Estratégias Comportamentais no Tratamento da Fobia Social: Orientações Práticas
A fobia social, conceitualmente entendida como um padrão de comportamentos de esquiva e respostas de ansiedade eliciadas por contingências aversivas em situações sociais, demanda intervenções baseadas em evidências. A abordagem analítico-comportamental, em sua robustez, oferece um conjunto de estratégias práticas focadas na modificação das interações disfuncionais entre o indivíduo e seu ambiente social.
As diretrizes a seguir representam um compêndio de técnicas aplicáveis no contexto clínico, visando a construção de repertórios comportamentais mais adaptativos e a redução da topografia de ansiedade:
1. Análise Funcional Detalhada: Precede qualquer intervenção. Consiste na identificação precisa dos estímulos antecedentes (Sd), das respostas (Rs) – incluindo componentes fisiológicos, motores e verbais-cognitivos – e das consequências (Cs) que mantêm o padrão fóbico. Mapear as contingências de reforçamento negativo (esquiva e fuga que resultam na redução da ansiedade) é crucial.
2. Exposição Gradual e Sistemática (Dessensibilização in vivo ou imaginária): Fundamento da intervenção. Consiste na apresentação controlada e hierarquizada dos estímulos sociais temidos. A exposição progressiva permite o processo de habituação das respostas de ansiedade respondente e a extinção de comportamentos de esquiva. A hierarquia deve ser construída em colaboração com o cliente, começando por situações de baixa ansiedade e progredindo sistematicamente.
3. Treino de Habilidades Sociais (THS): Foco no desenvolvimento de um repertório social eficaz. Inclui o treino de comportamentos operantes como iniciar e manter conversas, assertividade, contato visual, expressão de opiniões e sentimentos, e escuta ativa. O THS frequentemente utiliza modelagem, role-playing (ensaio comportamental) e feedback contingente para refinar as habilidades. O objetivo é aumentar a probabilidade de reforçamento positivo nas interações sociais.
4. Manejo de Contingências e Reforçamento Diferencial: O terapeuta colabora para que o cliente identifique e implemente contingências que reforcem positivamente os comportamentos de aproximação social e comportamentos alternativos à esquiva. O reforçamento diferencial de comportamentos incompatíveis com a ansiedade é fundamental para o enfraquecimento das respostas fóbicas.
5. Desfusão Cognitiva (na perspectiva RFT): Embora o behaviorismo radical não se foque em "pensamentos" como causas, a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), derivada da RFT (Relational Frame Theory), oferece técnicas para que o cliente observe seus pensamentos e sentimentos disfuncionais (como "vou ser julgado") como eventos verbais, e não como verdades absolutas controladoras do comportamento. Isso reduz o controle do comportamento por essas regras verbais, facilitando a exposição.
6. Prevenção de Respostas (Response Prevention): Usada em conjunto com a exposição. Consiste em impedir que o indivíduo execute o comportamento de esquiva ou fuga em resposta à ansiedade social, permitindo que as consequências aversivas condicionadas diminuam.
7. Autorreforçamento e Autocontrole: Treinar o cliente a identificar e aplicar reforçadores para seus próprios avanços no enfrentamento das situações sociais, promovendo a manutenção das mudanças comportamentais fora do ambiente terapêutico.