Não há dúvidas que de que a materialização de uma educação antirracista nas escolas públicas conquistou muitos avanços, mas também é uma verdade que a educação brasileira ainda está pautada em muitos valores colonialistas e, não raro, encontramos relatos de práticas de profissionais da área que não condizem com o que preconiza os principais documentos que fundamentam a educação em nosso país/município. Os efeitos não são percebidos apenas nas atitudes, mas, também, quando analisamos os dados cruzados entre educação e aspectos sociais, nos levando a concluir que o racismo atinge os bebês, crianças, adolescentes, jovens e adultos negros de formas muito singulares, tendo como o maior impacto a baixa qualidade na formação escolar para esta parcela da população.
Observa-se que houve melhorias na garantia de acesso à educação para todos, mas a qualidade e a permanência ainda se apresentam limitadas no sentido de que há um círculo vicioso da desigualdade: as disparidades começam na educação básica com menor acesso a infraestrutura de qualidade, por exemplo. E, se perpetuam até a vida adulta, forçando a escolha de cursos superiores menos concorridos e com salário menor, se comparados com outras profissões com mesma exigência de formação. Isso nos leva a concluir que, mesmo diante do processo de democratização da educação, as populações negras e indígenas ainda estão à margem das políticas de ascensão social.
Baseando-se em documentos que têm como objetivo a redução das desigualdades alinhadas a melhoria das aprendizagens (VAAR, PLAMPLIR, Indicadores de Acompanhamento dos Ciclos) nossa meta é propor ações que confluam para este caminho também e, à luz de publicações como Currículo da Cidade Educação Antirracista, Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico Raciais, Documento de Organização Pedagógica 2025 qualificar estas ações a fim de refletir quais são os caminhos possíveis para superar a concepção ainda colonizada do currículo e das aprendizagens.
Acreditamos que existem inúmeras formas de fomentar a educação antirracista nas escolas, mas qualquer que seja o caminho escolhido, os processos precisam ser bem qualificados. Para isso, entendemos que é preciso agir em duas frentes, sendo elas formação dos sujeitos educadores e ações em campo, de modo a contemplar as ações de planejamento, acompanhamento e avaliação.
A FeirÁfrica é uma ação formativa para educadores e comunidade escolar em geral, reúne escritores, músicos, pesquisadores, expositores, entre outros e tem como objetivo o acesso e a promoção da história e cultura africana e afrobrasileira, nas diferentes linguagens. Idealizada pelas educadoras Selma Regina da Silva Jesus, Ana Koteban, Eliana Francisca e Rosana de Souza, teve sua primeira edição em 2016 no CEU Paraisópolis e, em 2017 foi expandido para todos os CEUs da Diretoria Regional de Educação de Campo Limpo. Em 2024, com a reorganização dos territórios, o CEU Paraisópolis passa a fazer parte da Diretoria Regional de Butantã e, com isso, os CEUs Butantã e Uirapuru passam a compor o projeto. Tal feito deve-se a união de esforços entre Núcleo de Educação Étnico Racial, coordenadores de pólo UniCEU, CEU Gestão - Cultura, Esporte e Educação, CEIs, EMEIs e EMEFs e outros equipamentos da educação como as ETECs e, também, sociais. Desta forma, ampliamos os espaços formativos atingindo as comunidades escolares de todos os distritos das Diretorias de Campo Limpo e Butantã caminhando juntas para construção e efetivação de uma Educação Antirracista