OS TREZE AZARES DA VIDA
THE THIRTEEN MISFORTUNES OF LIFE
THE THIRTEEN MISFORTUNES OF LIFE
Esse é um projeto recente, porém no qual tenho pensado bastante e gerado um bocado de material quando tenho tempo. Infelizmente, até por ser baseado em um texto todo ele em português, essa página, ao menos por hora, vai ser assim também. O projeto originalmente era dar uma "face", uma iconografia, para os "treze azares da vida" - "as pedras para o tropeço dos incautos por divina intervenção"."
Os treze azares são essa tradição medieval que teria sido redescoberta em um documento achado numa biblioteca no leste europeu. Enquanto os sete pecados são uma tradição monástica antiga que mudou ao longo do tempo e aparece em toda forma na cultura popular, a lista de axares teria sido há muitos esquecida. No entanto, apresentaria uma visão muito mais completa da natureza humana e suas falhas.
Caconímia (ter um nome feio ou jocoso), Fealdade, Raquitismo, Inquietude (ansiedade), Obtusidade, Pobreza, Despautério (descontrole, impetuosidade), Literalismo (superficialidade de entendimento), Pulcritude (beleza, formosura, atratividade), Ventosidades, Divícia (riqueza herdada), Ubiquidade (fama, ser uma pessoa pública) e Truculência. São condições em que a pessoa encontra em sua vida, muitas vezes de nascença, e que, embora não dependam dela, tornam particular o fardo de cada um.
Segue a lista completa dos azares. São geralmente dispostos com o primeiro (Caconímia) em cima e ao centro e os demais organizados em grupos de três. Isso faz sentido, pois, como o orgulho é na tradição dos pecados as vezes considerado o primeiro pecado e até o mestre dos demais (em alguns textos antigo separado dos sete que incluiriam a vanglória em seu lugar) nascer com um nome vergonhoso é, também, muito literalmente, o primeiro obstáculo que alguém pode ter na jornada vida.
OS TREZE AZARES DA VIDA
O azar primeiro, por dotação paterna. Uruá de nascença, do nome que causa riso, da alcunha jocosa ou triste, ou que se presta de imediato a admoestações diversas.
O que nasce desprovido de feições amenas. Cujos traços à mão sinistra pelo criador foram concebidos, este como animal é tratado.
Os de compleição franzina. Que os ossos não suportam peso, e a todo esforço se partem. E que tão fracos foram feitos, como qualquer vento pudera tornar a desarticulá-los.
Condição aflitiva que acomete os espíritos. Tormento de mil legiões a solapar o repouso. Os inquietos não conseguem acompanhar as jornadas e os tempos que estas demandam. Amaldiçoam o sol por moroso e sacodem as ampulhetas.
Os moucos das oiças do espírito não acompanham os assuntos. E riem como débeis, acompanhando os demais, e sem saber a razão. Tal é a rigidez da viseira que lhes oblitera a alma, que derivam de qualquer artigo a articulação de intriga.
A pobreza, dádiva do santo, também é grilhão do enfermo. Os de espírito fraco, ou que as posses perderam, por vezes não se recuperam.
Ação desprovida de freio. Rompante de inconsequência que, passado o momento, cobra o óbulo do erro. Falha essa que se agrava com a renitência que decorre do orgulho do faltoso.
Os condenados à frolar o que acontece à sua volta, e os que nada perquirem. E se aprisionam em um reino de sombras e contornos brutos. Deslizam sem compreensão, os olhos como couraça, tomados sofregamente de opinião incauta e renhida
Perfeição de formas e gestos, pérolas da criação. Por sua venustitude, são cantados e exaltados. Mas o são como tesouros, medidos e avaliados. Valhacouto de luxúrias alheias, não raro, escusam contendas, de muitas das quais são espólio.
Os odores inesperados e as emissões sem rédea que acorrem ao infestado qual soluço sem aviso. E abrem espaço à sua volta. E viram fauces severas e narizes ofendidos, e admoestações constantes.
A benção que, quando herdada, amaldiçoa o dotado. Isola do mundo o aflito. Cercado de prazenteosa mentira e da ocasião do errado. A estes, das sete insídias, de todas lhe é facultado.
Os de todos conhecidos, a esses ninguém conhece. As fiandeiras de suas vidas, são as trovas, rumores e ditos. Sua sina os precede. A coroa os sofrea. Pelos outros descritos, de si muitos se esquecem, nos vícios logo se afogam.
Corações sem espelho, bruscos e descuidados. Ao caminhar atropelam. E nos outros se esbarram em campo aberto. Qual estivesse amiúde em aposentos confinados. Estranham a dor do próximo, e dela constantemente, precisam ser relembrados.
OS SETE PECADOS MORTAIS