"Olhar para a sociedade de hoje é mergulhar nas contradições da história. E poucas coisas mostram isso tão bem quanto São Paulo. Se um dia construir prédios e avenidas sobre florestas era progresso, hoje as regiões mais valorizadas da cidade são justamente as que preservam grandes áreas verdes.
Nos números absolutos, as periferias concentram mais áreas verdes, ligadas à preservação florestal. Mas nas "macrozonas urbanas" — as regiões mais adensadas -, há uma relação direta entre a quantidade de árvores e a renda per capita (ALMEIDA, 2023).
A arborização melhora a saúde, ameniza o calor e reduz enchentes (ALMEIDA, 2023). Mas não é só isso: estar cercado por árvores também significa mais espaços de lazer, e aí entra um ponto crítico - a desigualdade ambiental se reflete no acesso ao espaço público.
O desafio da arborização exige um olhar para as desigualdades, mas também abre oportunidades para soluções econômicas e novas formas de pensar a cidade Isso passa por empresas, academia, políticas públicas e, claro, pela nossa relação com a natureza.
Discutir a arborização urbana é entrar em um debate atual, que envolvetemas como Soluções Baseadas na Natureza, adaptação às mudanças climátícas, racismo ambiental, cidades caminháveis, microclima e ecopsicologia."
(Reprodução: texto do Projeto Referência do FIS 30)