DO CÉU À TERRA.
DO CÉU À TERRA.
VIDAS PÓS-PRISÃO: A IMPORTÂNCIA DE SE CONSTRUIR REDES E APOIO.
DO CÉU À TERRA.
ESCREVI EM 27 DE NOVEMBRO DE 2022:
O SOCORRO DO AMOR CRÍSTICO NA FUNDAÇÃO FUNIMA DE GIOVANNI BONGIOVANNI.
OS FILHOS VÊM DE DEUS PARA CONSOLAR. UM DE MEUS FILHOS, GIOVANNI, É PROVA DO QUANTO DISSE.
LEIAM A OBRA DA FUNIMA.
COM FÉ,
G. Bongiovanni
PLANETA TERRA, 27 de Novembro de 2022.
VIDAS PÓS-PRISÃO: A IMPORTÂNCIA DE SE CONSTRUIR REDES E APOIO.
Através de um processo de formação, trabalho e inclusão social, presidiários e ex-presidiários iniciam um processo de mudança para retomar suas vidas.
Um projeto, o da Sartoria Sociale, que Funima Internacional inserida - junto a outras realidades - dentro de sua iniciativa "Natal Solidário" https://funimainternational.org/natalesolidale-2022/ Iniciativas solidárias que lançamos com motivo de Semana Santa e Natal, unindo as intenções de diversas associações e cooperativas, com o objetivo de potencializar projetos e dar resposta às necessidades dos cidadãos.
Por isso, levamos você aos bastidores do “Natal Solidário”, para que conheça um belo projeto de inclusão socio/laboral, onde pessoas que pertencem à área penal realizam medidas alternativas à detenção. O trabalho representa um ponto de partida e uma ajuda concreta para definir um equilíbrio e rotina diária, abre a porta a novos encontros, aumenta o sentido de responsabilidade para nós mesmo e para outros, iniciando assim um processo de mudança, evitando a reincidência.
Os números nos mostram como as medidas alternativas funcionam muito melhor que a detenção, e segundo o relatório Antigone XVI (associação pelos direitos e garantias no sistema penal), somente um detento de cada 200 na Itália, volta para a prisão por ter cometido um delito durante este tipo de medida. Pelo contrário, o encarceramento mostrou todos seus limites, cumprindo com muita dificuldade a tarefa, quer dizer, a reinserção do réu na sociedade.
O delito é efeito de uma tripla ordem de causas: antropológicas, físicas e sociais, e deve ser entendido segundo o perfil humano de quem o comete.
Com a reforma de 1975 se redefine a função de controle e supervisão dos operadores penitenciários em termos de trato pedagógico, quer dizer, o tratamento penitenciário se fundamenta na possibilidade de estabelecer uma relação interpessoal válida com o presidiário que permite aos operadores penitenciários planejar ações compartilhadas de uma série de intervenções situadas, na medida do possível, em contextos sociais extra-penitenciarios e que facilitem o processo de mudança e inclusão social. Segundo a normativa, os programas de tratamento devem ser individualizados e devem levar em conta as condições e necessidades específicas do recluso. O programa de tratamento deve incluir atividades culturais, formativas ou trabalhistas através das quais se anime ao infrator a mudança de atitudes e interesses. Para o êxito do processo de inclusão do recluso na sociedade, é de fundamental importância se construir uma rede em torno da pessoa, que seja capaz de apoiá-la e acompanhá-la neste processo. Esta rede se caracteriza por instituições, voluntários, associações, organizações, assim como também pela família.
A continuação, a entrevista a Roberta Autolitano, trabalhadora social que nos conta como se dar a inclusão social na alfaiataria.
P: Olá Roberta.
Nos conte sobre seu trabalho. Como entra em contato um presidiário ou ex-presidiário com o projeto de formação e inclusão da Sartoria Sociale?
R: A pessoa submetida à autoridade judicial, solicita a disponibilidade de nossa cooperativa para realizar medidas alternativas ou experimentais ou obras de utilidade pública, segundo o caso. A pessoa é apoiada pelos funcionários do serviço social da UIEPE assim como por seus próprios advogados para o correto cumprimento das obrigações, logo acessa de maneira autônoma ou denunciando aos serviços de justiça. Se pelo contrário for um ex-convicto, cria-se itinerários ad hoc em função da finalidade perseguida, para dar continuidade ao itinerário extramuros. Queremos ser um ponto de conexão e esperança entre o interior e o exterior.
P: Você nos falou da Uiepe, o Escritório Interdistrital de Execução Penal Externa. Como colabora com ele? E quais são suas atividades dentro da prisão de Pagliarelli em Palermo?
R: Tanto com a Uiepe como com o instituto Antonino Lo Russo levamos já muitos anos colaborando. Com a Uiepe, além de cuidar juntos tudo o que gravita em torno da implementação da medida alternativa à privação de liberdade, geramos momentos de encontro e discussão sobre o tema de legalidade e justiça restaurativa, não somente com os imputados/condenados, mas sim e sobre tudo, com a sociedade civil. Outro aspecto muito importante para nós é o planejamento a favor dos sujeitos a cargo. Dentro da prisão de Antonino Lo Russo fazemos um trabalho preparatório para o "afora", além de forjar momentos de autoenfrentamento, implementamos um laboratório de alfaiataria no qual as reclusas podem experimentar e adquirir ou melhorar suas habilidades manuais. Uma vez concluído o processo de internamento, a pessoa, se assim desejar, continua seu caminho de crescimento em nossa Alfaiataria Social.
P: Na prática, como se dar sua reintegração? Como se mostram os internos e ex-reclusos frente ao projeto? Quais são os benefícios em seu cotidiano e quanto incide este caminho na reconstrução das relações e na tomada de controle da própria vida?
R: Cada pessoa segue um caminho diferente, não só quanto a duração, mas sim também em termos de conteúdo. Isto depende de muitos fatores, principalmente da experiência da pessoa. O que procuramos fazer com as pessoas que vivem em nossos lugares, é um trabalho de reflexão sobre nós mesmo, assim como de promoção da sociabilidade e responsabilidade. Os princípios que levamos adiante tentamos que sejam transversais e compreensíveis para todos. Entre estes acreditamos firmemente no potencial intrínseco que cada um de nós tem para fazer, e fazê-lo bem. Desde aí surge um dever, o dever de atuar e não ficar quieto em situações de desconforto. Para isso, é fundamental que demos um bom exemplo; por isso, muito frequentemente, tratamos de colocar uma pessoa que acaba de ingressar junto a outra que já assistiu por algum tempo, para rebocar e depois empurrar o recém-chegado para o êxito. Esta é uma ação de educação entre pares.
O êxito é o lucro das próprias metas, que podem declinar-se de muitas maneiras, tanto de crescimento pessoal como de conquistas. As pessoas que vêm da justiça manifestam muitas vezes necessidades tanto claras como latentes: como a falta de emprego, de moradia segura ou de um círculo de relações de valor. Outras vezes, entretanto, nos chocamos com crenças já arraigadas nas pessoas que acolhemos, como a consecução de objetivos de forma ilegal. Nós, sendo uma empresa social e mais do que uma cooperativa tipo B, promovemos a inclusão socio/laboral destas pessoas através de uma educação para o trabalho e o estar com outros, que se traduz na aquisição de saberes para estar no mundo. Os responsáveis pela autoridade judicial têm uma obrigação em relação ao seguimento da via. Inicialmente, todos dizem que não fizeram nada de errado e que estão aqui injustamente. Na realidade, quando as pessoas submetidas à autoridade judicial decidem empreender um caminho de obras de utilidade pública, elas mesmas declaram ter cometido o delito, assumindo sua responsabilidade e portanto para ressarcir-se de seus atos que prejudicaram a outra pessoa ou à sociedade em seu conjunto, doam seu tempo de forma gratuita a atividades que, em troca, promovem o bem-estar social. Cada rota como se mencionou a princípio, varia em termos de qualidade. Seria falso dizer que todas as pessoas que passam por aqui encontram seu equilíbrio com a sociedade. Em troca, posso dizer que muitos, não todos, depois de um período inicial de desconfiança, ganham cada vez mais confiança em outros e em si mesmos. Se dão conta deste potencial do qual falava com princípio e começam a dar pequenos passos para seu próprio êxito. Obviamente os apoiamos passo a passo, não somente os obrigamos a fazer atividades que nos são úteis.
Tratamos de encontrar tarefas e deveres alinhados com as aspirações e habilidades além disso, nos esforçamos por responder maior número de necessidades quanto seja possível. Ativamos nossa rede, nos emparelhamos com empresas da região, inclusive do mundo com ânimo de lucro, por inclusão socio/laboral ou por afã educativo. Estes são somente exemplos, porque as necessidades das pessoas são muitas e correspondem a distintos âmbitos, é complexo as definir e é complexo dar uma resposta eficaz em curto prazo. O crescimento e a superação pessoal é um processo longo que requer muito esforço por parte da pessoa. Somos um lugar de transição que acompanha o outro rumo a sociedade.
Nos apoiem ativamente! Visite a página da Funima Internacional dedicada ao Natal solidário: https://funimainternational.org/natalesolidale-2022/
Aqui encontrará produtos têxteis únicos e delícias gastronômicas e enológicas elaborados por várias cooperativas unidas por um denominador comum: oferecer oportunidades para Um Futuro Melhor.