Fragilidade dos vínculos afetivos entre pais e filhos em contextos de vulnerabilidade social, resultando na dependência emocional das crianças em relação aos profissionais da educação infantil.
Como chegamos a essa questão-problema
A definição da questão-problema surgiu a partir da escuta ativa com a equipe de uma creche pública de Palhoça, onde foram identificadas situações recorrentes vividas por crianças e famílias em contextos de vulnerabilidade.
Durante as entrevistas e observações, a equipe do CEI relatou:
Crianças com carência afetiva evidente, devido à ausência dos pais ou à convivência familiar limitada por longas jornadas de trabalho;
A creche passou a ser o único espaço de afeto, segurança, nutrição e rotina para muitas dessas crianças, gerando dependência emocional em relação aos profissionais da educação;
Muitos cuidadores no contraturno são irmãos adolescentes, avós ou vizinhos, sem preparo ou estrutura, o que fragiliza o bem-estar infantil;
Mães demonstram medo de perder o emprego, vivendo sob constante sobrecarga física e emocional, o que leva, mesmo involuntariamente, à negligência afetiva;
Professores expressaram sentimento de impotência, por perceberem que muitas crianças retornam para lares onde falta presença, atenção e cuidado contínuo.
Compreensão aprofundada do problema
A partir dessas percepções, foi possível entender que o problema central não é apenas a falta de vagas em período integral, mas os impactos emocionais e sociais provocados por essa ausência — como o enfraquecimento do vínculo familiar, a sobrecarga dos cuidadores e a dependência emocional das crianças nos educadores.
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