O universo das Ciências Exatas, historicamente, apresenta uma baixa diversidade de gênero e de raça, o que impacta diretamente a formação de novos talentos, a produção científica e a construção de ambientes acadêmicos mais justos e inovadores. A ausência de representatividade não é apenas um reflexo de desigualdades sociais mais amplas, mas também um fator que contribui para a permanência dessas desigualdades dentro da universidade.
Discutir representatividade e diversidade acadêmica é fundamental para identificar barreiras estruturais, promover políticas de inclusão e estimular ações concretas que ampliem o acesso, a permanência e o protagonismo de grupos historicamente sub-representados. Ambientes diversos tendem a ser mais criativos, críticos e produtivos, fortalecendo a ciência como um todo.
Nesta Roda de Conversa, propomos um espaço aberto de diálogo e troca de experiências, no qual serão debatidas estratégias, desafios e iniciativas voltadas à ampliação da diversidade nas Ciências Exatas. O objetivo é refletir coletivamente sobre caminhos possíveis para tornar o ambiente acadêmico mais inclusivo, equilibrado e representativo.
Componentes da mesa:
Evelise Gois
(UFLA)
Luciana Elias
(UFJ)
Adriana Juzga
(UERJ)
Mediadora:
Thais do Nascimento
(UFMT)
Participantes do II Encontro de Jovens Algebristas
Discutir representatividade e diversidade no meio acadêmico é essencial não apenas por uma questão ética, mas porque há evidências científicas de que ambientes mais diversos produzem ciência melhor, mais inovadora e com maior impacto social.
Pesquisas mostram que equipes de pesquisa com maior diversidade étnica e de gênero tendem a alcançar resultados científicos mais relevantes e criativos — por exemplo, estudos que analisaram milhões de artigos científicos identificaram que a diversidade étnica está correlacionada com maior impacto de pesquisa, medido por citações e reconhecimento acadêmico. arXiv
Outro estudo importante, publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences, confirma o chamado “paradoxo da diversidade”: pessoas de grupos sub-representados (como mulheres e minorias raciais) produzem novidade científica em taxas maiores, ainda que essa contribuição nem sempre seja adequadamente reconhecida ou recompensada pelas estruturas tradicionais da academia. Stanford Education
Além disso, análises econômicas e de políticas públicas demonstram que incentivos que promovem diversidade, como sistemas de financiamento que estimulam a participação feminina em pesquisa, também podem aumentar o impacto científico das produções resultantes — um forte indício de que diversidade e excelência científica podem caminhar juntas. OUP Academic
Organizações internacionais como a OECD também apontam que maior diversidade no corpo de pesquisadores é necessária para enfrentar desafios complexos do mundo atual, ampliando o repertório de métodos, abordagens e perspectivas consideradas no processo científico. OECD
Por fim, a literatura especializada em ciência e educação sublinha que barreiras de raça, gênero e classe influenciam fortemente as trajetórias acadêmicas, impactando desde o ingresso na graduação até a permanência em posições de liderança científica. Abordar essas barreiras, portanto, não é apenas justo — é vital para a qualidade, relevância e sustentabilidade da academia como um todo. E-Publicações UERJ