Giro de notícias NEPBRICS
Setembro/2025
Giro de notícias NEPBRICS
Setembro/2025
Por Vinicius Soares e Mariana Pessoa.
Publicado em 16/10/2025
Diplomacia Global: 80ª Assembleia da ONU reflete um mundo fragmentado
O principal palco da diplomacia mundial, a Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, celebrou seus 80 anos em um clima de profunda divisão. Os discursos dos líderes das principais potências, como EUA, China e Rússia, evidenciaram a falta de consenso sobre os maiores desafios globais.
A guerra na Ucrânia e o conflito em Gaza continuam a ser pontos de discórdia, com acusações mútuas e poucos sinais de uma resolução diplomática. A urgência da pauta climática foi uma tema onipresente, mas as promessas de financiamentos das nações ricas aos países em desenvolvimento permaneceram aquém do esperado, gerando frustração e elevando a pressão para a COP 30.
Líderes do BRICS Discutem Tarifas e Guerras em Reunião Virtual
Os líderes do bloco BRICS se reuniram virtualmente sob a presidência temporária do Brasil para discutir uma resposta coordenada ao aumento de tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos e para abordar os conflitos na Ucrânia e na Faixa de Gaza.
A pauta principal foi a criação de estratégias para fortalecer o multilateralismo e desenvolver mecanismos comerciais alternativos, incluindo o aumento do uso de moedas locais nas transações entre os países-membros para reduzir a dependência do dólar.
A imposição de tarifas pelo governo de Donald Trump é vista como uma reação à perda de competitividade da economia americana e uma forma de pressão política contra o bloco, que é percebido como um desafio à hegemonia dos EUA.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também aproveitou a reunião para reiterar o convite aos líderes para a COP 30, que será realizada em Belém. O encontro, que foi fechado à imprensa, busca consolidar a posição do bloco expandido, que agora inclui 11 países, no cenário global.
Fonte: Líderes do Brics conversam sobre tarifaço e guerras em reunião virtual
País em foco: Índia
Previsão de queda no PIB da Índia após imposição de tarifas americanas.
No final de setembro, o Banco Ásiatico de Desenvolvimento (ADB) divulgou seu relatório “Asian Development Outlook”, no qual revisou a previsão de crescimento do PIB da Índia para o ano fiscal de 2025 (Que termina em março de 2026) de 6,7% para 6.5%. A justificativa central para o rebaixamento foi o impacto negativo esperado das novas e elevadas tarifas de importação dos Estados Unidos sobre os produtos indianos.
O relatório destacou que, entre as economias asiáticas em desenvolvimento, a Índia enfrenta as barreiras tarifárias mais acentuadas, o que deve prejudicar suas exportações. Apesar do revés externo, o relatório do ADB e outras análises ressaltaram que a economia indiana continua sendo a de maior crescimento entre as grandes economias globais.
Essa resiliência é atribuída à forte demanda doméstica, impulsionada tanto pelo consumo quanto por gastos governamentais robustos. O setor de serviços, em particular, continuou a ser um motor de crescimento.
Em contraste com as previsões externas mais pessimistas, o Reserve Bank of India (RBI) mostrou-se mais otimista. No início de outubro (refletindo os dados de setembro), o RBI elevou sua própria previsão de crescimento do PIB para 6,8%, citando a força da demanda rural (apoiada por boas monções) e a recuperação gradual da demanda urbana.
Ministro de Relações Exteriores da Índia se manifesta sobre aumento tarifário na Assembleia da ONU e coloca o BRICS como defensor do sistema multilateral de trocas.
Durante uma reunião de ministros das Relações Exteriores dos BRICS em Nova York, paralelamente à Assembleia Geral da ONU, o ministro indiano S. Jaishankar reclamou do “aumento do protecionismo, volatilidade tarifária e barreiras não-tarifárias” que afetam os fluxos de comércio global, e defendeu que os BRICS se posicionem como defensores da ordem multilateral, do direito internacional e do diálogo.
É possível perceber um cenário bastante favorável à narrativa de que a Índia, em seu papel de liderança nos BRICS, está fazendo um movimento audacioso para confrontar políticas protecionistas dos EUA e reforçar uma ordem internacional mais justa para países emergentes. Essa abordagem é alinhada com os interesses dos BRICS de afirmar maior protagonismo global, defender o multilateralismo e buscar autonomia econômica e institucional.
A coesão interna, o equilíbrio entre aliados com perfis distintos e a capacidade de sustentar medidas efetivas — mais do que retórica — serão os verdadeiros testes para o BRICS nos próximos anos.
Índia realiza 3ª Feira de Comércio com recorde de participação e fortalecimento da parceria com a Rússia
No final do mês de setembro a Índia recebeu em Uttar Pradesh, estado no norte do país, mais de 2.250 expositores, compradores e visitantes de todo o mundo. A “Feira de comércio da Índia” já está na sua 3ª edição e neste ano de 2025 bateu recordes de participação, com o total de 80 países.
A Índia contou com a parceria da Rússia, um país com o qual mantém relações comerciais e diplomáticas bastante sólida, além de ambos serem membros do BRICS+. Essa parceria resultou no envio de uma delegação empresarial russa ao evento que realizou reuniões com, em média, 200 partes interessadas.
A Feira deste ano foi um verdadeiro sucesso para a economia da índia e dos demais países participantes. Nesta edição, houve um crescimento de 30% dos expositores, compradores e visitantes em relação à primeira edição.
Fonte: Feira de comércio da Índia 2025 bate recordes com participação de 80 países
Troca de elogios entre Narenda Modi e Putin reforçam a aliança BRICS
Na plataforma do fórum Valdai, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, elogiou o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, chamando-o de “equilibrado, sábio” e “orientado nacionalmente”.
A reportagem reforça elementos positivos para a narrativa dos BRICS: cooperação entre grandes potências do Sul, afirmação de soberania frente a pressões externas, e solidariedade econômica concreta entre aliados. Dentro desse olhar favorável, esse episódio pode ser visto como exemplo de “bloco de apoio mútuo” que vai além da mera retórica.
Para que o BRICS funcione efetivamente como alternativa global, é imprescindível que haja instituições, políticas e mecanismos robustos para que os compromissos sejam equitativos e sustentáveis — e para que países menores não fiquem à mercê de privilégios concedidos por grandes atores.
Comércio entre Emirados Árabes Unidos e Índia cresce 33,9% devido a acordo econômico CEPA
O Acordo de Parceria Econômica Abrangente (CEPA, na sigla em inglês) entre os Emirados Árabes Unidos (EAU) e a Índia — em vigor desde maio de 2022 — tem gerado resultados concretos, especialmente no comércio e fluxos de investimento no setor não petrolífero.
Segundo o ministro de Comércio Exterior dos EAU, Thani bin Ahmed Al Zeyoudi, o comércio bilateral não petrolífero entre os dois países atingiu US$ 37,6 bilhões no primeiro semestre de 2025, um aumento de 33,9% em relação ao mesmo período de 2024.
O ministro ressaltou também que o acordo não é apenas sobre tarifas ou comércio, mas funciona como “plataforma para metas de desenvolvimento compartilhadas, impulsionar crescimento econômico, acelerar fluxos recíprocos de investimentos e criar oportunidades para comunidades empresariais” de ambos os países.
A reportagem menciona que o CEPA visa atingir metas ambiciosas de comércio bilateral de até US$ 100 bilhões até 2030.
Fonte: Acordo comercial EAU-Índia impulsiona comércio e investimentos no setor não petrolífero