O Orfeão Famalicense nasceu da paixão de um grupo de famalicenses pela música, pelo canto coral e pela cultura em geral. Em plena Primeira Guerra Mundial, esses entusiastas decidiram associar-se e dar origem a um “Orpheon”. Entre eles destacavam-se Remígio Costa e Adolfo Pereira de Lima, que, no dia 11 de fevereiro de 1916, fundaram formalmente o Orfeão Famalicense, um espaço destinado à interpretação de obras de grandes compositores locais e internacionais.
Sob a direção de Remígio Costa e a direção artística de Adolfo Lima, o Orfeão realizou a sua primeira apresentação no próprio dia da fundação. Contudo, em tempos de guerra, manter um coro era um desafio quase impossível, e a atividade foi interrompida em 1918, após apenas dois anos. A persistência e o amor pela música permitiram que o Orfeão renascesse anos depois, retomando suas atividades com novas forças.
Em 1926, Higino Folhadela de Macedo assumiu a direção, substituindo Remígio Costa, enquanto Adolfo Lima continuava na direção artística. No entanto, uma nova crise em 1928 prolongou a suspensão das atividades até 1957.
O ano de 1957 marcou um ponto de viragem. O Padre Augusto Veloso, juntamente com outros sacerdotes e grandes personalidades da cultura famalicense, revitalizou o Orfeão. Entre eles estavam o Padre Benjamim Salgado, Horácio Portela, Alfredo Veloso e membros do povo famalicense, trazendo uma nova energia e dedicação à instituição.
O Padre Benjamim Salgado assumiu a direção artística e composicional, dedicando-se ao Orfeão com entusiasmo até sua morte, em 28 de janeiro de 1978, deixando um legado que constitui grande parte do repertório atual. A direção artística passou então para o Padre Dr. Manuel Simões, sacerdote jesuíta e compositor, que manteve o cargo por cerca de duas décadas, contribuindo de forma decisiva para o crescimento e reconhecimento do coro.
Com a morte do Padre Manuel Simões, em 9 de fevereiro de 1995, o Sr. Laurentino Martins, aluno do Padre Benjamim Salgado e com formação no Conservatório de Música do Porto, assumiu de imediato a direção artística. Durante o seu mandato, desenvolveu a sua experiência adquirida com o Padre Dr. Manuel Faria e continuou a consolidar o Orfeão, não só em Famalicão, mas também em outros coros paroquiais da Arquidiocese de Braga. Por motivos pessoais e de saúde, Laurentino Martins pediu exoneração em 2010, sendo sucedido, em setembro de 2011, pelo Prof. Fernando Dantas Moreira.
Ao longo da sua trajetória, o Orfeão Famalicense gravou para a antiga Emissora Nacional, Rádio Clube Português, Rádio Difusão Portuguesa e, mais recentemente, para o canal “Porto Canal”. Apresentou-se em quase todos os distritos do país, participou em encontros de coros do Norte e do Minho, organizando em 1975 o V Encontro de Coros do Norte e, em 1996, o V Encontro de Coros do Minho. Destacam-se ainda apresentações em locais icónicos como a Casa das Artes de Famalicão, a Casa da Música do Porto, a Igreja dos Clérigos e a Biblioteca do Palácio da Justiça.
Desde 1957, o Orfeão Famalicense acompanha as procissões da Semana Santa em Vila Nova de Famalicão e integra o programa das Festas Antoninas. Com um vasto repertório de música religiosa, erudita e popular, mantém-se fiel à tradição original, apresentando-se exclusivamente com vozes masculinas, amantes da arte do canto coral.
Em reconhecimento do seu contributo cultural, o Orfeão recebeu a Medalha de Honra do Município de Vila Nova de Famalicão, em 18 de junho de 1990. Os estatutos da instituição foram atualizados por escritura pública em 5 de junho de 2009, reforçando o compromisso com a preservação da música coral e da cultura famalicense.