Por Katharian Evangelista
katharina.evangelis@alunos.sc.senac.br
A poluição e a produção excessiva de lixo são assuntos muito comentados, que vêm se desenvolvendo e crescendo cada vez mais . Ela está ligada ao consumo inconsciente e excessivo da sociedade. Cada vez mais são utilizados cosméticos com embalagens plásticas, garrafas plásticas descartáveis e roupas, o que aumenta a quantidade de lixo produzida.
Atualmente, existem pessoas que não têm noção da realidade vivida por outras e não procuram conhecer modos de vida diferentes dos seus, especialmente daqueles que precisam se preocupar diariamente com a própria sobrevivência.
Isso está relacionado à desigualdade social, que pode ser observada no filme Lixo Extraordinário (Vik Muniz, Brasil/Inglaterra, 2010). O filme apresenta a realidade social de muitos brasileiros que trabalham na associação de catadores do aterro metropolitano de Jardim Gramacho, onde pessoas lutam para fazer a diferença no mundo; crianças trabalham para ajudar suas famílias; pessoas são julgadas pelo que fazem; sofrem muitos preconceitos; e catadores lutam para serem reconhecidos e terem orgulho de sua profissão. “Estamos trabalhando honestamente.” (Catadora)
“Se a gente sair agora, vamos ver muitas crianças catando lixo na rua. É preciso mudar o rumo dessa história.” (Sebastião)
Historicamente vulnerabilizados, os catadores desempenham um papel ambiental fundamental, mas frequentemente enfrentam condições extremas de trabalho e exclusão social. Por isso o crítico Inácio Araujo aponta que focar muito na acerte transforma o filme em um “conto de fadas neoliberal” esconde o fato de que o governo precisa de novas ações. O governo deve oferecer esse auxílio, mas também precisa garantir melhores condições de trabalho, para que isso não se transforme em mero assistencialismo.
Além disso, o filme dá destaque à arte sustentável. Vik Muniz fotografa os catadores e transforma essas imagens em obras de arte feitas com materiais recicláveis, demonstrando o reaproveitamento do lixo. A arte tem ajudado a combater o estigma sofrido pelos catadores, evidenciando que o trabalho deles vai muito além do que é feito nos lixões. Ao se verem retratados nas obras, a sociedade passou a reconhecer a importância e o valor dessa profissão. “Isso é muito bom para nós, porque traz reconhecimento aos catadores.” (Catadora).
Embora a arte de Vik Muniz tenha contribuído para aumentar a autoestima e a dignidade dos catadores, a transformação social não pode depender apenas de iniciativas individuais. É necessário que o Estado implemente políticas públicas capazes de combater as causas da pobreza e organização de trabalho dos catadores, campanhas de conscientização sobre a produção excessiva de lixo ao mesmo tempo proteger a saúde, investir na educação ambiental, coleta, reciclagem, consumo consciente e redução de lixo. Dessa forma a sociedade reduz a produção de lixo e valorizará o trabalho desses profissionais. "Tento convencer as pessoas de que uma latinha tem importância." (Catadora).
Blumenau, 30 de julho de 2026