(...) O Massacre 2 foi recebido de forma irregular, e muitos acharam que Hooper não conseguiu alcançar o equilíbrio correto entre terror e comédia (exagerou em ambos). As qualidades visuais do filme (ainda é o trabalho mais vistoso de Hooper) foram comprometidas por lapsos de incoerência narrativa e uma trilha sonora cafona de Hooper e Jerry Lambert, o instalador de antenas dele... Caroline Williams ganhou um prêmio de melhor atriz no festival de cinema de Sietges em 1986, mas no geral O Massacre 2 foi consignado à categoria "fracasso". O tempo tem sido surpreendentemente generoso com o filme, especialmente com o advento do lançamento em DVD widescreen (ainda que falta uma restauração narrativa), mas algumas pessoas ainda podem achar que cem minutos de gritos e berros em níveis de histeria somados a uma trilha metálica e irritante seja uma experiência um pouco dolorosa.
Seu conteúdo de muita violência e sangue levou O Massacre 2 a ser lançado sem classificação indicativa de idade nos EUA, restringindo o número de salas em que podia ser exibido e a quantidade de propaganda que podia ser feita - e seu desempenho fraco nas bilheterias se deve provavelmente mais a isso do que às críticas mornas. (Embora sua receita inicial de 8 milhões de dólares fosse bastante respeitável, dado seu lançamento limitado).
Apesar de ter decidido aumentar o derramamento de sangue do filme para agradar aos fãs de gore que queriam mais do que o primeiro filme havia entregado. Tobe Hooper ficou tipicamente perplexo com a classificação indicativa.
TOBE HOOPER: Acho que foi por causa do personagem L.G. ter seu cérebro martelado e também quando tiraram sua pele. Claro que não mostrei seu rosto sendo removido, só sendo colocado de volta, mas o trabalho de maquiagem de Tom Savini era meio explícito, logo filmei a cena com um brilho meio âmbar pra diminuir a sordidez. Mesmo assim, ainda acho que deveria ter recebido a classificação R (menores de 17 anos acompanhados dos pais). [Entrevista a Philip Nutman, Shock Xpress, inverno 1987]
Vou ser franco: acho que esse filme veio da minha frustração com a comédia do primeiro filme não ter sido valorizada ou compreendida. Então eu amplifiquei os aspectos engraçados dele, mas ao mesmo tempo Tom Savini fez tudo tão anatomicamente correto que o filme acabou nem recebendo uma classificação. Eu gosto do filme enquanto uma comédia maluca, bizzarra, exageradamente sombria, mas falhei em fazer que o público esperava do filme, que era assustar muito e dar um pouco mais do que haviam experimentado no primeiro filme. Uma de suas falhas é que infelizmente muito tempo foi gasto com a Família da Serra Elétrica. Você ficava conhecendo a família e sua insanidade bem demais e isso desmitificou os elementos potenciais de horror. Eu gosto desse filme também, mas preciso dizer que certamente não é a continuação essencial. Foi parte de um acordo de negócios, e eu me diverti fazendo, em prejuízo do próprio filme. Às vezes fazemos coisas pelos motivos errados. [The Austin Chronincle, nov. 1988]