Originado da interação entre as palavras “hiper” (do grego, “além” ou “mais) e “texto” (do latim, “tecido” ou “entrelaçamento”), o termo hipertexto foi utilizado pela primeira vez na década de 1960, pelo filósofo e sociólogo norte-americano Theodor Nelson. A definição dada por Nelson descrevia um sistema de escrita não linear, permitindo que o leitor navegasse entre diferentes partes de um texto de forma não sequencial. Ao longo das décadas seguintes, a hipertextualidade tornou-se um elemento central na estruturação e organização da informação na web, influenciando o jornalismo.
Nos dias atuais, a hipertextualidade permeia não apenas os conteúdos textuais, mas uma ampla gama de formatos no webjornalismo. Além dos tradicionais links em textos, vemos sua aplicação em vídeos, podcasts, infográficos interativos e em elementos como imagens e gráficos animados. Essa diversificação na utilização de hipertextos amplia as possibilidades de enriquecimento do conteúdo jornalístico online, permitindo uma experiência mais interativa para os usuários.
Ao inserir links em diferentes mídias, os produtores de conteúdo podem fornecer aos leitores acesso a informações adicionais e análises mais detalhadas, contribuindo para uma compreensão mais profunda e contextualizada dos assuntos abordados. Assim, a hipertextualidade continua a desempenhar um papel crucial na evolução do webjornalismo, adaptando-se e integrando-se a uma variedade de formas de mídia para proporcionar uma experiência informativa mais completa.
Os blocos informativos desempenham um papel crucial na criação das narrativas hipertextuais. Eles podem incluir uma variedade de formatos, como textos, imagens, vídeos e áudios. De acordo com João Canavilhas, autor do livro “Webjornalismo: 7 caraterísticas que marcam a diferença”, a dimensão de cada bloco informativo deve ser cuidadosamente considerada para manter o interesse do leitor sem deixá-lo insatisfeito ou sobrecarregado com a falta ou excesso de informações.
Uma característica-chave dos blocos é a descentralização, permitindo que o leitor inicie sua leitura em qualquer bloco. Cada bloco deve ser autoexplicativo, facilitando a compreensão independente do contexto e da ordem de visualização por parte do leitor. Ainda de acordo com Canavilhas, embora não haja uma hierarquia clara, é importante que cada bloco forneça indicações sobre o ponto focal da narrativa.
DIFERENÇA ENTRE UM TEXTO NORMAL E O HIPERTEXTO
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Os blocos informativos desempenham um papel crucial na criação das narrativas hipertextuais. Em resumo, os blocos informativos são essenciais na criação de narrativas coesas e dinâmicas, adaptadas ao ambiente não linear dos meios digitais.
As hiperligações são elementos do hipertexto responsáveis por conectar diferentes blocos informativos. No jornalismo, de acordo com o professor espanhol Ramón Salaverría, elas desempenham funções documentais e narrativas. As hiperligações documentais contextualizam o relato oferecendo detalhes específicos, enquanto as narrativas proporcionam ao leitor percursos de leitura variados.
Ainda de acordo com Salaverría, existem quatro tipos principais de hiperligações: as documentais (que ligam os blocos à informações contextuais), as de ampliação informativa (que ligam os blocos à informações contextuais recentes), as de atualização (que ligam os blocos à informações atuais sobre o acontecimento) e as de definição (que ligam os blocos à informações específicas e aprofundadas). Além disso, as hiperligações podem ser embutidas, dentro do próprio bloco informativo, ou em menu, fora dele. Essas hiperligações informam o leitor sobre a importância do bloco de destino, proporcionando uma experiência de leitura mais clara e contextualizada no hipertexto jornalístico.