PALEORROTA e UNESCO
PALEORROTA e UNESCO
O Geoparque Paleorrota tem uma relação conturbada com a UNESCO. Com objetivo de transformar essa área em um patrimônio da humanidade, entre 1984 e 1986, os municípios de Santa Maria, São Pedro do Sul e Mata trouxeram a UNESCO para o Estado. Na época o processo não avançou, por falta de leis de Unidades de Conservação Ambiental (UCA). Só em 2000, surgiu a primeira lei de UCA no Brasil.
O primeiro geoparque foi criado na Alemanha em 1989. A convenção de Digne-les-Bains, realizada na França em 1991, estabeleceu as regras para geoparques. Em 1996 houve a convenção de Pequim, onde foi definido a criação de redes de proteção aos geoparques. A UNESCO somente adotou as regras de geoparque de Digne-les-Bains, em 2004.
O conceito de geoparque usa as leis de direitos autorais e o Código Civil, não necessitando da Lei de UCAs. Na metade da década de noventa, eu Sergio Kaminski, detentor dos direitos autorais, já divulgava publicamente a ideia da criação do Geoparque Paleorrota.
Em 2006 realizamos um encontro na cidade de São Pedro do Sul, onde tratamos dos problemas que inviabilizavam a criação do geoparque. Após esse encontro, alguns municípios do geoparque apresentaram irregularmente a área dos seus municípios como geoparques, violando a convenção de Digne-les-Bains e direitos autorais. Alguns prefeitos fizeram uso político indevido do conceito de geoparque, que é um conceito técnico financeiro.
Todo geoparque obrigatoriamente deve ser financeiramente sustentável, e para dar sustentabilidade ao Geoparque Paleorrota, precisamos construir o Paleoparque Imembuí na cidade de Santa Maria. Para viabilizarmos o geoparque, precisamos de dinheiro público na fase inicial. Nem o Brasil ou a UNESCO criaram um sistema de financiamento para esse fim.
A UNESCO cobra periodicamente para fazer uma certificação e o Instituto Paleorrota não tem verba para essa finalidade. Somente após a criação do Paleoparque Imembuí, talvez haja vantagem em solicitarmos o ingresso na Rede de Geoparque da UNESCO. A UNESCO não poderá nos ajudar nesse processo.
Enquanto trabalhávamos para unir os 41 municípios do Geoparque Paleorrota, os biólogos e geólogos envolvidos com o furto de fósseis, apoiaram a apresentação de municípios como geoparques, o que é crime de falsidade ideológica, o que prejudicou os outros municípios, que seguiam as regras estabelecidas para geoparques. Esse fato gerou um prejuízo econômico gigantesco aos gaúchos.
Muitas pessoas, por pura ignorância pensam que para existir um geoparque devem estar ligados à UNESCO, o que é um absurdo. Geoparque é satisfazer as regras da convenção de Digne-les-Bains. Muitos geoparques não veem vantagem em pertencer à UNESCO, pois não há necessidade.
Atualmente o Geoparque Paleorrota é apenas um projeto. Somente seremos efetivamente um geoparque, quando o Paleoparque Imembuí estiver operando em Santa Maria. Quando recebermos um milhão de turistas anualmente, o que irá gerar sustentabilidade, para custear o salário de trezentos paleontólogos necessários para preservar o nosso patrimônio paleontológico e geológico, da área do Permo-triássico.
Depois poderemos optar em ingressar ou não na Rede Mundial de Geoparques da UNESCO, pois estar ligado ou não a UNESCO, não nos define como um geoparque. Para sermos um geoparque, não há necessidade da anuência da UNESCO. O que nos definirá como geoparque, é termos um modelo de gestão financeira sustentável.
As pessoas mais antigas envolvidas com a paleontologia no Geoparque Paleorrota, não confiam mais na UNESCO, nos órgãos governamentais brasileiros, nas universidades que usam dinheiro público para formar geólogos e biólogos, envolvidos com o furto dos fósseis. Essas instituições precisam mudar seu comportamento para que tenham a confiança da comunidade.
Seremos o maior geoparque do mundo, e as experiências de gestão existentes em outros geoparques ou na UNESCO, não nos servem como referência. Provavelmente a nossa experiência de gestão servirá de referência à futuros geoparques.
Sergio Kaminski
Presidente do Instituto Paleorrota
23 de julho de 2026.