DEPRESSÃO
Laurindo Dias Rocha Junior
1. Definição – O que é a depressão?
Depressão é uma doença. É importante destacar isso porque ainda existem pessoas que insistem em negar, que insistem e dizer que depressão é frescura, é preguiça, é falta de contato espiritual, falta de fé ou falta de Deus.
Há uma correlação entre desequilíbrio bioquímico na produção de neurotransmissores no organismo e a depressão, em especial na produção dos neurotransmissores serotonina e noradrenalina. A serotonina é responsável por diversas funções no organismo e, entre elas, está a função de promover a sensação de bem-estar. Já a noradrenalina, também é responsável por múltiplas funções e, entre elas, está a função de facilitar a resposta imediata às intensas demandas da vida cotidiana. O desequilíbrio ou a baixa produção desses neurotransmissores estão diretamente ligados a depressão profunda.
Sendo assim, depressão é uma doença de ordem orgânica e psicológica. No que diz respeito ao âmbito psicológico, a depressão é um transtorno de humor. É um transtorno porque modifica negativamente a vida emocional, familiar, profissional e social da pessoa. E entre os transtornos mentais, é um transtorno de humor porque durante o estado depressivo, a pessoa apresenta um humor rebaixado na maior parte do tempo, mesmo em situações que, em teoria, tendem a elevar o humor.
2. Sintomatologia: Quais são os sintomas de depressão?
Além do desequilíbrio orgânico no sistema nervoso central, a depressão é marcada por diversos sintomas, e cada paciente apresenta estes sintomas de uma maneira única, singular.
Os sintomas típicos de um quadro depressivo são:
- Humor rebaixado / deprimido (tristeza, desânimo, desmotivação, sensação de vazio, desesperança)
- Redução comportamental (diminuição da quantidade e frequência de atividades diárias)
- Alterações no sono
- Alterações no apetite e no peso corporal
- Dificuldades em sentir prazer
- Irritabilidade
- Perda de interesse nas interações sociais
- Dificuldade em tomar decisões
- Dificuldades em enxergar um sentido de vida
- Dificuldades em se manter ativo no trabalho
- Sensação de cansaço mesmo sem ter realizado grandes esforços
- Sentimentos recorrentes de inutilidade, culpa ou punição
- Ideias de suicídio
Depressão também pode ser entendida como uma tendência altamente negativa de avaliar negativamente a si próprio, os outros, o mundo e o futuro.
3. Etiologia: Por que as pessoas ficam deprimidas? Qual é a causa?
O desenvolvimento de um quadro depressivo pode se dar a partir de um ou vários eventos estressantes que comprometem a visão positiva que o paciente tinha a respeito de si mesmo, dos outros, do mundo e/ou do futuro. A partir do evento estressante, o paciente passa a apresentar pensamentos e crenças negativos a respeito dele próprio, das outras pessoas, da vida e do seu futuro. Para se ter uma ideia, esses eventos podem ser: perda de um emprego, término de um relacionamento, adoecimento grave, mudanças bruscas ou repentinas, episódios de violência, entre outros. Os exemplos citados são meramente ilustrativos.
Uma vivência pobre de significado também pode desencadear um quadro depressivo. Rotina, ausência de novidade de vida, pouco lazer, pouca interação social, fazer sempre as mesmas atividades, não aprender ou desenvolver coisas novas, viver socialmente isolado, são exemplos, meramente ilustrativos, de uma vida cotidiana cuja vivência pode ter um significado frágil, que poderá perder sentido com a passagem do tempo.
É relevante pontuar que algumas pessoas podem apresentar uma predisposição genética para apresentar depressão. Essas pessoas podem entrar em um quadro depressivo com mais facilidade do que outras pessoas.
Outro ponto relevante que é importante citar, o desequilíbrio de substâncias cerebrais, os neurotransmissores (Serotonina, Dopamina, Noradrenalina, entre outros), também favorecem para o desenvolvimento de um quadro depressivo. Neste sentido, estilos de vida, como a baixa qualidade da alimentação e o sedentarismo (pouca prática de atividade física), podem influir negativamente o humor.
4. Tratamento: Como é o processo de cura?
É consenso que o modelo mais recomendado para tratar depressão é a combinação da terapia medicamentosa associada a psicoterapia. A Psiquiatria é a especialidade médica mais recomendada para avaliar, diagnosticar e oferecer tratamento medicamentoso. Na indisponibilidade de atendimento psiquiátrico, o clínicos geral ou neurologista pode realizar uma avaliação inicial. Após constatar o quadro depressivo, o médico poderá administrar medicamentos antidepressivos.
A Psicologia é a especialidade mais recomendada para oferecer tratamento psicoterápico. A psicoterapia é o outro braço que completa o tratamento. O profissional psicólogo poderá realizar uma avaliação psicoemocional seguida de um plano de tratamento psicoterapêutico. Existem várias linhas de psicoterapia. Entre elas, a Terapia Cognitivo-Comportamental ou TCC é uma das abordagens comprovadamente eficaz no tratamento da depressão.
Enfim, a pessoa que apresentar sintomas depressivos poderá procurar um médico ou um psicólogo. Ambos os profissionais poderão encaminhar o paciente um para o outro.
Eventualmente os pacientes também poderão apresentar melhora com o tratamento unilateral, ou seja, com apenas um dos dois tratamento mas, seguramente, o tratamento combinado tendem a trazer resultados mais rápidos e mais efetivos. Existem tratamentos alternativos para a depressão que não são convencionais como, por exemplo, acupuntura, ioga, homeopatia, aromaterapia, hipnoterapia, entre outros. Essas terapias não convencionais podem não ser efetivas. Pessoas deprimidas também podem apresentar cura espontânea com a passagem do tempo, mas não é prudente esperar o tempo passar visto que a depressão é marcada por grande sofrimento ou angustia, e também está relacionada ao risco de suicídio.
ANSIEDADE
Laurindo Dias Rocha Junior
1. Definição: O que é ansiedade?
Ansiedade é um sentimento ou estado de apreensão, suspense ou expectativa de que algo ruim pode acontecer em algum momento.
Ansiedade também pode ser definida como uma expectativa que apresentamos quando vivenciamos uma situação atual que pode se complicar e consequências muito indesejáveis, e estimamos ou superestimamos o quão ruim seriam se essas consequências acontecessem.
Ansiedade é uma derivação da emoção primária medo. Enquanto o medo está relacionados a uma ameaça ou perigo já presente no instante presente, a ansiedade está relacionada a ameaças ou perigos reais ou imagináveis que podem surgir num futuro próximo. As reações de medo tendem a ser mais intensas e breves enquanto que as reações de ansiedade tendem a ser menos intensas e mais duradouras.
2. Sintomatologia: Quais são os sintomas de ansiedade?
Os sintomas característicos da estados ansiosos podem ser fisiológicos, cognitivos e comportamentais.
São sintomas fisiológicos: tensão muscular, dormência ou formigamento, calor, tremores generalizados ou localizados, tonturas, palpitação, arritmia e/ou taquicardia, alterações no equilíbrio, sensação de sufocação, alterações no ritmo de respiração, desconforto abdominal, rubor e suor, espasmos musculares, sensação de fraqueza, voz trêmula, aperto no tórax, sensação de nó na garganta.
São sintomas cognitivos: pensamentos de que pode acontecer o pior, de que a qualquer momento pode se perder o controle, pensamentos de morte, previsões negativas, dificuldades de concentração, esquecimento.
São sintomas comportamentais: comportamento inquieto e/ou impulsivo.
São indicadores consequenciais: dificuldade para relaxar, cansaço, irritabilidade, dificuldades em adormecer, sono interrompido, pesadelos, terror noturno, humor relativamente deprimido, bruxismo, dificuldades para deglutir, náusea, vômito, constipação ou relaxamento intestinal, aumento da frequência ao banheiro para urinar, perda ou ganho de peso corporal, perda da libido, ejaculação precoce, impotência sexual, dor de cabeça, boca seca.
3. Transtornos de ansiedade.
Quando o estado de ansiedade gera problemas persistentes na vida da pessoa de forma que leva a dificuldades de adaptação e/ou sofrimento, a pessoa ansiosa passa a apresentar transtornos de ansiedade.
Os distúrbios de ansiedade mais comuns são:
- Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)
- Transtorno de Pânico
- Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)
- Transtorno de Estresse Pós Traumático (TEPT)
- Fobias
- Transtorno de Ansiedade Social
Pacientes que apresentam transtornos de ansiedade tendem a evitar algumas situações ou apresentar comportamentos repetitivos que, em longo prazo, trazem dificuldades de adaptação a diversas situações da vida cotidiana. Os problemas que surgem como consequências das dificuldades de adaptação realimentam o transtorno de ansiedade, levando o paciente a um ciclo vicioso.
4. Etiologia: O que causa ansiedade?
O sentimento de ansiedade surge a partir de uma situação presente cuja as consequências futuras podem ser interpretadas como indesejáveis, aversivas, ameaçadoras ou perigosas.
Já o transtornos de ansiedade podem surgir a partir de uma combinação de fatores que incluem:
- Genética (predisposição biológica para apresentar reações de ansiedade)
- Ambiente (por exemplo, vivenciar uma situação traumática ou muito estressante)
- Constituição psicológica (crenças negativas aprendidas durante a história de vida sobre si mesmo, os outros, o mundo e/ou futuro)
- Doença física
5. Manejo: Como lidar com a ansiedade?
Quando se trata de distúrbios de ansiedade, é importante buscar ajuda profissional. Você provavelmente apresenta um transtorno de ansiedade quando sua ansiedade causam sofrimento e/ou dificuldades de adaptação, ou seja, sua ansiedade atrapalha a sua vida de forma significativa.
Quando se trata do sentimento de ansiedade comum, típico da vida cotidiana, podemos lidar com a ansiedade adotando algumas atitudes, entre elas estão:
- Falar sobre sua ansiedade com alguém da sua confiança a fim de elaborar melhor seus pensamentos
- Checar se os seus pensamentos ansiosos estão interpretando a situação de maneira realista ou negativamente exagerada;
- Praticar atividades físicas;
- Praticar meditação;
- Realizar atividades descontraídas
- Praticar exercícios que regulem a respiração
- Escrever sobre a situação e os pensamentos relacionados a ela.
DESAMPARO APRENDIDO
Laurindo Dias Rocha Junior
1. Conceito: O que é desamparo aprendido?
Desamparo aprendido é o comportamento que seres humanos ou animais apresentam ao não evitar situações aversivas quando tem condições de evitá-las. Aceita-se passivamente uma situação ou estimulação aversiva, indesejável, mesmo quando há condições ou existe o poder de evitá-las. Tais pessoas ou animais que se encontram nessa condição aprenderam a se desamparar porque acreditam (entendem) que nada do que fizerem será capaz de fazer cessar a situação ou estimulação aversiva. São exemplos de pensamentos relacionados ao desamparo aprendido:
“Não adianta. Nada do que eu fizer irá mudar”
“Não adianta tentar. Eu já tentei”
“Nada do que eu faço dá certo”
“Não há nada a fazer”
“Tudo pra mim dá errado.”
2. Etiologia: Como se adquire o desamparo aprendido?
Pessoas que aprendem a se desamparar quando passam por uma situação aversiva incontrolável e prolongada. Inicialmente, o sujeito apresenta diversos comportamentos como tentativas de fazer cessar a estimulação aversiva, a situação ruim. Após esgotar as suas tentativas, a pessoa deixa de apresentar novas tentativas, permitindo, passivamente, que a situação aversiva lhe sobrevenha. Considerando que a realidade está sempre mudando, com a passagem do tempo, surgem possibilidades que são capazes de fazer cessar a estimulação aversiva, a situação ruim; porém, a pessoa que aprendeu a se desamparar não reage, não apresenta os comportamentos que poderiam lhe tirar daquela condição aversiva.
Um exemplo de desamparo aprendido pode ser o de uma pessoa que depois de ficar procurando emprego por longo tempo, sem sucesso, desiste de procurar, acreditando assim, que nada do que ela fizer lhe trará um emprego. O problema é que depois de seis meses, por exemplo, a realidade já estaria de alguma forma diferente. A pessoa continuaria tendo chances de encontrar um emprego com o seu perfil se ela se mantivesse tentando.
Outro exemplo pode ser o de uma pessoa que está em um relacionamento abusivo e não encontra saída para se livrar deste relacionamento e, muitas das vezes, realmente não existe uma saída que não seja extremamente dolorosa. É comum que a vítima deste relacionamento desista de procurar novas saídas depois de ter tentado por muito tempo sem nenhum sucesso. O problema é que como a realidade está sempre mudando, novas mudanças poderiam trazer novas possiblidades que passariam desapercebidas quando a pessoa desistisse de tentar.
3. Descoberta: Como surgiu o conceito ‘desamparo aprendido’?
Em 1965 o psicólogo norte-americano Martin Seligman realizou um experimento com cães, separando-os em dois grupos. Um grupo de cães foi colocado em uma jaula cujo chão estava conectado a uma corrente elétrica que disparava choques de tempos em tempos. Os choques eram de baixa intensidade, porém, o suficiente para incomodar. O outro grupo foi colocado em uma jaula semelhante, com a diferença de que, nesta outra, havia um dispositivo capaz de desligar o sistema que provocava os choques facilmente. Desta maneira, o segundo grupo poderia desligar os choques, enquanto que o primeiro teria de se acostumar com a estimulação aversiva.
Passado um certo período inicial, após os grupos ficarem acostumados às suas jaulas, o psicólogo trocou-os de local, colocando-os em outras jaulas, com o mesmo sistema de choques, mas, desta vez, havia uma barreira muito baixa que permitiria que qualquer um dos cães saltasse sem dificuldade.
Os cães do primeiro grupo (que não tinham controle sobre os choques) simplesmente permaneceram na jaula. Já os do outro grupo (que tinham controle sobre os choques), pularam a barreira para se livrar da estimulação aversiva.
Sendo assim, os cães do grupo 1 aprenderam que não poderiam mudar a situação. Eles se acostumaram com a situação aversiva que, mesmo na existência de uma solução, nada era feito. Esses cães passaram a apresentar comportamentos semelhantes ao de animais com depressão: não brincavam, comiam muito pouco ou nem comiam, e também não buscavam mais copular.
4. Desamparo aprendido e Depressão
Há diversas semelhanças comportamentais entre depressão e desamparo aprendido. Nas duas situações há:
* Diminuição da volição (vontade) e motivação,
* Redução comportamental (menor volume e frequência de atividades diárias,
* Aumento do surgimento e frequência de pensamentos negativos sobre si mesmo e sobre a realidade,
* Redução da agressividade,
* Perda de apetite,
* Diminuição da libido (interesse sexual),
* Alterações bioquímicas em certos neurotransmissores.
Tanto o desamparo aprendido quanto a depressão humana decorre da aprendizagem de que a gratificação (recompensa, reforço) não depende da própria ação.