Em meados de julho de 2016, sete entusiastas apaixonados por motociclismo resolveram fundar um moto clube. Foram muitas pesquisas e discussões saudáveis para chegar a um senso comum: escolher um NOME FORTE, uma HISTÓRIA GLORIOSA e UM BRASÃO (símbolo) DIFERENCIADO. Procurávamos algo que tivesse relação com o nosso dia-a-dia de serviço.
Então começamos a percorrer pela história, iniciando no período da Revolução Francesa, no final do Século XVI, na chamada GENDARMARIA, uma força militar francesa, com poderes de polícia no âmbito da população civil, sendo que a partir dela se deu origem à estrutura da polícia militar brasileira, quando da vinda de Portugal para o Brasil. Mas não era o que queríamos, apesar de sermos em sua grande maioria policiais militares.
Fomos então para a Guerra do Paraguai, de 1864 a 1870, o maior conflito da América do Sul, onde o atual Estado de Mato Grosso do Sul foi palco dessa guerra e teve grande importância no conflito, entretanto, mesmo se tratando de uma excelente história dos nossos militares, ainda não foi possível criar um nome diferenciado para o moto clube.
Passamos então pela Primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1918, porém sem ideias. Chegamos às Volantes, em 1920, que eram um grupo de soldados, cerca de 20 a 60, com poderes de polícia, criadas para combater os cangaceiros, mas esse foi um fato na história brasileira que ficou muito característico no Nordeste, e nós queríamos algo que tivesse representação nacional.
Passamos pela Segunda Guerra Mundial, conflito que iniciou em 1939 e terminou em 1945, com o Brasil sendo o único país da América do Sul a ter participado efetivamente do conflito. Assim, chegamos à conclusão de que esse seria o nosso plano de fundo para o Moto Clube, pelo fator político em que o Brasil passava na época e pelo fato histórico militar do combate, o qual era mais fácil uma “cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra”.
A cada momento que aprofundávamos na história e víamos a importância que o Brasil teve na guerra e o quanto eles não foram e não são até hoje reconhecidos, nos dedicávamos mais ainda para saber tudo sobre o conflito na Itália e assim surgiam ideias novas para o formato do Moto Clube.
Até que chegamos ao dia da FUNDAÇÃO, com muito trabalho, muita pesquisa, quase um ano fazendo reuniões, churrascos e andando de moto. O evento foi realizado na sede sul-mato-grossense da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira (ANVFEB) no dia 18/07/2017 em alusão a data do desembarque da FEB na Itália, 16 de julho de 1944 e o “embarque” do GERMANUS LE MC nas estradas do BRASIL, porém foi registrado no dia 9 de agosto de 2017 no 4º Oficio de Campo Grande - MS, em homenagem a data de criação da Força Expedicionária Brasileira pela Portaria Ministerial nº 4744 de 1943. Assim nasceu o GERMANUS LE MC, apadrinhado pelos “pracinhas” que combateram na Segunda Guerra Mundial, sendo entregues os coletes aos membros do moto clube pelo veterano Agostinho Gonçalves da Motta, Presidente da ANVFEB do Mato Grosso do Sul e Presidente de Honra do GERMANUS LE MC.
Então o formato final foi este:
O nome escolhido pelos integrantes pioneiros do MC foi GERMANUS, que no latim significa "IRMÃO". A irmandade é o sentimento que une os "profissionais da lei" que lutam pela mesma causa, qual seja contrapor a criminalidade para prover um Estado igualitário, justo e livre, assim como os pracinhas, que saíram das terras tupiniquins, deixando seus lares e familiares para enfrentar o desconhecido e lutar bravamente contra uma tirania temida, até vencer ao inimigo, sem recuar. Da mesma forma, "GERMANUS" ("IRMÃO") também lembra o jargão utilizado entre o Brasil e os EUA ao estarem engajados pelo mesmo objetivo durante a II Guerra Mundial: “Brother in Arms” ou Irmãos de Armas.
No meio militar, a caveira significa a vitória sobre a morte. Todos os dias, o agente de segurança pública sai de sua casa para o trabalho sem saber o que irá encontrar durante a sua jornada. Esse profissional supera as dificuldades inerentes ao ofício, seja pelas condições de trabalho ou pelo pouco reconhecimento da sociedade em geral. No meio motociclista, a caveira representa a ausência de preconceitos. Ao olhar para uma caveira é impossível descrever a cor, a etnia, o gênero, entre outros aspectos da diversidade humana. Além disso, nos faz lembrar que ninguém é melhor do que o outro. Que a vida é curta e que todos terão o mesmo destino.
A boina azul, embora não tenha sido uma indumentária da época da Guerra, é o item que caracteriza os veteranos da FEB atualmente. O símbolo da cobra fumando cachimbo, utilizado como adereço, que faz referência às críticas da época, onde era mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na Guerra e é mais um tributo aos Febianos.
Pôster de propaganda do Brasil na Segunda Guerra Mundial 1944
No motociclismo a caveira representa a IGUALDADE.
Boina utilizada pelos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira atualmente.