhamos?
-------------------------------------
Acredito que a fotografia tem o poder de criar conexões, permitindo uma experiência aberta à sensibilidade transeunte. Há um tempo venho me interessando por fotografar performances, texturas urbanas e corpos - partes e todos.
Em busca do registro de expressões genuínas, sinto-me sensivelmente atenta às emoções e capturo a intensidade dos movimentos endereçados, explorando as nuances da interação entre os corpos e o espaço. As camadas não deliberadas das situações, lugares e pessoas nos dão acesso a temporalidades que a capacidade linguageira e intencional não concedem. Registrar o que se constitui através da efemeridade, da deterioração e da perecibilidade é capturar o momento atual das confissões comuns e abrir espaço para a aproximação do que, todavia, já fazemos parte.