de uma hora pra outra

encontrei uma maneira diferente de lidar

com as paredes que são nossas próprias peles.

descobri que,

há pessoas que abrem janelas

e é como se abrissem os olhos

e nunca se cansassem de ver

até encontrar outro par curioso.

há pessoas que deixam as cortinas abertas

e é como se arejassem a alma

e sempre colocassem as plantas no peitoril

esperando outros ares.

há pessoas que suspiram no peitoril

e é como se o cheiro de chá que sai de dentro delas

ganhasse a força capaz de percorrer as entranhas de outras

que como ela se abriram pra arejar.


[escrita no início de 2018, 

no meio do território da beleza e do caos do rio, 

cujo caos e beleza se repetiam dentro de mim.]