Levantar e Seguir
Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel
Editora GEEM
1992
Leitor amigo.
Levantar, erguer, içar, altear são verbos sinônimos; no entanto, cada um, quando vocalizado, pede o objetivo para o qual se dirige, indicando para que, onde, como e quando.
Quando Jesus atendeu o paralítico disse claramente:
— “Levanta-te e segue.”
Em síntese, o Divino Mestre convidava-o a erguer-se e seguir adiante, devidamente renovado, auxiliando os outros, qual estava sendo auxiliado.
É que, de modo geral, grande número de criaturas humanas jaz sentada ou acomodada em suas próprias vantagens passageiras.
Ao toque do ensinamento ou da influência de Jesus, se modificam, no íntimo, aceitando a lição do Divino Mestre ou magnetizadas pelo encantamento da oração.
No conceito delas próprias, espiritualmente se levantaram para a fé que não possuíam, adquirindo uma postura de confiança em Deus que se lhes mantinha ignorada. Sentem-se erguidas às novas concepções da vida ou em novos pensamentos, mas que se esquecem da ação que lhes complementaria a libertação dos males ou imperfeições que ainda carregam.
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Levantam-se, entretanto, prosseguem na rotina a que se habituaram.
Alteiam-se no campo emotivo, mas não se movimentam para o trabalho do bem ao próximo.
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Quem recorre ao Cristo, extasia-se com a suavidade imensa que lhe caracteriza a presença no próprio coração, entretanto, não basta essa forma de encantamento para lhe alterar a vida pessoal.
A inteligência se alteia na maneira de ser das pessoas, mas prossegue acomodada nos seus próprios interesses de ordem material.
Levantar e seguir, na lição do Senhor, significa movimentar-se buscando o caminho que Ele mesmo trilhou, trabalhando o caminho que Ele mesmo trilhou, trabalhando quanto lhe seja possível a benefício dos nossos irmãos, sejam quem sejam, esquecendo-lhes as deficiências e erros, encorajando-lhes a renovação para o bem, olvidando-lhes quaisquer ofensas, ignorando-lhes, voluntariamente as fraquezas e amparando-lhes as necessidades, perdoando e amando, instruindo, sobretudo com os próprios exemplos, e doando-lhes o conhecimento da vida, soerguendo-lhes as forças quando as provações ou problemas lhes marquem os dias, sem esperar compensação de qualquer natureza.
Em suma, erguendo-se e acompanhando os passos do Divino Mestre que nos deixou essa fórmula inesquecível:
— “Quem procura encontrar-me, negue a si mesmo, tome a cruz que lhe cabe e siga os passos.”
Emmanuel
Uberaba, 5 de Junho de 1992
“Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o.”
— Paulo — Tito: - 3-10
O ato de aconselhar tem a sua época própria, à maneira de todas as cousas.
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Muitos aprendizes costumam esquecer que se encontram no mundo em serviço de retificação do pretérito e de auto-iluminação, estacionando em falsos caminhos.
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Insistentemente consultados, não percebem a trama sutil que lhes detém os passos e, quando não regressam à vigilância, vão olvidando inconscientemente a si mesmos.
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A preguiça sempre se orgulhou de encontrar uma advogada na complacência fácil.
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E conferindo-lhe posição de superioridade, nela se apoia para a dilatação de todos os erros.
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A primeira deseja uma companhia para os maus caminhos; a segunda aprova, em vista da falsa situação de destaque em que foi colocada.
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Daí o veneno sutil da ociosidade que sempre busca os conselhos de sua mentora, para fazer, em seguida, às ocultas, que bem entende, voltando sempre a se aconselhar novamente.
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Reportando-nos ao ensinamento de Paulo, não queremos dizer que a rebeldia ou a ignorância devam ser sumariamente condenadas, quando a própria heresia, tem, por vezes, a sua tarefa.
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Elas merecem uma ou outra admoestação, devem ser credoras de nossa atividade fraternal, mas passado o tempo em que nosso concurso era suscetível de lhes restaurar as estradas, não será justo dar-lhes força para a irreflexão.
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Temos, igualmente, o nosso roteiro e as nossas experiências.
Estacionar com elas na falsa atitude de conselheiros seria desempenhar o papel da complacência frente à ociosidade criminosa.
Na hora atribulada de crise em que as circunstâncias te prostraram a alma na provação, muitos acreditaram que não mais te levantarias; no entanto, quando as trevas se adensavam, em torno, descobriste ignoto clarão que te impeli à trilha da esperança, laureada de sol.
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Na cela da enfermidade, muitos admitiram que nada mais te faltava senão aceitar o lance da morte, contudo, nos instantes extremos, mãos intangíveis te afagaram as células fatigadas, renovando-lhes o calor, para que não deixasses em meio a serviço que te assinala à presença na Terra.
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No clima da tentação, muitos concordaram em que apenas te restava a decadência; todavia, nos derradeiros centímetros da margem barrenta que te inclinava ao despenhadeiro, manifestou-se um braço oculto que te deteve.
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Na vala da queda a que te arrojaste, irrefletidamente, muitos te julgaram para sempre em desprezo público, entretanto, ao respirares, no cairel da loucura, recolheste íntimo apoio, que te guardou o coração, refazendo-te a vida.
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Na tapera da solidão a que te relegaram os entes mais queridos, muitos te supuseram em supremo abandono, mas no último sorvo do pranto que te parecia inestancável, experimentaste inexplicável arrimo, induzindo-te a buscar afetos que passaram a enobrecer-te.
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No turbilhão das dificuldades que te envolvem o dia, pensa em Deus, o Amor Onipresente, que não nos desampara.
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Por mais aflitiva seja a dor, trará Ele bálsamo que consola; por mais obscuro o problema, dará caminho certo à justa solução.
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Ainda assim, não te afoites em personalizá-Lo ou defini-Lo. Baste-nos a palavra de Jesus que no-Lo revelou como sendo Nosso Pai.
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Sobretudo, não te importe se alguém lhe nega a existência, enquanto se lhe abrilhantam as palavras nas aparências do mundo, quando pudeste encontrá-Lo, dentro do coração, nos momentos de angústia.
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É natural seja assim.
Quando a noite aparece, é que os olhos dos homens conseguem divisar o esplendor das estrelas.
“E levantando ele os olhos, disse: Vejo os homens, pois, os vejo como árvores que andam.”
— Marcos: - 8-24
O cego de Bethsaida, retomando os dons sagrados da vista, proferiu observações de grande interesse.
Sua comparação é das mais belas.
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O reino das árvores apresenta silenciosas mensagens aos que saibam ouvi-lo.
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Qual acontece, no caminho das criaturas, existem árvores de todos os feitios.
Veem-se as que se cobrem apenas de ramos farfalhados à maneira dos homens palavrosos; as tortuosas, copiando os seres indecisos, ensaiando passos para o ingresso nas estradas retilíneas; as de tronco espinhoso, imitando os espíritos mais ásperos e ainda envenenados; as frutíferas que auxiliam carinhosamente as criaturas, não obstante os golpes e incompreensões recebidos, dando a ideia das almas santificadas, que servem ao Bem e à Verdade, no silêncio divino.
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Nessa flora, como os seres ignorantes e grosseiros que ainda não chegaram a ser homens espirituais, não obstante a sua forma física, existem igualmente as plantas invasoras e parasitarias que não chegaram a ser árvores, apesar da forma verde de suas folhas.
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Quem não terá visto, alguma vez, a erva daninha, tentando sufocar a laranjeira, imitando as lutas da estrada humana?
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Quem não terá observado a trepadeira fascinante, florindo na coroa de uma árvore centenária, dando a impressão de ser tão alta e de tronco tão robusto, quanto ela?
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Que homem não terá reconhecido o ataque das plantas minúsculas que costumam esconder as estradas e invadir as propriedades ao abandono?
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O plano dos vegetais oferece às criaturas lições de profundo valor.
Se já podes ver, como aquele cego feliz de Bethsaida, procura ser um elemento útil e digno, entre as árvores que andam.
Cada vez que nos reportamos aos serviços da cura, é justo pensar nos enfermos, que transcendem o quadro da diagnose comum.
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Enxameiam, aflitos, por toda parte, aguardando medicação.
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Há os que cambaleiam de fome, a esmolarem doses de alimentação adequada.
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Há os que tremem desnudos, requisitando a vestimenta em roupa conveniente.
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Há os que caem desalentados, a esperarem pela injeção do bom-ânimo.
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Há os que se arrojaram nos tormentos da culpa, rogando tranquilizantes do esquecimento.
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Há os que se conturbam nas trevas da obsessão a pedirem palavras de luz por drágeas de amor.
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Há os que choram de saudade nos aposentos do coração, suplicando a bênção do reconforto.
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Há os que foram mentalmente mutilados por desenganos terríveis, a suspirarem por recursos de apoio.
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E há, ainda, aqueles outros que se envenenaram de egoísmo e frieza, desespero e ignorância, exigindo a terapêutica incessante da desculpa incondicional.
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Auxilia, dessa forma, os doentes, mas não desprezas os doentes da alma, que caminham na Terra aparentemente robustos, carregando enfermidades imanifestas que lhes consomem o pensamento e desfiguram a vida.
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Todos podemos ser instrumentos do Bem, uns para com os outros.
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Não esperes que o companheiro se acame prostrado ou febril para estender-lhe esperança e remédio.
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Auxilia-o, hoje mesmo, sem humilhar ou ferir, de vez que a verdadeira caridade, tanto quanto possível, é tratamento indolor da necessidade humana.
Os Emissários do Cristo curam os nossos males em divino silêncio.
Diante dos outros, procedamos nós igualmente assim.
E Jesus, respondendo, disse-lhes: pela dureza de vossos corações vos deixou ele escrito esse mandamento.”
— Marcos:- 10-5
Comentando o dispositivo aprovado por Moisés, com referência ao divórcio, Jesus tem uma luminosa definição, dentro do assunto.
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O Mestre explica sabiamente que a instituição não procedia da esfera de influenciação divina, mas sim, da dureza dos corações humanos.
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Quer isso dizer que o divórcio é uma providência oriunda da maldade, a fim de que a maldade não destrua, de todo.
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Por melhor defendida pelos argumentos de juízes e sociólogos, a medida, cristãmente considerada, não pode passar disso.
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Esse ou aquele cônjugue movimenta o processo separacionista justificando a atitude, com a alegação de que procura evitar o pior; entretanto, isso não constitui senão trama individual, quando não representa insanidade criminosa.
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O casal que procura semelhante recurso não faz mais que adiar o resgate de um débito, agravando os esforços do pagamento, pelas suas noções de irresponsabilidade.
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Desdenha-se a possibilidade de hoje, mas não se poderá fugir às imposições de amanhã.
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O marido grosseiro ou a esposa ignorante são também campos de trabalho do Senhor, além dos laços poderosos do pretérito que a união conjugal evidencia.
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Muita gente busca essa válvula para escapar da experiência útil, entregando-se à variedade viciosa, mas vale-se de uma medida nascida da dureza dos corações humanos e não faz mais que caminhar ao encontro de seus efeitos perniciosos.
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Os que se encontram em trânsito, da animalidade para a espiritualidade, devem meditar a lição de Jesus, abandonando a preocupação de meros caçadores de prazer.
Se a preguiça te pede: — “Descansa!”, responde-lhe com algum acréscimo de esforço no trabalho que espera por teu concurso.
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Se a vaidade te afirma: — “Ninguém existe maior que tu!”, retribui com a humildade, reconhecendo que não passamos de meros servidores da vida, entre os nossos irmãos de luta.
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Se o orgulho te diz: — “Não cedas!”, aprende a esquecer-se, auxiliando sempre.
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Se o ciúme te segreda aos ouvidos: — “A posse é tua!”, guarda silêncio em tua alma e procura entender que o amor e o bem são bênçãos do Céu, extensivas a todos.
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Se o egoísmo te aconselha: — “Retém!”, abre as tuas mãos e distribui a bondade com os que te cercam.
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Se a revolta te assevera: — “Reage e reivindica os teus direitos!”, aguarda a Justiça Divina, trabalhando e servindo com mais abnegação.
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Se a maldade te sugere: — “Vinga-te!”, considera que mais vale amparar constantemente o companheiro, quanto temos sido auxiliados por Jesus, a fim de que o amor fulgure em nossas vidas.
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Os falsos profetas vivem nos recessos de nosso próprio ser.
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Surgem, cada dia, invariáveis, na forma da intriga ou da maledicência, da leviandade ou da indisciplina, induzindo-nos a cerrar o coração contra a consciência.
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Se aceitamos Jesus em nosso roteiro, ouçamos o que nos diz o seu ensinamento e apliquemo-nos na prática de Suas lições Sublimes.
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Olvidemos as insinuações da ignorância e da treva, da crueldade e da má fé, que nos enrijecem o sentimento e, de coração unido à Vontade do Mestre, vendo a vida por seus olhos e ouvindo os nossos irmãos, através de seus ouvidos, estaremos realmente habituados à posição de interpretes do seu Infinito Amor, em qualquer parte.
Comumente inventamos toda a espécie de pretextos para recusar os deveres que nos constrangem ao exercício do Bem.
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Amolentados no reconforto e instalados egoisticamente em vantagens pessoais, no imediatismo do mundo, ignoramos que é preciso agir e servir na solidariedade humana; todavia, derramamos desculpas a rodo, escondendo teimosia e mascarando deserção.
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Confessamo-nos incompetentes.
Alegamos cansaço.
Afirmamo-nos sem tempo.
Declaramo-nos enfermos.
Destacamos a necessidade de vigilância na contenção do vício.
Reclamamos cooperação.
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Aqui e ali, empregamos expressões cornificadas que nos justifiquem a fuga, como sejam “muito difícil”, “impossível”, “melhor esperar”, “vamos ver” e ponderamos vagamente quanto aos arrependimentos que nos amarguram o coração e complicam a vida, em face de sentimentos, ideias, palavras e atos infelizes a que, em outras ocasiões, nos precipitamos de maneira impensada.
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Na maioria das vezes, para o Bem, exigimos o atendimento a preceitos e cálculos, enquanto que, para o mal, apenas de raro em raro, imaginamos consequências.
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Entretanto, o conhecimento do Bem para que o Bem se realize é de tamanha importância que o apostolo Tiago afirma no versículo 17 do capitulo 4 de sua carta no Evangelho:
“Todo aquele que sabe fazer o Bem e não o faz comete falta.”
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E dezenove séculos depois dele, os Instrutores desencarnados que supervisionaram a Obra de Allan Kardec desenvolveram o ensinamento ainda mais, explicando na Questão 642 de “O Livro dos Espíritos”:
“Cumpre ao homem fazer o Bem, no limite de suas forças, porquanto responderá pelo mal que resulte de não haver praticado o Bem.”
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O Espiritismo, dessa forma, definindo-se não apenas como sendo religião da Verdade e do Amor, mas também da Justiça e Responsabilidade, vem esclarecer-nos que responderemos, não só pelo mal que decorra do nosso comodismo, como também não praticando o Bem que nos cabe fazer.
Falso profeta não é somente aquele que perturba o serviço da fé religiosa.
Sempre que negamos a execução fiel dos nossos deveres, somos mistificadores, diante da Lei Divina, que nos emprestou os dons da Terra, em favor do aprimoramento de nós mesmos.
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Na maledicência, somos falsos profetas da fraternidade.
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Na discórdia, somos mistificadores da paz.
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Na preguiça, somos charlatões do trabalho.
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Na indiferença, somos inimigos do dever.
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Toda vez que olvidamos as nossas obrigações de solidariedade para com os nossos semelhantes, que prejudicamos o serviço que nos cabe atender, que fugimos aos nossos testemunhos de humildade, que oprimimos as criaturas inferiores, somos falsos profetas do ideal superior que abraçamos com o Cristo.
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A Terra é a nossa escola.
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O Lar é o nosso templo.
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O Próximo é o nosso irmão.
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A Humanidade é a nossa família.
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A Luta é o nosso aprendizado.
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A Natureza é o livro sublime da vida.
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Não nos esqueçamos, assim, de que, um dia, seremos chamados à prestação de contas dos talentos e dos favores que hoje desfrutamos, para resgatar o dia de ontem e santificar o dia de amanhã.
“E projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo:
— José, filho de David, não temas receber a Maria.”
— Mateus: -1-20
Em geral, quando nos referimos aos vultos masculinos que se movimentam na tela gloriosa da missão de Jesus, atendemos para a precariedade dos seus companheiros, fixando, quase sempre, somente os derradeiros quadros de sua passagem no mundo.
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É preciso, porém, observar que, a par de beneficiários ingratos, de ouvintes indiferentes, de perseguidores cruéis e de discípulos vacilantes, houve um homem integral que atendeu a Jesus, hipotecando-lhe o coração sem mácula e a consciência pura.
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José da Galileia foi um homem tão profundamente espiritual que seu vulto sublime escapa às analises limitadas de quem não pode prescindir do material humano para um serviço de definições.
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Já pensaste no cristianismo sem ele?
Quando se fala excessivamente em falência das criaturas, recordemos que houve tempo em que Maria e o Cristo foram confiados pelas Forças Divinas a um homem.
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Entretanto, embora honrado pela solicitação de um anjo, nunca se vangloriou de dádiva tão alta.
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Não obstante contemplas a sedução que Jesus exercia sobre os doutores, nunca abandonou a sua carpintaria.
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O mundo não tem outras notícias de suas atividades senão aquelas de atender às ordenações humanas, cumprindo um édito de César e as que no-lo mostram no templo e no lar, entre a adoração e o trabalho.
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Sem qualquer situação de evidencia, deu a Jesus tudo quanto podia dar.
A ele deve o cristianismo à porta da primeira hora, mas José passou no mundo dentro do divino silêncio de Deus.
“E passando, viu Levi, filho de Alpheu e disse-lhe:
— Segue-me. E, levantando-se, o seguiu.”
— Marcos: -2 – 14
É interessante notar que por todos os recantos onde Jesus deixou o sinal de sua passagem, houve sempre grande movimentação no que se refere ao ato de levantar e seguir.
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André e Tiago deixam as redes para acompanhar o Salvador.
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Mateus levanta-se para segui-Lo.
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Os paralíticos que retomam a saúde se erguem e andam.
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Lázaro atende-Lhe ao chamamento e levanta-se do sepulcro.
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Em dolorosas peregrinações e profundos esforços de vontade, Paulo de Tarso, procura seguir o Mestre Divino, entre açoites e sofrimentos, depois de se haver levantado às portas de Damasco.
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Numerosos discípulos do Evangelho, nos tempos apostólicos, acordaram de sua noite de ilusões terrestres, ergueram-se para o serviço da redenção e demandaram os testemunhos santificados no trabalho e no sacrifício.
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Isso constitui um acervo de lições muito claras ao espírito religioso dos últimos tempos.
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A maioria dos cristãos vai adaptando, em quase todos os seus trabalhos, a lei do menor esforço.
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Muitos esperam pela visita pessoal de Jesus, no conforto das poltronas acolhedoras, outros fazem preces por intermédio dos discos.
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Há os que desejam comprar a tranquilidade celestial com as espórtulas generosas, como também os que sem nenhum trabalho, em si próprios, aguardam por intervenções sobrenaturais dos Mensageiros de Cristo pelo bem-estar de sua vida.
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Pergunta a ti mesmo se estás seguindo a Jesus ou apenas ao culto externo do teu modo de filiação ao Evangelho.
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Isso é muito importante, porque levantar e renovar-se ainda é o nosso lema.
“E chegando ao lugar chamado Gólgota que se diz:
— Lugar da Caveira.”
— Mateus:- 27-33
É importante que Jesus haja fornecido seu derradeiro ensinamento, na passagem pela Terra, no cimo de um monte que se intitulava vulgarmente “Lugar da Caveira”.
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Circunstância quase nunca comentada pelos discípulos, ela indica uma paisagem de poderosas sugestões mentais.
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É que o homem, na recapitulação de cada existência, defronta numerosas estações com finalidades específicas.
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Na primeira infância, encontra um lugar de mimos e brinquedos; na meninice um departamento de noções iniciais; na juventude, um caminho de preparação; na idade maior, uma senda de esforço e realização própria.
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Assim também, todas as posições da estrada evolutiva indicam estações com objetivos definidos.
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O trabalho é um lugar destinado à aquisição de experiências nobilitantes; a saúde física e a satisfação no mundo constituem oportunidade para obtenção de temperança, como a dor e a escassez são zonas de vida espiritual, em que as virtudes mais santas podem ser encontradas.
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Todas as situações são lugares em que o Pai observa o comportamento reto ou condenável dos filhos.
É possível que o homem não transite por grande número delas, em uma só existência terrestre, mas Jesus, dando-nos a entender a responsabilidade de cada um, ao termo de cada etapa da obra eterna, revelou às criaturas que ninguém poderá escapar à estação de partida, onde todo homem se mostrará plenamente.
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Para isso deixou ao mundo a poderosa lição do Lugar da Caveira.
Esse é um lugar comum para todas as criaturas humanas.
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E a continuidade da vida, além, será o reflexo das tarefas efetuadas.
“Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula;
porém, aos que se dão à prostituição e aos adúlteros, Deus os julgará.”
— Hebreus: - 13-4
Ninguém naturalmente será compelido a compromissos obrigatórios, diante das leis que nos regem a evolução, mas quando alguém se fixe num acordo sagrado, perante a vida, deve estar preparado a mantê-lo, até a renovação de suas experiências, no quadro dos Desígnios de Deus.
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Entre esses compromissos da Terra, permanece o do matrimônio como um dos laços mais santos.
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Essa venerável instituição é a raiz de todas as nobres organizações que dignificam o planeta.
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Nos dias que passam, certa situação de desequilíbrio ameaça o caminho de numerosos cônjuges, nas estradas do mundo.
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Porque muitos homens hão desdenhado os seus títulos de paternidade, muitas mulheres vão desprezando os seus valores benditos de mães.
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Os lares são também os lugares santos que vão padecendo transformações.
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Entretanto, a solução essencial dos problemas humanos deve proceder do “leito sem mácula”, pilar da organização sociológica que desejais para os vossos dias.
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Numerosas criaturas acusam o matrimônio e alegam que não encontraram em sua instituição a ventura que lhes é devida.
Todavia, se não colheram a felicidade é que necessitavam do trabalho obtido e toda oportunidade de trabalho é caminho para os júbilos do porvir.
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Lares infelizes significam cônjuges inconscientes de seus deveres, com as exceções justas.
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Tarde ou cedo, os homens e as mulheres, desviados das obrigações divinas, voltarão à simplicidade inicial para tornarem a apreender no livro da abnegação e do respeito a Deus, porque a existência não é um feriado para indisciplinas, mas um dia de trabalho santo em que o espírito deve entrar na posse de sua herança eterna, entre as bênçãos de luz e paz da alegria de viver.
A aflição pode ser o preço do resgate, o recurso da dor que reajusta, o remédio que corrige ou o choque de retorno que redime, mas se modificas a tua aflição de lugar, no campo do próprio espírito, de certo será ela transformada em processo de tua abençoada sublimação.
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Aflige-se em pedir desculpas ao companheiro que ofendeste e não terás um credor no dia de amanhã.
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Aflige-te em auxiliar os semelhantes e não serás relegado ao abandono.
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Aflige-te em cumprir os deveres que te competem, no círculo doméstico, e não serás provado pelo desrespeito ou pela ironia dos corações que te circundam no templo familiar.
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Aflige-te em procurar o bem, praticando-o com o teu sentimento, com a tua boca e com as tuas mãos e o mal não te surpreenderá em seus laços escuros.
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Aflige-te em dar e o Senhor dar-te-á dos Seus Suprimentos do Amor Infinito a benefício de ti mesmo.
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Aflige-te em retificar agora o caminho que deves percorrer e a harmonia estará contigo.
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Não te esqueças de que Jesus se afligiu em esclarecer-nos e redimir-nos e, por isso mesmo, além da Cruz, é a claridade dos séculos a convocar-nos, através da bondade e do sacrifício, para a Bênção Divina da ressurreição e do amor.
“Eu sou devedor, tanto a gregos como a bárbaros,
tanto a sábios como a ignorantes.”
— Paulo — Romanos: - 1-14
De que natureza seria o debito de Paulo quando sabemos que o doutor dos gentios foi humilde tecelão para ganhar o sustento próprio até o fim de sua passagem apostólica, sem ser pesado a ninguém?
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Sua afirmativa, no entanto, constitui lição de elevada substância para todos os espíritos que receberam alguma cousa das verdades poderosas e eternas.
Quem alcançou a felicidade de compreender o ensinamento do Cristo ou de seus emissários recebe um sagrado depósito em valores imortais.
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E é justo que quem saiba se constitua em devedor de quem ignora, quem tenha se reconheça como devedor de quem não possua.
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No ato de ensinar ou de proporcionar reside, porém, uma das grandes situações desse mecanismo de realização do pagamento.
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Ninguém aprenderá entre irritações, nem aproveitará quando a dádiva favoreça os desvios da consciência.
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O Cristão sincero, portanto, encontrará um meio de convencer sem muitas discussões e um recurso para beneficiar a outrem sem a cooperação mecânica das possibilidades financeiras, de modo absoluto.
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A palavra do amigo do gentilismo renova os conceitos de luta das convicções.
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Dentro de seu quadro, Nero não mais seria apontado como perseguidor dos mártires, mas como necessitado da luz que os mártires cristãos possuíam.
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Esta é uma consoladora verdade que encherá a alma dos aprendizes fiéis de compreensões generosas.
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Quando encontres alguém no mundo, com os títulos de ignorantes ou de sábio da Terra, que te assalte com ironias, faze-lhe algum bem, por amor a Cristo, saldando a tua dívida.
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E além de tudo, considera a tua felicidade, porque podes seguir para Jesus, enquanto o infeliz ainda permanece no mundo da sombra.
“E ordenou-lhes que nada tomassem para o caminho, senão somente um bordão;
nem alforje, nem pão, nem dinheiro no cinto.”
— Marcos: - 6-8
Entre as recomendações do Mestre aos apóstolos, na ocasião de início de sua sublime tarefa, existe uma observação interessante mencionada por Marcos, embora Lucas e Mateus não a registrem nas suas anotações.
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No Evangelho do grande companheiro de Simão Pedro, Jesus esclarece que os discípulos não necessitam de alforje, de pão ou de dinheiro para o caminho, mas que precisam de um bordão para a grande jornada.
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Não se trata de bordões, mas de um somente, como está claro nas recomendações do Messias.
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Não destacamos o conselho para afirmar que o homem deva assumir atitudes de ataque, de supremacia ou de revide injustificável, mas desejamos assinalar que o instrumento mencionado é o símbolo da vigilância permanente, indispensável à criatura.
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Um bordão serve para analisar os fojos da estrada, coopera para que se possa distinguir um verme de uma víbora e, além disso, é uma base de apoio, sobre a qual o homem se poderá defender contra o esgotamento das próprias forças.
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Só o perverso torná-lo-á instrumento do crime, porque o homem esclarecido saberá usá-lo como companheiro generoso e leal.
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O bordão para o discípulo fiel significará que seu espírito está sempre pronto e vigilante para os esclarecimentos justos, utilizando, nesse mister, o próprio objeto em que se arrima nos caminhos da vida.
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Ele, para tanto, não mais será, para as nossas almas, um bastão de madeira, mas uma atitude decidida, que sendo o nosso amparo com Cristo, é a própria razão de nossa defesa.
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Essa nota do apostolo Marcos é muito importante, porque Deus nos dará a providencia, mas nós lhe devemos dar vigilância.
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O Pai estará atento na vigília do Lar Infinito, mas nós devemos estar prontos a velar por nossa parte.
“Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros.”
— I Pedro: - 2-11
É digna de nota a atitude de Pedro, em se dirigindo às comunidades do cristianismo de todas as épocas.
O apostolo sabia que sua carta seria lida, muitas vezes, por imperadores, príncipes, juízes, generais, soldados e doutores, no curso dos tempos, entretanto, não se animou a apelar aos discípulos numerosos, catalogando as especificações de seus títulos terrestres.
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Simão considerou mais acertado dirigir-se a todos, mordomos e operários, convocando-os como peregrinos e forasteiros.
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Semelhante resolução iluminou a sua epistola, conferindo-lhe claridades novas.
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A Terra poderá criar numerosas designações para organizar as suas zonas de trabalho ou destacar o esforço de seus filhos, mas cada discípulo não poderá esquecer o direito e a magnanimidade de Deus.
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Todo título terrestre é uma experiência transitória.
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Somente os raros homens que sabem honrá-lo, como patrimônio emprestado pelo Pai, conseguem imprimi-lo no livro de sua vida eterna.
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Semelhantes espíritos, porém, são escassos na face do mundo.
A maioria dos que recebem a dádiva não faz mais que conspurcá-la com o egoísmo e desenfreada ambição.
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Eis porque, reconhecendo que todas as criaturas humanas permanecem em trânsito, Pedro as reúne na designação de forasteiros e peregrinos.
Ninguém pode alegar insignificância ou desvalia para fugir aos deveres que lhe competem, na obra de elevação do mundo.
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A pedra quase impermeável serve aos alicerces.
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A areia áspera é vultoso elemento na construção.
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O remédio amargo é instrumento de cura.
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O mal de agora pode ser simplesmente um véu de sombra, ocultando o bem de amanhã.
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Há pessoas que se confessam inaptas para qualquer serviço do Evangelho; entretanto, isso acontece porque vivem esquecidas de que a Direção da Vida, entre os filhos da fé, não pertence à vontade humana.
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O bloco de mármore, perdido no matagal, é simples calhau sem valor, mas, nas mãos do artista, é a fonte de que sairá a obra-prima.
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Uma enxada ao abandono é traste inútil, entretanto, nos braços do bom lavrador é precioso instrumento na garantia do pão.
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O pântano, em si, é pestilência e ruína, contudo, se recebe a assistência do pomicultor, dá lugar a vegetais que enriquecem a vida.
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Um fio de cobre, perdido na via pública, é resíduo destinado à lata de lixo, mas se for ligado entre a usina e a lâmpada é o condutor imponente da luz e da energia que sustentam o progresso.
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Se contamos exclusivamente conosco, na realidade, somos meros átomos pensantes; todavia, se aceitamos a direção de Jesus para a nossa vida, cada experiência ser-nos-á indubitavelmente rica de bênçãos do Divino Mestre.
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Pelo nosso passado, somos simples sombras, mas se o nosso presente procura imantar-se com o Cristo, nossa bússola indicará os horizontes da verdadeira luz em nosso favor.
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Não te consideres tão-somente pelo que és. Vejamo-nos em companhia do Cristo, para que o Senhor esteja em nós.
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O zero à esquerda do número será sempre nada, mas à direita do algarismo, é valor substancial em ascensão crescente para o Infinito.
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Lembremo-nos de que Jesus é a Divina Unidade e situemos nossa existência à direita do Nosso Senhor e Mestre.
“O povo que estava assentado em trevas viu uma grande luz; e aos que estavam assentados na região e sombra da morte a luz raiou.”
— Mateus: -4-16
Referindo-se ao início da Sublime Missão de Jesus, o apóstolo Mateus classifica o Mestre como a Grande Luz que começava a brilhar para os que permaneciam estacionados nas trevas e para os que se conservavam na região de sombras da morte.
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Essa imagem fornece uma ideia geral da interpretação de planos em todos os centros da vida humana.
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Na superfície do mundo desenvolvem-se os que se encontram na sombria noite de ignorância e esforçam-se os espíritos caídos nos resvaladouros do crime, mortos pelos erros cometidos, aspirando o dia sublime da redenção.
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Semelhante paisagem, todavia, não abrange tão-somente os círculos das criaturas que se revestem de envoltório material, porque é extensiva à grande quantidade de seres terrestres que militam nos labores do orbe, sem a indumentária dos homens encarnados.
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O Mestre, pois, é o Orientador Supremo de todas as almas que permanecem ou transitam no mundo terreno.
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Sua Luz Imortal é o tesouro imperecível da criaturas.
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Os que aprendem ou resgatam, os que se curam ou que expiam encontram em Seu coração a claridade dos Caminhos Eternos.
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A multidão que estaciona nas trevas da ignorância e as fileiras numerosas dos que foram detidos na região da morte pelo próprio erro devem compreender essa Luz que está brilhando aos seus olhos, desde vinte séculos.
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Antes do Evangelho podia haver grande sombra, mas com o Cristo vibra a claridade resplandecente de novo dia.
Que saibamos compreender a missão dessa Luz, pois sabemos que toda manhã é um novo apelo ao esforço da vida.
Para clarear a noção da responsabilidade pessoal, nunca é demais recorrer às lições vivas da natureza.
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No plano físico, Deus é o fulcro gerador de toda energia, no entanto, o sol é a usina que assegura a vitalidade terrestre; é o fundamento divino do mundo, mas, a rocha é o alicerce que sustenta o vale; é o proprietário absoluto do solo, todavia, a árvore é o gênio maternal que deita o fruto; é o senhor supremo das águas, entretanto, a fonte é o vaso que dessedenta os homens.
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Igualmente, no plano moral, Deus é a raiz da justiça, no entanto, o legislador é o tronco dos estatutos de governança; é a cabeça insondável da sabedoria, mas o professor é a vértebra da escola; é a inspiração do trabalho, todavia, o operário é o agente da tarefa; é a essência do campo, entretanto, o lavrador é o instrumento da sementeira.
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Assim também ocorre na esfera de nossos deveres particulares.
Tudo aquilo de que dispomos, incluindo afeições, condições, oportunidades, títulos e recursos pertencem, originariamente, a Deus, contudo, é forçoso zelarmos pelo setor das próprias obrigações, porquanto, queiramos ou não, responderemos a Deus, através das leis que orientam a vida, pelo serviço individual que nos cabe fazer.
“E congregados eles com os anciãos, e tomando conselho entre si,
deram muito dinheiro aos soldados.”
— Mateus: - 28-12
Judas não foi o único, no quadro da missão de Jesus, que se deixou fascinar pela perspectiva de ganho e de evidência pessoal.
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Quantos homens puros refletirão na iluminada visão do Mestre, desejando permanecer, a seu lado, pelo menos durante um minuto?
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Entretanto, aqueles soldados, com o galardão de se manterem a dois passos do Senhor, igualmente o venderam na expectativa de lucros e facilidades na Terra.
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Para que os judeus pudessem satisfazer suas velhas ambições de domínio, sacerdotes e anciãos, à custa de soma vultosa, compraram-nos, capciosamente, transportando-os de uma situação honrosa para o caminho negro da deslealdade.
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O fenômeno não ficou circunscrito à época.
Em todas as fases do cristianismo, a maioria dos trabalhadores recebeu a sugestão do velho processo e poucos aprendizes se portaram, até o fim, superiores à sedução de “muito dinheiro”.
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Surgiam realizações generosas, grandeza de convicção e caracteres sublimes? Distribuíam-se coroas, títulos, terras e prerrogativas.
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E o verdadeiro apelo de Jesus ficava confundido no grande vozerio dos interesses subalternos.
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Hoje, as coroas e as terras são escassas, mas os títulos bancários e os privilégios políticos funcionam muito bem.
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E basta que surja o discípulo preparado ao serviço de Cristo e aparecem logo os antigos anciãos, em outras vestes, com as mesmas propostas.
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É justo vigiar, incessantemente, porque muitos continuam adormecendo com a visão de “muito dinheiro”.