2026
SOUZA, Guaraciara - Restos: Microcontos
Clube dos Autores , 2026
FOME
I
Não só de pão vive o homem.
Mas ela morria, sem pão.
II
A barriga roncava mais alto que a voz do professor.
– Presta atenção, menino!
SAUDADE
IX
Eu rio com os outros.
Saudade ri de mim.
Tempo ri de todos.
XX
Saudade é o único lugar onde ainda te encontro vivo.
PARTIDAS
I
Ao longe as mãos balançavam.
Uma lágrima pendia, mas não caiu — petrificou no olhar.
V
Disse “até logo”.
O “logo” nunca chegou.
ESQUECIMENTO
I
Todos os rostos estranhos.
Olhar perdido no ar, boca murmurante, trêmula.
– Lembra de mim, mamãe?
II
O nome dele escapou da boca como fumaça.
Ela tragava as últimas lembranças.
MORTE
I
— Nada como um serviço bem feito! – suspirou Lucas, enquanto terminava de cobrir a cova.
III
Hoje ele acordou sorrindo pra vida.
Até parece que sabe: não verá o pôr do sol.
RETORNO
XVI
Voltou pra dizer o que não disse antes de ir, mas já não tinha ninguém para ouvir.
XX
Bebendo café.
Olhou o jardim molhado.
Suspirou.
SOUZA, Guarciara - Poemas em Chuva Fina - Editora VGL, 2023.
Com uso das Inteligências Artificiais, pude realizar um sonho de infância: Saber como soariam meus poemas em uma canção.
CONCEPÇÃO I & II
Aos 16 anos, durante uma aula de ciências, o professor Miguel Arcanjo pediu um cartaz sobre o tema estudado. Sem habilidades para desenhar, perguntei se poderia escrever. Assim nasceu meu poema "Concepção".
No dia seguinte, o poema foi emoldurado e exibido na sala de aula, recebendo elogios. Foi a primeira vez que minha escrita foi reconhecida, marcando um momento especial em minha vida.
Essa experiência mostrou o poder do incentivo, especialmente na adolescência, onde apoiar talentos pode revelar habilidades.
PRIMAVERA
Nasceu das lembranças de minha amada mãe e o quanto ela me incentivava a aprender idiomas.
Sempre vi os ipês como pedaços palpáveis de sol na Terra.
SOS
O que é o amor senão o saltar a um abismo que não vemos o fim?
O voo ao mais alto cume.
Um poema nascido com meu amor pela língua espanhola.
TUO TORPORE
Uma queixa dolorosa ao tempo, que não para, mesmo quando o amor acontece.
Deixa na lembrança os pequenos detalhes que fazem das belas relações marcas intangíveis.
Conheça um pouco mais da minha escrita.
Soneto do Clamor
Venho contar-te a causa de meu descontentamento,
A que tenho pelas noites pranteado.
E a doçura, e a paixão, e a loucura de meu pensamento
A que devo a visão de teu corpo sublimado.
Que é carente minha alma de afagos.
Do afago minha tristeza se refaz.
Das paixões perseguem-me os enganos
E a incerteza que me apraz.
A essa chaga devo meu tormento
E minhas juras de amor soberano
A esse ser a quem regalo meu lamento.
E sangra esse frágil peito humano
A quem dirijo todo meu pensamento
E esse amor, por quem vivo e clamo.
Poemas
Poemas
Artimanhas vindas do coração
Rascunhados pelo suicida do sentimento
Imitam tormentas no oceano da paixão
Ou murcham almas na campa do esquecimento
Dor e amor
Cruel e doce rima
poemas em chuva fina
Sentimentos em ardor
Abraçam quente a gelada solidão
Reverberam o sorriso no segundo de se ver
Desfazem as lágrimas sem ter explicação
E imortalizam os amores para além do viver
Poemas…
Tudo neles têm um clima
De angústia ou fulgor
Poemas…
Tudo neles me sacia
Só me falta teu favor.
Guerras Perdidas
Eia corcel de fogo...
nas labaredas de teu cabelo...
eia a me levar em cinzas ao Seol,
Lá interrogarei Belzebu no tocante dos tempos,
disseminarei algures os lamentos,
dos tantos aqui passados,
dos olhos meninos chorados.
Eia corcel de fogo...
não me deixes esquecer as veias
rompidas em sangue e guerra,
as muralhas humanas erguidas
no peito singelo da infância,
a separar eternamente os valores, os prazeres e a esperança.
Mariposa
No fue por caso mariposa
te lo advertí
ni todo puede ser rosa
si hay espinas al fin
Te di las direcciones
y las puestas del sol
volaste sola
volaste sola
Te lo advertí mariposa
y fuiste a la hoguera
encantada por el brillo mariposa
volaste sola
volaste sola
y las lágrimas del peregrino
al verte quemar
y las gotas de mar mariposa
no podés probar
volaste sola
y ahora sola volaste
porque la hoguera que amaste
mariposa
es el amar sola
volaste sola
amaste sola
Te lo advertí soñadora
si amás la hoguera
te quemarás y por fin
estarás sola
estarás sola
Simple
Cold night’s wrapping
Klingt das Lied her
O som do vento leste
Voglio guardare la luce
La même de tes yeux
Sin tiempo o espacio
Fria noite envolvendo
De lá soa a canção
E o som do vento leste
Quero olhar a luz
A mesma de teus olhos
Sem tempo ou espaço
A porta
Abre delicada, fada
Queda cerrada, mata
Entra tristes contos
sai risonho sonho
Dia faz-se claro, abro
Dia faz-se frio...silêncio...
Silêncio chega tarde...durmo...
Durmo em silêncio!
Chega Prima Vera, linda!
Com flores de todas ricas
Passa e entra colorida
Mas calada não complica.
Abro e fecho
Que desleixo!
Fecho e tranco
Em segredo!
E na casa...
Que silêncio!
Sos
Sos el sonido de las olas
que surcan el margen de mis horas
las horas que paso anhelándote
el anhelo que surge de un lugar oculto en mí
y me hace esclavo y libre.
Sos el suspiro que me sale sin esfuerzo
el esfuerzo de no dudar del destino
las dudas que me hacen campesino
por los valles de tu cuerpo.
Sos la sonrisa del sol
dios niño del amor
Sos ante todo lo querido
de los amantes conquistador.
Sos la mirada hacia el abismo
que devora el abismo en mí
Sos montaña y laguna
el aire silvestre por fin.
Sos la orquídea de mis campos
Que trae los encantos del julio solitario
Las alas gigantes del condor
Alzándome más allá de los sueños
Sos el árbol que comparte las ramas
Y los frutos de ese favor
La pasión desalmada
Del artista escultor.