Reconhecemos nossa pequenez frente à imensidão do verde das matas e azul das águas.
O grupo Múmias do Mato surgiu em meados do ano de 2003, na cidade de Divinópolis, localizada na região centro-oeste do estado de Minas Gerais. A princípio, surgiu para dar nome a uma turma de “trilheiros” que tinham uma característica marcante: em sua maioria, o grupo era composto por pais e filhos que compartilhavam o amor pelas motocicletas off-road e pela natureza. Os pais, trilheiros de outrora, agora estavam introduzindo os filhos (que tinham em média 13 anos) no esporte a duas rodas.
O nome do grupo se deu por dois motivos: primeiramente, quase que como uma “assinatura”, todos os integrantes faziam suas trilhas nas clássicas DT – 180, da Yamaha, ou seja, para rodar nessas “magrelas” em pleno século XXI foi preciso desenterrar as “múmias” que fizeram muito sucesso na década de 80 e início de 90. O segundo motivo foi que um grupo de “velhos” (ou dino drivers), tinham resolvido acompanhar seus filhos nas trilhas. Assim, a turma do “ telhado branco” acabou ficando conhecida como múmia.
A proposta do grupo não era somente fazer uma trilha, mas, muito além disso, era entrar em sintonia com as motocicletas e, principalmente, com a natureza. Por assim ser, os passeios prezavam pela pilotagem técnica sobre a velocidade e pela admiração ao visual natural sobre a pressa de chegar em casa. Costumávamos dizer que o canivete de descascar laranja era ferramenta imprescindível para aqueles que desejavam “rodar” com a turma. Os passeios eram sempre complementados com banho em cachoeiras, longas conversas ao pé das árvores, paradas estratégicas para admirar a paisagem. A técnica de pilotagem também era fator indispensável, assim, em muitos lugares “difíceis” a turma disputava para ver, não quem subia mais rápido, mas quem subir melhor! “Acelerando tudo você passa em qualquer lugar, porém pedaços da sua moto podem ficar para trás, além do esforço monstruoso que será feito”, diziam os mais velhos para os “novatos”.
Por essas características o grupo foi ganhando companheiros que também compartilhavam dos mesmos princípios. Podemos dizer que até 2007, foram cinco anos de inúmeros passeios, aprendizados, fotos e, principalmente, momentos inesquecíveis. A turma participou de trilhões, enduros de regularidade e passeios por várias regiões de Minas Gerais.
Após 2007, as atividades do grupo acabaram se “esfriando”, uma vez que muitos dos “novatos” estavam se preparando para o vestibular, além de que alguns membros migraram para outras “bandas”. É importante marcar que os “trabalhos” esfriaram, NÃO acabaram. Ainda aconteceram e aconteceram, vários passeios. Podemos dizer que mesmo com a redução das atividades, a paixão pelas motocicletas e pela natureza, formou uma turma de GRANDES AMIGOS.
Nunca foi objetivo do Múmias do Mato ganhar provas de competições, ou estabelecer uma associação, ou ter ações orientadas por uma instituição, ou muito menos, ganhar dinheiro com isso. Fazíamos trilha por paixão e, buscávamos na natureza uma “terapia”, uma calma, um “diálogo” com o silêncio das montanhas, uma resposta das quedas de águas correntes.
Meu nome é André Júlio Costa. Atualmente resido em Belo Horizonte, onde exerço a profissão de professor e supervisor pedagógico na rede pública do estado de Minas Gerais. Sou um aficionado pelas motocicletas e, graças a meu pai, aprendi a admirar as belezas naturais. Há alguns anos, eu era parte de uma turma de “trilheiros” que muito me ensinou sobre a vida e o cuidado com meio ambiente. Hoje, após 20 anos do início desse grupo e, depois de horas sentado em uma cachoeira, resolvi reavivar o espírito que orientou os Múmias do Mato: Motocicletas e Natureza.
A ideia de trazer esse nome à tona, novamente, é muito mais do que reunir os amigos, até porque, nós nunca perdemos o contato, mas é colocar em pauta aquilo que meu pai traduzia com a seguinte frase: “Olhe bem as montanhas!”, ou seja, unir novamente as motocicletas ao que a natureza tem de mais belo para nos oferecer, suas paisagens.
Nos dias atuais, os Múmias do Mato acabaram se afastando um pouco das trilhas, propriamente ditas, se voltando mais para aquilo que hoje em dia chamamos de Dual-Sport. Assim, os passeios não deixaram de lado as estradas de chão (e nem as trilhas), apenas acrescentaram o asfalto em seus percursos. As motocicletas, agora emplacadas, têm uma proposta esportiva dupla, on-off road. Esta migração das trilhas para o Dual-Sport acabou acontecendo de forma natural, uma vez que os destinos foram ficando mais longe e a paixão pelas "magrelas" de duas rodas não deixava a gente ficar distante delas. Escolhi motocicletas de baixa e média cilindrada, pois acredito que este tipo de veículo tem a melhor relação peso/potência para os diversos tipos de percursos que encaramos.
A ideia hoje é tentar retribuir para a natureza um pouco de cuidado, considerando que há muitos anos ela vem fazendo por nós, homens e mulheres espalhados por esse planeta. Claro que o espírito Múmias da Mato é o que nos norteia, porém não é nossa intenção levar isso como verdade, única. Pelo contrário, buscamos também ouvir outras experiências, filosofias, história, ou como carinhosamente chamamos aqui em Minas, causos, ou seja, procuramos estabelecer um diálogo que objetive um bem maior. O diálogo com a natureza, via a “linguagem” das duas rodas, é uma aposta que fazemos.
Enfim, nossa proposta é colocar as duas rodas à disposição e a favor da natureza e do meio ambiente. No entanto, de tantos “causos” já ouvidos, trazemos também uma vertente cultural, principalmente, pensando a partir da formação daquilo que somos.
O propósito desta apresentação é apenas para formalizar quem sou, o que faço e o que quero fazer no futuro, pois acredito que assim consigo facilitar o encontro com pares, para que, busque fazer algo significante. Almejo, através dos passeios, criar conteúdo a partir do olhar dos motociclistas que constantemente flertam com a sensação de liberdade.
Sem dúvidas o foco, por ser minha paixão, é a motocicleta, porém hoje tenho uma compreensão de como o OFF-ROAD enquanto cultura é parte fundante daquilo que sou e daquilo que o Múmias do Mato é. Tenho em mente que, por mais que o nome Múmias do Mato se remeta ao motociclismo, este símbolo é carregado de uma enorme carga cultural, esta do OFF-ROAD.
Desta forma, pode ser que os Múmias dos Mato também "aparecem" em outras modalidades que compõem este universo do OFF-ROAD: MTB, trekking, hiking, caminhadas ao livre.