A gestão de resíduos sólidos em Florianópolis representa um dos principais desafios urbanos do município, especialmente em função do crescimento populacional, da alta movimentação turística e das características geográficas da ilha.
O aumento na geração de resíduos exige soluções eficientes para coleta, tratamento e destinação final, buscando reduzir impactos ambientais e custos operacionais. Atualmente, parte significativa dos resíduos ainda é encaminhada para aterros sanitários, o que reforça a necessidade de ampliar práticas sustentáveis.
Nesse contexto, iniciativas como coleta seletiva, reciclagem e compostagem vêm sendo fortalecidas pelo poder público e por organizações locais. Além disso, a atuação de cooperativas de reciclagem contribui para a inclusão social e para o desenvolvimento da economia circular. A participação da população também é considerada fundamental para a efetividade dessas ações e para a construção de um modelo de sustentabilidade urbana mais eficiente.
Disponível em: https://www.pmf.sc.gov.br/entidades/residuos/index.php
A produção de lixo em Florianópolis varia significativamente conforme a época do ano, devido ao turismo:
Média anual: Aproximadamente 600 a 700 toneladas por dia.
Temporada de Verão (Dezembro a Fevereiro): A produção costuma saltar para mais de 800 a 1.000 toneladas diárias, devido ao aumento populacional na ilha.
Resíduos Secos (Recicláveis): A taxa de reciclagem de materiais secos (papel, plástico, vidro, metal) gira em torno de 5% a 6% do total, sendo uma das maiores entre as capitais brasileiras, mas ainda distante da meta de 60% para 2030.
Taxa de Recuperação Total: Cerca de 15,5% de todo o resíduo gerado na cidade é desviado do aterro sanitário (dados consolidados de 2025).
Resíduos Orgânicos: O desvio de orgânicos (compostagem) atingiu 14% em 2025. Apenas a "Coleta Flex" de orgânicos recolhe cerca de 15 toneladas/dia, mas o volume total compostado (incluindo pátios e resíduos verdes) ultrapassou 6 mil toneladas no último ano.
A gestão de resíduos em Florianópolis alcançou um marco histórico em 30 de março de 2026, quando foi oficialmente reconhecida pela ONU (ONU-Habitat e PNUMA) como uma das 20 cidades líderes em Resíduo Zero no mundo, sendo a única representante brasileira na lista.
Disponível em:
https://ocp.news/cotidiano/florianopolis-e-reconhecida-como-uma-das-20-cidades-lixo-zero-do-mundo
https://sctd.com.br/meio-ambiente/florianopolis-entra-para-lista-global-de-cidades-lixo-zero/
https://ndmais.com.br/cidadania/moradores-relatam-acumulo-de-lixo-nas-ruas-em-florianopolis/
https://www.pmf.sc.gov.br/entidades/residuos/index.php?pagina=home&menu=0
A gestão de resíduos em Florianópolis resulta da articulação entre normas nacionais, estaduais e municipais, combinadas com políticas locais inovadoras e participação social.
Sua base está na Política Nacional de Resíduos Sólidos, que define princípios como responsabilidade compartilhada e gestão integrada. No nível municipal, destacam-se iniciativas como o programa Lixo Zero e a Lei da Compostagem (2019), que tornou obrigatória a separação de resíduos orgânicos, colocando a cidade em posição pioneira no Brasil. A legislação local, como a Lei Complementar nº 305/2007, organiza responsabilidades e regula diferentes tipos de resíduos.
Além do marco legal, o modelo político se caracteriza pela coprodução, envolvendo governo, cooperativas, sociedade civil e instituições como a Universidade Federal de Santa Catarina.
A produção acadêmica, com autores como Sérgio Luís Boeira e Ilane Frank Dias, destaca Florianópolis como um exemplo de inovação em governança ambiental, embora ainda enfrente desafios de infraestrutura, coordenação e adesão da população.
“A Associação pra mim é o legado que eles deixaram para nós. Então pra mim o que não pode acabar nunca, nunca é a Associação. É muito orgulho. [...] Nós criamos todos os nossos filhos ali. E eles também terminaram de criar nós ali. Então aquilo dali pra nós é motivo de muito orgulho.” — Entrevistada da segunda geração da família Rodrigues dos Santos (ACMR)
O trabalho com recicláveis, deve ser visto como um patrimônio moral e uma ferramenta de inclusão que gera um sentimento de pertencimento.
“A Comcap está fazendo a coleta de lixo na região, mas que os dias e horários estão diferentes dos utilizados pela empresa terceirizada, isso faz com que o lixo fique todos os dias acumulado pelas ruas do bairro.” — Márcio Oliveira, morador do bairro Balneário.