O começo de tudo
Após a completa aniquilação de tudo aquilo que um dia fora conhecido pelo ser humano, uma entidade de poder incomensurável — que a si mesma se intitulava Kaner — vagava solitária pelo espaço sideral, contemplando a devastação que ele próprio causara.
Foi então que, em meio ao silêncio eterno do cosmos, Kaner sentiu a presença de outro ser. Uma figura enigmática, cuja única característica discernível eram os olhos intensamente azuis, brilhando como estrelas, e um velho chapéu de pistoleiro que lhe encobria parte do rosto.
Por longas duas horas, ambos persmaneceram imóveis, fitando-se mutuamente, sem qualquer expressão no semblante, sem um único gesto — como se o tempo, diante deles, não tivesse significado algum. Seres oniscientes, já sabiam exatamente o que precisava ser feito.
Num ínfimo movimento, imperceptível para qualquer criatura comum, as duas entidades colidiram. A uma velocidade infinitas vezes superior à da luz, o choque de seus poderes resultou em um impacto tão colossal que incontáveis universos foram apagados da existência, como velas sopradas por uma tempestade invisível.
O impacto ecoou além da matéria e do vazio, reverberando nas camadas mais profundas da realidade. O que outrora foram mundos, civilizações e sonhos agora se reduzia a poeira esquecida. E, mesmo assim, Kaner e o ser do chapéu não cessavam.
O ser misterioso, no entanto, demonstrava ser vastamente superior ao Kaner. A cada golpe, a cada manifestação de poder — seja lançado ou anulado — o corpo de Kaner era desintegrado, apagado do tecido do existir. Contudo, ele se reconstruía incessantemente: em segundos, milésimos, milissegundos — até mesmo em atos subatômicos.
Em seu braço esquerdo, um contador marcava o progresso de algo oculto, aumentando de forma vertiginosa: 10%, 20%, 40%, 80%, 160%, 200%... até alcançar a marca de 500%.
Então, num ápice avassalador, Kaner revelou sua verdadeira forma — uma manifestação cósmica de poder absoluto. Seu corpo abrigava galáxias inteiras, universos pulsavam sob sua pele, e buracos negros gravitavam em torno de seus membros. Seu cabelo, vasto e ondulante, era maior que planetas, varrendo o vazio como um manto de escuridão viva.
Diante do ser do chapéu, Kaner já não era apenas uma entidade: era uma força primitiva, um deus capaz de criar ou destruir tudo, limitado apenas pela extensão de sua vontade.
A batalha definitiva então teve início.
O contador no pulso de Kaner disparava de maneira insana — 1.000%, 50.000%, ultrapassando limites inimagináveis. Num movimento devastador, Kaner copiou a força do ser misterioso, multiplicando-a por infinitas vezes. Ambos estavam agora completamente revelados, transcendendo qualquer conceito de poder conhecido. O apagamento absoluto — uma técnica capaz de aniquilar até a própria ideia de existência — não surtia efeito sobre nenhum dos dois.
Eles manipulavam tudo: as leis conhecidas e desconhecidas da realidade, conceitos que nem mesmo a ficção ousava sonhar. O cosmos tremia. A cada impacto, incontáveis outerversos eram destruídos, realidades além da compreensão eram varridas como se jamais tivessem existido.
A luta os elevou para além da 11ª dimensão, onde nem mesmo tempo, espaço ou lógica podiam alcançá-los.
O contador no pulso de Kaner continuava a subir descontroladamente — 1.000.000%, 5.000.000% — até finalmente atingir 10.000.000%. Seu corpo, mesmo naquela forma divina, começou a trincar; rachaduras cósmicas se espalhavam por sua estrutura como se o próprio infinito estivesse se desfazendo.
Mas Kaner não recuou.
Com um grito silencioso, ambos avançaram para o golpe final — um único soco, definitivo, que definiria qual deles era o mais forte e o mais poderoso. Quando seus punhos colidiram, Kaner explodiu em uma força tão brutal que não apenas destruiu tudo o que existia no Goldoverso, como também apagou e recriou toda a realidade a partir do zero.
O ser misterioso, por sua vez, foi apagado completamente — não apenas da existência, mas de todas as possibilidades, de todas as linhas do tempo, de todas as memórias.
Na gigantesca expansão de energia que se seguiu, Kaner foi dividido em cinco partes — cinco essências dispersas. E assim, desse cataclisma absoluto, nasceu uma nova história.
Um novo ciclo.
Um novo universo.
Continua . . .