VOCÊ, PROFISSIONAL DA SAÚDE, FAZ TODA A DIFERENÇA NESTE PROCESSO!
Lembre-se de que todo o processo que envolve a doação de órgãos e tecidos é complexo e envolve muitas etapas. Compartilhe suas dúvidas com os colegas da equipe, assim todos se fortalecem e promovem um processo acolhedor e responsável.
O momento com a família é um dos mais importantes, pois precisamos entender que cada família tem seu tempo de elaboração do momento difícil. Por isso que é fundamental que esteja seguro sobre os procedimentos que devem acontecer e serem informados para os familiares.
Confie nesses fatores positivos à doação para que possa orientar a família:
Entrevistadores são profissionais de saúde. É preciso que estejam treinados e dispostos a dedicar tempo às famílias durante o processo. É preciso habilidade e compromisso com o processo de doação/transplante, muitas pessoas dependem da sua atuação profissional pra receber um órgão.
Tenha uma sala tranquila e protegida para realizar a entrevista. Que não tenha interferências como: pessoas transitando, televisão ligada, telefones tocando, coisas do tipo que tire a atenção de quem está presente no momento importante. Lembre-se da fragilidade e impotência que a família se encontra;
Separe todos os documentos que irá utilizar durante a entrevista, como: as 3 vias de autorização de doação, caneta que funcione, seu carimbo com o registro profissional. Evite sair nesse momento da sala, assim demonstra organização no seu processo de trabalho e cuidado com todo o processo, principalmente com a família;
Para a entrevista esteja acompanhado de outro colega da equipe multidisciplinar que está participando do processo e que a família já tenha estado com ele também, assim diante de qualquer imprevisto, é possível o suporte e torna-se mais tranquila a entrevista, pois irão construindo juntos a direção a ser tomada diante das questões que forem surgindo;
É preciso que tenham lugares para todos se sentarem profissionais e familiares e que vocês possam estar na mesma altura, compartilhando os olhares e tendo a percepção das possíveis intercorrências;
Seja acolhedor. Faz parte do acolhimento ter água, papel toalha, pois como estamos falando de um momento delicado, algum dos familiares podem se emocionar, assim você estará preparado para não deixar ninguém exposto;
Utilize uma linguagem simples para que todos possam te compreender. Neste momento os termos técnicos não devem ser usados, para que a família tenha a compreensão adequada do que está sendo falado. Não se esqueça: vocês são facilitadores no processo de doação de órgãos, precisam adequar a linguagem para quem está ouvindo ter clareza no entendimento;
Empregue os verbos no passado. Tal conduta facilita a entrada da família no processo de luto, pois com a pronúncia do tempo verbal adequada pelo profissional, os familiares vão amadurecendo a morte (ex.: ele tinha quantos filhos? A senhora sabe quais medicações ela usava? Ela foi uma pessoa que praticava atividade física);
Preparem-se para a entrevista. Busquem todas as informações como: horários de abertura e fechamento do protocolo de morte encefálica, exames gráficos e laboratoriais realizados, como é a retirada dos órgãos, tempo estimado para a entrega do corpo do potencial doador. A segurança dos profissionais durante a entrevista representa muito sobre a decisão familiar.
Seja transparente nas informações. Não há outro caminho para estabelecer com a família que não seja pela transparência. Diante de todo o processo, não se comprometa com prazos, pois tudo pode acontecer durante as etapas. Se não tiver a informação solicitada pela família, seja verdadeiro e busque a informação, o processo é dinâmico e complexo, portanto tudo pode mudar.
Respeite a história familiar. Muitos aspectos sociais, econômicos, culturais e principalmente religiosos, serão apresentados nos discursos dos membros da família. Com gentileza, é possível respeitar e contribuir para um novo olhar diante da doação de órgãos;
Permaneça com sua sensibilidade, empatia e compaixão. Durante todo o processo, é possível que as histórias compartilhadas pelas famílias te tragam sentimento de tristeza, esgotamento emocional. Partilhe com seus colegas de equipe sobre isso, pois como já falamos, a finitude humana está presente para todos e isso não é fraqueza, isso só demonstra que o profissional preserva sua humanidade. É possível ter condutas profissionais sem perder o foco. Aproveite a oportunidade de tirar grandes lições vivenciando a empatia e a compaixão, vai ver que você também tem muito a ganhar durante o processo de doação de órgãos.
A família diz “não” a doação de órgãos. É possível que um ou mais membros da família apresente recusa dobre a doação de órgãos, por variados motivos. Escute e esteja atendo aos argumentos, pois a partir deles, é possível ofertar informações e reflexões. Lembre-se: aspectos éticos profissionais não devem jamais serem esquecidos, assim a entrevista familiar assertiva não é um procedimento de convencimento a doação de órgãos e sim de acolhimento familiar a possível doação de órgãos. Não se deve trazer problemas para o núcleo familiar, se mesmo com todas as orientações, informações e reflexões a família optar pela negativa, é fundamental que seja respeitado, pois esta família não pode sair do processo com um problema de relacionamento entre os membros.