DO CÉU À TERRA.
DO CÉU À TERRA.
UM ARSENAL PARA A LÍBIA.
ESCREVI EM 10 DE MARÇO DE 2011:
DIZEMOS E ESCREVEMOS MUITAS VEZES.
NA TERRA SE VENDE AS ARMAS COMO O PÃO DE CADA DIA.
UMA TRÁGICA E DRAMÁTICA VERDADE QUE ENVOLVE POR COMPLETO TAMBÉM A ITÁLIA.
LEIAME MEDITEM.
G. Bongiovanni.
UM ARSENAL PARA A LÍBIA: ASSIM A ITÁLIA VENDEU AS ARMAS.
A ITÁLIA VENDEU ARMAMENTO À LÍBIA POR DEZENAS DE MILHÕES DE EUROS.
Roma (AFP) - A Itália vendeu a Líbia material militar - explosivos, mísseis, helicópteros - por valor de dezenas de milhões de euros nos últimos dois anos, - informou no sábado o jornal italiano Corriere della Sera.
O diário analisa um relatório oficial do ministério do Interior que enumera tanto os contratos como as negociações em curso, entre a Líbia e várias grandes companhias de armamento italianas como o gigante Finmecanica.
O fabricante de mísseis Mbda Itália, assinou em maio de 2009 um acordo de 2,5 milhões de euros (3,4 milhões de dólares) para abastecer a Líbia "material para bombas, submarinos, foguetes e mísseis", - segundo dito documento.
Por sua vez, Augusta Westland concluiu dois contratos em outubro de 2010 por um montante de 70 milhões de euros (96 milhões de dólares) para a entrega de dez helicópteros, enquanto que no mesmo ano o Selex Sistemi Integrati do grupo Fmecânica assinou um acordo de 13 milhões de euros (17 milhões de dólares) para abastecer Trípoli com equipamento eletrônico de ajuste de tiro.
A Itália e sua ex-colônia assinaram um tratado de amizade em 2008 que reforçou grandemente os laços econômicos entre ambos países, convertendo a Itália no primeiro sócio comercial da Líbia.
Segundo o mesmo relatório analisado pelo Corriere della Sera, a empresa Oto Melasse também empreendeu negociações com a Líbia em novembro de 2010 para a venda de"armas de calibre superior a 12,7 mm, assim como material, peças de reposição e cursos de formação".
Este ano, o estaleiro Intermarine SPA iniciou conversações com a Líbia sobre negócios pelo valor de 600 milhões de euros (825 milhões de dólares).
A Selex Sistemi Integrati, a Augusta Westland e Oto Melasse também negociavam contratos por um montante total de 150 milhões de euros (205 milhões de dólares).
Em 26 de Fevereiro de 2011
MENSAGENS ANEXADAS:
DOCÉU À TERRA
ESCREVI EM 08 DE DEZEMBRO DE 2010:
JÁ DISSEMOS E ESCREVEMOS QUE SOBRE A TERRA SE VENDE ARMAS ASSIM COMO SE VENDE O PÃO DE CADA DIA (Eugenio Siragusa - 1981. Giorgio Bongiovanni 2009). TAMBEM A ITÁLIA FAZ PARTE DESTE COMÉRCIO ANTICRIÍSTICO E DESTRUTIVO QUE PROVOCA INJUSTIÇAS E MORTE.
A ITALIA, COM SEU GOVERNO E SEU PREMIER (Primeiro Ministro) TIRANO, EGOISTA E NEFASTO.
O POVO, NÃO TODO POR SORTE, CÚMPLICE E PASSIVO, INCAPAZ DE SE REBELAR CONTRA A MAIOR DAS INJUSTIÇAS EM PREJUÍZO DOS FRACOS: A COMPRA E VENDA DAS ARMAS.
SE ISSO FOR VERDADE, E É VERDADE… ENTÃO, SE PREPAREM! TAMPOUCO A ITÁLIA SERÁ ISENTADAS DE DURISIMAS CONSEQUÊNCIAS QUE COMPORTA A LEI DE CAUSA E EFEITO. TAMBEM A ITÁLIA SERÁ SUBMETIDA À DIVINA JUSTIÇA.
SERIA OPORTUNA UMA INTERVENÇÃO DE PARTE DO CHEFE DA IGREJA CATÓLICA BENTO XVI, ELE FARÁ? NÓS ACREDITAMOS QUE NÃO! PORQUE O VATICANO POSSUI AÇÕES NAS INDÚSTRIAS QUE PRODUZEM ARMAS.
DIANTE DESTA SITUAÇÃO DRAMÁTICA ME VEM À MENTE A RESISTÊNCIA CONTRA O DITADOR SANGUINÁRIO ALEMÃO (Hitler) E SEU MORDOMO ITALIANO (MUSSOLINI)
QUE DEUS NOS AJUDE!
Giorgio Bongiovanni
Estigmatizado.
São Giovanni di Polcenigo - Itália, 08 de Dezembro de 2010.
DO CÉU À TERRA
ESCREVI EM 28 DE AGOSTO DO ANO DE 2009:
UM AMIGO NOSSO “ALIENIGENA” DE NOME HOARA, FAZ ALGUNS ANOS, ATRAVÉS DE UM MENSAGEIRO DELE, EUGENIO SIRAGUSA, DISSE: “NA TERRA VENDEM ARMAS COMO SANDUÍCHES QUENTES”.
UMA CRUA, AMARGA E VERGONHOSA REALIDADE.
PEÇO-LHES QUE LEIAM O ARTIGO ANEXO ESCRITO POR UM VALENTE E CORAJOSO JORNALISTAS QUE DEMONSTRA SEM LUGAR A DÚVIDAS QUE A ITÁLIA COM SEUS GOVERNADORES E PODEROSOS ATUAL, DEVE SER CERTAMENTE UM PAÍS CONSIDERADO ANTICRISTICO. CERTO QUE MUITOS ITALIANOS SÃO BONS E ALGUNS JUSTOS, MAS NÃO SÃO SUFICIENTES PARA DETER A SANGUINÁRIA, DEVASTADORA E FAMELICA SEDE DE MORTE QUE ATORMENTA A MENTE DOS COMERCIANTES DE ARMAS. ESTE É O VERDADEIRO PODER, ESSO É O QUE LEVARÁ A AUTODESTRUIÇÃO A ITALIA E O MUNDO INTEIRO, PORQUE TODO O MUNDO ESTÁ ENVOLVIDO NO MERCADO DE MORTE QUE PRODUZ A VENDA DE ARMAS.
NÃO ME SURPREENDE, MAS ME SINTO DESESPERADO E SEDENTO DE JUSTIÇA.
MINHA FÉ EM CRISTO ME IMPÕE RESISTIR, E A CERTEZA DOS VALORES UNIVERSAIS QUE ARDE EM MEU CORAÇÃO ANIMA A MIM E A OUTROS A LUTAR.
FOI DITO: TENHAM FÉ, A JUSTIÇA DIVINA NÃO DEMORARÁ PARA CHEGAR.
CREIO EM CRISTO. LHE AMO E LHE SIRVO. MAS DIGO E ROGO EM VOZ ALTA: SENHOR, SENHOR ADONAI QUE ESPERA PARA INTERVIR?
ABREVIAR OS TEMPOS, DEUS, SENHOR DEUS, ABREVIA OS TEMPOS E VOS ROGO, MANDA O SALVADOR, DO CONTRÁRIO NEM SEQUER SEUS ESCOLHIDOS SE SALVARÃO.
EU E OUTROS QUE VOS AMAM ESTAMOS AQUI VOS ESPERANDO, COM AS MÃOS BEM FIRMES SOBRE O ARADO.
COM FÉ,
Giorgio Bongiovanni.
Estigmatizado.
Sant'Elpidio a Mare - Itália,
28 de Agosto de 2009.
DEFESA, O INVESTIMENTO PERPETUO
(27 de agosto de 2009)
Se tornarão velhos sem ser usados em cenários de guerra, possivelmente também porque ao nosso som só 'missões de paz'. Muitos se oxidarão ou funcionarão só para ser mantidos, enquanto se tenha a capacidade de mantê-los. Muitos outros serão fabricados para fazer funcionar à indústria, italiana e internacional.
Os números. A atribuição do orçamento para o setor da Defesa para 2011 é de 20.494 milhões de euros. O aumento total é de 130 milhões de euros em relação ao ano anterior (0,6% mais que em 2010, o 1,28% do PIB). A Atividade da Defesa cresceu em 32,6 milhões de euros; a Atividade de Segurança Territorial em 145,2 milhões de euros; as Atividades Externas diminuíram em 49,8 milhões de euros; o “Tratamento econômico militar” (propriedades) cresceu em 2,3 milhões de euros.
São os recursos destinados às 'aquisições' os quais se elevaram: mais de 8,4%, 3.453 milhões, 266 milhões a mais em relação aos de 2010.
Paraonde vai este dinheiro? Em grande parte estão destinados ao programa F-35 (471,8 milhões de euros) e à compra de helicópteros NH-90 Agusta Westland (309,5milhões), de dois submarinos Ou-212 (164,3 milhões) e de outros helicópteros Ch-47 F Chinhook (137 milhões), além da modernização dos Tornado (178,3 milhões). Para as demais aquisições, já encaminhadas (caça Typhoon, adestrador Aermacchi M-346, fragatas Fremm e veículos de combate Flecha) se obterá recursos (pouco menos de um bilhão de euros) do Ministério de Desenvolvimento Econômico.
Teria que se perguntar, qual uso estratégico terá o caça-bombardeiros com capacidade de transporte de ogivas nucleares F-35 que nosso país terá que comprar em quantidades excessivas (131 unidades, embora das quais foi prometida - ainda sem confirmação - uma redução), ou o helicóptero Ch-47 Chinhook, do qual a Aeronáutica Italiana comprou 16 unidades, com o eventual agregado de 4 mais. Ou ainda mais o helicóptero de assalto NH 90 (116 veículos de 2000 a 2018).“Fragatas Fremm: conforme admitira o mesmo Ministro, La Russa (Farnborough, Grã-Bretanha 20 de julho), em apoio ao projeto italiano-francês, o governo italiano adiou a decisão” para outros 04 navios segundo o programa original (6 chegarão certamente), apressando-se a adicionar que “talvez não sejam indispensáveis” para a Defesa, mas “pode ser indispensável construí-los” para garantir a ocupação nos estaleiros navais italianos “para vendê-los a outros países”. O porta-aviões Cavour, como demonstrou a missão no Haiti, foi concebido com uma vasta gama de usos, dirigidos também a proteção civil: tudo, como é óbvio, para adquirir benevolência política a nível de atribuições.
O combustível, as reposições e as munições certamente não faltarão, para os meios de transporte e as tropas do Afeganistão. Faltarão certamente para os novos armamentos que nossos políticos esbanjadores decidiram comprar, despreocupado com a crise econômica e contra tendência ao sentido comum de seus colegas. Um entre eles, David Cameron, que drasticamente - e atrevidamente diminuiu os gastos militares em 8% para os próximos 04 anos.
Luzia Galassi
PEACE REPORTER 08 DE DEZEMBRO DE 2010.
ESCREVI EM 10 DE AGOSTO 2010:
MINHA RAIVA. MINHASEDE DE JUSTIÇA.
DISSE E REPITO, O ANTICRISTO O REPRESENTA OS VENDEDORES DE MORTE, OS ESPECULADORES DA VIDA HUMANA.
A POBRE ITÁLIA, TERMINA TAMBÉM ELA NO CIRCUITO INFERNAL DOS PAÍSES QUE VENDEM A MORTE.
MAS MINHA RAIVA CHEGA AO EXTREMO QUANDO VEJO UMA IGREJA CATÓLICA, UM VATICANO E SEUS PRÍNCIPES QUE POR MEDO, HIPOCRISIA E CUMPLICIDADE NÃO DIZEM NADA AOS COMERCIANTES DA MORTE.
AI! AI DE VÓS FARISEUS HIPÓCRITAS! ASSIM DISSE O JOVEM NAZARENO FILHO DE DEUS.
AI! AI DE VÓS, RAÇA DE VIBORAS, PRÍNCIPES DA IGREJA! DIGO EU. UMA VOZ QUE GRITA NO DESERTO.
A VÓS VENDEDORES DA MORTE REPITO: ESTEJAM ATENTOS!
DEUS VELA E MEDE, DIA APÓS DIA, HORA APÓS HORA O TEMPO DE SUA SANTA JUSTIÇA.
Giorgio Bongiovanni.
Sant' Elpidio a Mare - Itália.
AS BOMBAS PROIBIDAS QUE A ITÁLIA CONTINUARÁ VENDENDO.
Via livre à convenção da ONU, mas o governo de Berlusconi não assina.
(Por Maurizio Chierici)
Em 10 de agosto a convenção da ONU amarra as mãos de todos os países do mundo. Proibido fabricar, exportar e conservar em depósitos mais ou menos secretos as bombas cacho, cluster munition que pulverizam como as demais, mas não é tudo: espalham de 150 a 170 fragmentos que não são qualquer tipo de lascas, mas sim armadilhas mortais, pintadas para despertar a curiosidade de quem pega entre as ruínas ou as encontra entre a erva dos campos. Explodem com apenas um toque “mais eficazes que as minas anti-homem”. Cada ano tiram a vida de milhares de crianças: que morrem e que ficam diferentes das demais para sempre.
Gino Strada e sua organização Emergency são testemunhas do desastre do Afeganistão: pernas artificiais lançadas com pára-quedas em territórios perigosos flutuam no ar como fantasmas de plástico.
O documento é assinado por 30 países.
Para tornar obrigatória a convenção internacional, proposta pelo secretário da ONU BanKi-moon, seria necessária a adesão de pelo menos 30 governos. Os últimos em assinar por um “sentido de civilidade” foram Burkina Faso e Moldavia. A Itália se esqueceu de fazê-lo. Como sempre a Rússia, Estados Unidos, China, Paquistão e Israel ficam olhando com a indiferença de quem não suporta a moralidade fanática dos pacifistas, embora Obama esteja ocupado em uma moratória que freia o desregulamento do guerreiro Bush. Proíbe a exportação de armas não convencionais (além das clusters, mísseis de fósforo branco, napalm, etc.) com a ordem de destruir antes do ano 2018 os 800 milhões de bombas cacho que têm em estoque os arsenais americanos. Como é possível que a Itália não assine? Faz dois anos que dois de nossos ministros em Oslo apoiaram a iniciativa. “Estamos entre os primeiros cem países que pretendem uma guerra mais humana”.
Moral que causa risos porque nas guerras não há nada de humano e apesar de tudo parecia um ar de boa vontade. Mas se esqueceram. Muitas foram as explicações dadas. Perturbações políticas que afogam a memória, ou a conveniência para não pôr em crise as indústrias de armas que continuam voando. No ano 2008 (que são os últimos dados disponíveis) o valor das autorizações concedidas pelo governo para vender a outros países tanques de guerra, helicópteros, bombas de todo tipo, mísseis e instrumentos sofisticados de ataque, cresceu em 35%; 5.7 bilhões de euros. Uma tendência que se confirmou em 2009. Dentro de pouco tempo saberemos quantos negócios mais. A Turquia que esmaga os curdos é o cliente que vale ouro, 1.093 bilhões. Em seguida a França e muitos outros, entre os quais se encontra a Líbia, a Venezuela de Chávez, os Emirados Árabes Unidos, Omán, Kuwait e Nigéria. As empresas autorizadas por nosso Ministério de Defesa são 300. Três são os bancos privilegiados na intermediação: Os bancos Nazionale del Lavoro, Deutsche Bank e Societè Gere. Na cauda seguem os bancos Intesa e Unicredit. Milhões de lucros de uma passagem a outra. A parte da lista negra dos países aos quais está proibido vender diretamente - embora o ambíguo jogo das triangulações funcionam desde que Israel comprava na Europa e exportava à África do Sul do embargo projetado para desinflar o racismo de estado - e a partir da lista de governos que impõem semi liberdades desprezadas nos documentos das Nações Unidas, eis aqui o cinismo das ajudas humanitárias. Se a Itália ou outras nações estão presentes para socorrer o desespero das populações, as armas escorregam sem despertar censura.
Se na região de Lazio, continuam produzindo?
ARMI ITALIANE na Líbia onde (Amnesty e Human Rights Watch) que pretende liberdade de expressão, de associação ou de pensamento, pode ser condenada à morte. Sem falar do desumano recebimento dos fugitivos que escapam das ditaduras do Suam e Eritrea. Vendemos a Tailândia, na qual os camisas vermelhas do ex-presidente e o exército do presidente empossado se enfrentam revolucionando cidades e campos. A qual dos dois bandos lhe vendemos? Por não falar da Arábia Saudita, os Emirados, Omán onde as mulheres ficam à sombra na clandestinidade. Human Rights faz conhecer os depósitos de bombas cacho de nossa produção: “A Itália continua ocultando a quantidade”. Entre as empresas que produziram as bombas cluster e que não esclarecem se continuam e quantas bombas armazenam nos depósitos, está a fábrica Simmel Difesa de Colleferro. Vende à “Russa” munições para veículos blindados no Afeganistão. Faz alguns anos, enquanto a opinião pública se inquietava diante do suplício de mulheres e crianças queimados pelo fósforo branco americano em Falluja, ou israelense em Gaza, as bombas cacho do Afeganistão escandalizam televisões e jornais e a fábrica Simmel censura seu catálogo online: desaparecem as munições proibidas. Mas, graças a uma investigação do Rai News 24” e a informações de ONG's que velam pelos direitos humanos, se preenche os espaços vazios: a produção continua. Se isso for certo produzirá calafrios de horror. Porque existem ao redor de todo mundo 100 milhões de bombas sem explodir. Vender, ajuda muito aos negócios, mas que futuro estamos imaginando? O silêncio continua, a Itália não assina.
A responsabilidade não se pode esgotar na ambiguidade dos políticos ou nos negócios de ouro dos senhores da indústria armamentista: onde estão os sindicatos? Em 1984, em um debate com o Luciano Lamba, alguém lhe sugeriu que levasse de passeio a Beirut quase não destruída pelos canhões da Sharon, os operários da fábrica de armas Oto Melasse. Ontem como hoje as organizações sindicais Cgil-Cisl-Uil evitavam a conexão entre “o trabalho que torna livres” e “a liberdade de que esse trabalho queima a vida de povos longínquos”. Lama se zangou: “Converteremos os tanques de guerra em locomotivas, nos dêem tempo”. O tempo passa e na fábrica Simmel de Colleferro ninguém protesta. Em tempos de postos de trabalho que se perdem, porposto fixo vale a pena alguma distração.
IL FATTO QUOTIDIANO 06 DE AGOSTO DE 2010.
JOGO DUPLO
(De Gianluca Di Feoe Stefania Maurtizi)
Montanhas de armas para alimentar as guerras africanas. Vendidas por italianos. Um regime que pede sua percentagem sobre os negócios. Esta é a Líbia com a que Berlusconi sela acordos secretos.
Há um governo faminto de armas. Busca arsenais porque se sente fraco depois de quarenta anos de regime e teme as revoluções populares. E quer montanhas de metralhadoras para prosseguir sua descarada política de potência que nas últimas décadas contribuiu para encher toda a África de guerras civis. Esta é a Líbia que se materializa nas atas das mais desconcertantes investigações sobre o trafico de armas realizados na Itália: investigações, interceptações, seguimentos e exortações que contam no último “El dourado” do comercio bélico. Onde dignitários muito próximos ao coronel Ghaddafi se move com grande desenvoltura entre os negócios de Estado, interesses pessoais e tramas secretos. Esta é a Líbia onde irá Silvio Berlusconi, invocando acordos estratégicos para o relançamento da economia, mas sobre tudo para cortar nítida e definitivamente as viagens de emigrantes e ex-esilados para a ilha italiana de Lampedusa. Enquanto isso nas atas da investigação – como se refere “L’ Espreso” – surge o nome do mais importante ente libanês que se ocupa desses emigrantes que a Itália recusa e manda para trás. Deportações que estão criando duvidas em toda a Europa e não conseguem desanimar o desespero de quem desafia o mar e que frequentemente morre diante do desinteresse das autoridades maltesas.
Ante de Berlusconi, outra incrível equipe de empresários italianos tinham ido correndo a Trípoli para fazer negócios. São os novos mercadores da morte, figura inéditas e surpreendentes de quarentões que proveem com mísseis, helicópteros e bombardeiros os exércitos africanos. E que em poucas semanas passam das obras de construção a compra e venda de fuzis de ataque, tanques e canhões. Se tornar comerciantes é facilíssimo: encontrar meio milhão parece um jogo de meninos. Mas tudo está na mão: caças, radar, carros blindados. Se vai diretamente na fábrica, na China, na Ex-URSS ou nos países balcânicos.
O importante é ter amizade adequadas, contas offs-hore e um atalhos para evitar os controles. Tudo documentado em três anos de investigação da promotoria de Perugia. Tudo confirmado substancialmente – embora nem sempre com relevância penal – pelos mesmos interessados, em sala de interrogatório, na presença do juiz Dario Mazzi.
Uma cortina de fumaça. Como acontece frequentemente nas grandes tramas tem um começo banal, perdido no aborrecimento dos campos da região de Úmbria. Em dezembro de 2005, os carabineiros de Terni estavam investigando sobre um pequeno tráfico de haxixe. E a atenção dos militares se concentram sobre Gianluca Squerzolo, que trabalhava para uma empresa insolitamente ativa nos contratos de cooperação internacional: “a Sviluppo de Terni” (Desenvolvimento de Terni). Sobre tudo na Líbia haviam conseguido entrar nos provedores da nomenclatura mais próxima do coronel Ghaddafi. Reestruturou edifícios e chalés. Mérito sobre tudo dos contatos que soube criar Emete Moretti, um vulcânico manager toscano. Ao juiz Razzi conta ter acompanhado a um especialista de ozonoterapia para curar o leader (líder?) máximo da Jamairha: “Embora só fosse para lhe dar injeções, seguramente me fez antes um bom “screening” para ver se eu era de algum serviço secreto”. Como em todos os países árabes, também em Trípoli é necessário amizade e subornos. Por isso Moretti não se surpreende quando em março de 2006 lhe propõe um novo negócio: um fornecimento colosso de metralhadoras. Lhe fala disso Tafferdin Mansur, alto oficial no setor de provisões do exército libanês, “próximo ao chefe de estado maior general Abdulrahim Ali Al Sied”. Para se mover neste setor exigiria indivíduos com certa experiência. Entretanto, encarregam para esta primeira missão a Squerzolo que parte para Trípoli com um pequeno mostruário. Quando os carabineiros inspecionam suas maletas no aeroporto de Fiumicino em Roma ao invés de haxixe encontram outro tipo de mercadoria completamente diferente: um catálogo de armas. Em seguida se dão conta de ter descoberto algo gordo: lhe deixam partir e começam com as interceptações através das quais localizam os outros dois sócios.
Mister Gold Rock. Massimo Betinotti, 42 anos, vive em La Spezia e é hábil em conseguir contatos bélicos. Está também Serafino Rossi, empresário agrícola que viveu por muito tempo no Perú e que Lee Jane’s a revista militar mais competente do setor e que entre uma semeadura e outra sabem reconhecer qualquer modelo de caça. O nome mais misterioso é o de Vittorio Dordi de 44 anos, nascido em Cazzaniga província de Bérgamo, que interrompeu os estudos depois do bacharelado elementar. Sua carreira parece tirada de uma novela. Conta que emigrou das fabricas têxteis da Lombardia ao Uzbequistão para construir fábricas e teares. Em 1998 abre um escritório no Congo: conta que foi chamado pelo presidente Kabila para dar uma nova vida ao cultivo de algodão. Mas sua vocação é outra. No Congo se converte em uma espécie de conselheiro do ministro de Defesa e obtém um passaporte diplomático e a concessão para mineração de diamantes. Em 1999 no Chipre fundaa Gold Rock e começa a mover-se no mercado russo das armas: “Dezoito anos de experiência, sabe? Sou bastante conhecido... - “se alardeia com o juiz. Conta que sua especialidade é a Geórgia, onde se produz artefatos de valor. Durante o interrogatório cita o Sukhoi 25, um bombardeiro que é a fênix dos conflitos africanos. Um avião encouraçado, projetado nos tempos da invasão do Afeganistão: robusto, simples, decola inclusive em pistas sem asfalto e não teme nem os canhoneiros nem os mísseis. De vez em quando esquadrilhas fantasmas destes jatos com tripulações mercenárias despontam de repente nos massacres do continente negro. Também no Congo, obviamente. Dordi não se apresenta como um simples comprador: fala de seu rol no acionariado das empresas que constroem caças e helicópteros. Presunção? Os depósitos bancários identificados pelos magistrados em Malta, Chipre e San Mariano parecem indicar transações importantes e um tesouro de 22 milhões de euros assegurados no banco Titânio.
Mas as surpresas de Mister Gold Rock não se acabam. “Vós ver a Dordi como uma pessoa que vende só armas, não é nada verdade”, - explica ao juiz seu amigo Serafino Rossi: “Me disse que ele é sócio de um importante construtor espanhol que faz estradas, pontes, e que estava comprando a equipe de futebol “Parma” . É Florentino Perez esse construtor espanhol, - deduz o procurador: o boss do Real Madrid que gastou quantidades demências por sua equipe de estrelas. Perez, disse sempre Rossi, que tinha investido muito no Congo e Dordi conta com trabalho juntos, “visto que são muito amigos”. Junto aos novos amigos, Dordi trata também de mais um outro negócio: 50.000 kalashnikovy e 5.000 metralhadoras russas destinadas “a um presumível representante do governo iraquiano” a enviar com a “aprovação do governo americano”; canhões navais para o Sirilanka, helicópteros para o Paquistão, Mig de segunda mão para a Lituânia.
Operações Encobertas. Para alguém como ele, os kalashnikov são mercadorias de pouco valor. Mas sabe que os líbios buscam mais outra coisa: vinte anos de embargo decretados depois dos atentados de Lokerbie e Berlim, tornaram Trípoli apetitosa. Dordi espera aproveitar os contatos que partiram da região de Úmbria para obter um pedido mais rico. O juiz descreve detalhadamente os encontros com os responsáveis pelo rearmamento libanês: querem aparatos para modernizar os carros armados T72, helicópteros de combate, mísseis terra-ár de última geração. Em resumo, o melhor para que a armada de Ghaddafi retorne ao estado dos anos setenta. Então, por tanta insistência em buscar uma montanha de velhas kalashnikov, tudo do modelo mais antigo e rústico? Meio milhão de Ak47 e dez milhões de projeteis, uma quantidade muito superior às necessidades do exército libanês. São as próprias pessoas investigadas a que dão uma resposta nas interpretações: querem nos presentear por todos os lados, entende”? O juiz fala de exigências político/militares, e as pessoas investigadas sabem que uma parte do pedido será cedido a terceiros. Nenhum problema para eles se as armas forem destinadas a Estados ou a movimentos opostos à política estrangeira italiana. É uma velha história. Desde finais dos anos setenta os libaneses tentaram exportar sua revolução verde a meio mundo, doando caixas de artefatos: desde o Chad até a Nicarágua, do Sudão à Libéria.
“Tangentopoli” emTrípoli.
Nossos compatriotas são mestres no esperanto do suborno. Pagam as mensalidades do colégio londrinense para filhos do coronel Mansur, além de outros 250.000 dólares; o mesmo ao engenheiro líbio que examina o shopping bélico. Fazem o dinheiro aumentando os custos: os kalashnikov são pagos a 85 dólares e revendidos por 136. “Sobre 64800.000 dólares que os líbios pagarão, 0s 60% caberá aos italianos”. Porem o dinheiro não fica em seus bolsos: “Não são infundadas as pretensões dos líbios de obter um preço mais elevado da corrupção em relação ao que até agora lhes correspondeu”, - acrescenta com um fio de ironiao juiz. Os oligarcas da Jamairhia igualmente sabem que seu poder deve ser defendido. Na primavera de 2006 a rebelião islâmica de Bengasi, nascida como protesto da camiseta do ministro Calderoli, os surpreende. Também se teme pela saúde de Ghaddafi. Por isso pedem com urgência instrumentos anti-motim: 250 balas de borracha, 750 lança granadas lacrimogêneas, escudos e coletes protetores.
E-mail sem parar.
Como se faz para encontrar meio milhão de metralhadoras?
Basta só escrever um e-mail a Norinco, o colosso chinês, onde os compradores com boas referências são recebidos com braços abertos. “Nenhum problema, nós não saímos de férias: “em três meses terão os primeiros 1000.000”, respondem em um instante. Se encontram também as sociedade – em Malta e Chipre – que segundo os investigadores –servem para superar as proibições da lei italiano. Mas os líbios não são nada desprevenidos: antes querem testar nossa mercadoria. Assim Moretti e Bettinotti organizam o envio de 06 fuzis de assalto e 18 carregadores, da China a Trípoli, tornado vã a rede de cobertura. Se corre o risco de que o negocio salte. Em ambas margens do mediterrâneo se trata de achar uma solução que leva o nome de Khaled K. El Hamedi, presidente do grande holding líbio Eng Holding. Segundo a promotoria este holding “foi intermediário nos negócios dos kalashnikov”. El Hamedi é um elemento importantíssimo da nomenclatura líbia. É cunhado de um dos filhos de Ghaddafi. E mais como se refere a revista “El Expresso” uma fonte que solicita ficar anônima “o pai é o general Khweldi El Hamedi, o membro mais respeitado do Conselho de Comando da Revolução: uma personalidade que investiu vários cargos nos Ministérios de Defesa de inteligência e instrução”.
Mitra e direitos humanos.
Na noite de 14 de setembro de 2006, Bettinotti envia um fax ao 002182114780777 com destino a Eng Hollding, à atenção de Khaled El Hamedi, com o número de envio kalashinkov “falsificado por Bettinotti para evitar que possam chegar a seu nome”. Esse número de fax corresponde além disso, como o “El Expreso” está em grau de revelar a uma importante Ong da qual Khaled El Hamedi é presidente: a “International Organization for peace, care and relielf” (www.ioppcr.org) de Trípoli. Uma organização muito ativa na ajuda à população palestina, que além disso, assiste aos imigrantes que estão em trânsito na Líbia. Comenta ao “El Expreso” uma fonte competente que trabalha no setor de direitos humanos: “É a maior organização líbia que atua no setor dos imigrantes. Tem acordos com as Altas delegacias da ONU para os refugiados, para permitir o acesso aos campos de detenção de Misratah”. Se trata de uma das estruturas onde também terminam os imigrantes recusados pelo novo acordo Itália/Líbia. “Eles são os únicos que podem entrar em certas estruturas. Cada associação que trabalha no campo da imigração deve passar por eles. Também trabalharam com o Conselho Italiano para os Refugiados – CIR”. Em 2008 Savino Pezzota, presidente do CIR e Khaled El Hamedi se encontram em Roma para assinar um acordo de colaboração em defesa dos imigrantes.
Game over. Os sonhos bélicos dos empresários à italiana se detiveram no mostruário dos 06 kalashnikov. Em fevereiro de 2007 se expediu as ordens de prisão. Squarzolo, Moretti, Rossi e Betinotti foram capturados imediatamente. Em troca Vittorio Dordi permanece no Congo. As oportunidades, - como ele mesmo declara – não lhe faltam. “Em 16 de Agosto de 2007 fui à embaixada italiana e falei com o cônsul geral Eduardo Pucci, que é um conhecido meu há quatro anos, que vinha a minha casa e eu ia também à sua. Lhe pus a par da situação”. Depois disse, é a vez da embaixada norte americana onde fala com o “security officer da CIA (escritório de segurança da CIA)”. Mas sua situação já está comprometida. Em setembro de 2008 Dordi é expulso do Congo como pessoa não grata e termina preso. A primeira audiência teve lugar em junho onde resultou em uma condenação de quatro (4)anos. Em troca, a defesa se prepara para recusar as acusações no processo, apoiado fortemente pela assistência de Giulia Bongiorno, deputada do PDL e presidente da Comissão de Justiça. A maior arma de defesa possível.
Em 27 de Agosto de 2009.