A Arquitetura do Cinema Distópico: Reflexões sobre o Presente pela Lente do Futuro
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO 2022 - 2023
Em cima : Técnicos montam os impressionantes cenários de Metropolis (1927) .
A Arquitetura do Cinema Distópico: Reflexões sobre o Presente pela Lente do Futuro
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO 2022 - 2023
Em cima : Técnicos montam os impressionantes cenários de Metropolis (1927) .
No dia 6 de Novembro de 2023, concluí o Mestrado Integrado na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto ao apresentar a dissertação A Arquitetura do Cinema Distópico: Reflexões sobre o Presente pela Lente do Futuro, classificada com 20 valores. O júri era constituído pela Presidente Prof.ª Doutora Raquel Paulino, pelo arguente Doutor Pedro Baía e pelo orientador do trabalho, Prof. Doutor Luís Martinho Urbano. Pode ser consultada na totalidade no Repositório Aberto da Universidade do Porto.
Marin Center ( 1969, Frank Lloyd Wright ) em THX 1138 (1971).
Marin Center ( 1969, Frank Lloyd Wright ) em Gattaca (1997).
RESUMO
A relação simbiótica entre a arquitetura e o cinema manifesta-se das mais variadas formas, mas é especialmente notável em contextos onde se representam perspetivas do futuro, neste caso, o cinema distópico. A ficção científica é um veículo para a manifestação artística dos inúmeros dilemas que a humanidade enfrenta, e a sua vertente cinematográfica acaba por ser um registo audiovisual que documenta fidedignamente as flutuantes ansiedades sentidas no último século. A arquitetura tem o papel crucial de definir e tornar credíveis estes complexos imaginários futuristas, que não só têm de suportar as narrativas como ter em si embutidas as intenções, críticas, sátiras ou metáforas que os cineastas pretendem exprimir. Esta investigação debruça-se sobre o aspeto da arquitetura que constrói estes cenários pessimistas, nomeadamente sobre quais as motivações para a inserção de determinadas obras ou estilos em contextos distópicos, quais as referências utilizadas para a edificação destes mundos e quais as características que aproximam e que distinguem as obras. O uso de arquitetura existente e / ou ficcional é abordado numa viagem panorâmica pelo último século de cinema, que culmina numa análise mais detalhada de sete casos de estudo que alcançaram a imortalidade nas suas reflexões tão intemporais.
ABSTRACT
The intricate relationship between architecture and cinema reveals itself in a multitude of ways, but finds particular prominence when delving into depictions of future scenarios, particularly in the realm of dystopian cinema. Within science fiction, we witness a canvas for the artistic exploration of the myriad of dilemmas that humanity confronts. Its cinematic representation serves as a faithful chronicle of the ever-fluctuating anxieties that have gripped us throughout the last century. In this context, architecture plays a pivotal role in shaping and authenticating these complex visions of the future. Its task extends beyond mere backdrop creation, it carries embedded intentions, critiques, satires, and metaphors that filmmakers aspire to convey. This research zeroes in on the architectural dimension responsible for constructing these bleak scenarios. Specifically, it delves into the motivations behind the inclusion of specific architectural works or styles in dystopian settings, explores the references used to craft these alternative worlds, and dissects the commonalities that unite them while highlighting their distinctive features. The use of existing and/or fictional architecture is approached in a panoramic journey through the last century of cinema, culminating in a more detailed analysis of seven case studies that have achieved immortality in their timeless reflections.