aqui faço uma tentativa de expor meus trabalhos em todas as suas diversidades, entendendo o trabalho como uma prática inseparável da vida.
a vida, como um processo diverso de fazeres, de relações, de cultivos, de manutenções, de criações, de coletivo, vem se apresentando com a urgência de ser vivida em todos esses aspectos - venho aprendendo a cultivar alimentos e plantas de forma que eles possam regenerar o solo em harmonia com a biodiversidade local, a cozinhar, limpar, construir e consertar, como formas de cuidado comigo e com outres, a escrever e a artesanar como formas de expressão e diálogo.
esse conjunto de práticas se somam no conjunto "trabalho" que venho vivendo, entendendo que carrego a responsabilidade sobre o meu entorno, sobre meu impacto e legado, tentando participar dos processos de manutenção em meu lugar de vida. deixo claro, portanto que vejo a vida também como inseparável de lugar, de territorialização e essa é uma busca constante aqui.
a diversidade de fazeres é uma realidade para todes, mas principalmente para as mulheres, que assumem essa multiplicidade de tarefas em nossa sociedade, sem remuneração e sem reconhecimento. aqui decidi parar de separar o currículo da vida e tento expor essas vivências mostrando o quanto é impossível fazer arte sem fazer comida, escrever sem plantar, caminhar sem cuidar. e que, por vezes, talvez a gente cozinhe, arrume, plante, cuide, mais do que crie arte, pois a vida naturalmente impõe dinâmicas que não comportam o engessamento de uma carga horária para o trabalho, como se fosse separado da vida - e que tudo isso é matéria para arte.
aqui a vida tem sido esse trabalho diverso, constante, coletivo, responsável, cansativo e prazeroso.