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Autor: Carlos Eduardo de Almeida Barata
Parte I (27.03.1999) - https://web.archive.org/web/20091124025104/http://www.hcgallery.com.br/genea6.htmParte II (28.04.1999) - https://web.archive.org/web/20091124025104/http://www.hcgallery.com.br/genea7.htmParte III (26.05.1999) - https://web.archive.org/web/20091124025104/http://www.hcgallery.com.br/genea8.htmParte IV (26.06.1999) - https://web.archive.org/web/20091124025104/http://www.hcgallery.com.br/genea9.htmTenho sido abordado, em algumas conversas, por diversos interrogatórios sobre a questão da nobreza das famílias brasileiras, e se a genealogia serve, apenas, para desvendar, encontrar ou enaltecer a nobreza.
Lamentável esta forma de pensar, julgando a Genealogia como u simples instrumento de investigação para a satisfação da vaidade.
Esta confusão se deu, entre outras causas, fundamentalmente, ao confundirem Genealogia com Nobiliarquia ou com Heráldica. Cada qual tem a sua finalidade e o seu campo de pesquisa.
Os estudos genealógicos no Brasil, como acentuou Gilberto Freyre, em geral foram realizados superficialmente para atender à vaidade de barões do Império e de «snobs» da República, carecendo de realismo e de profundidade que correspondem às necessidades puramente científicas. E manifesta o desejo de que tais estudos tomassem um cunho mais social e pudessem verificar, por exemplo, até que ponto são verdadeiras certas irregularidades celebradas pelo folclore brasileiro, entre as quais cita aquela que diz: "Não há Wanderley que não beba, Albuquerque que não minta, Cavalcanti que não deva, nem Souza Leão ou Carneiro da Cunha que não goste de negra." (José Honório Rodrigues, Teoria da História do Brasil, São Paulo, 1949 - p. 155)
Não se pode negar que a origem dos primeiros grandes livros de genealogia, em Portugal, por exemplo, não surgiram simplesmente, para definir, juridicamente, quem são os grandes proprietários - naquele tempo, os grandes senhores feudais, portanto a grande nobreza - e «quem é quem» na sociedade feudal.
Neste caso, a Genealogia teve um princípio como Nobiliarquia, e não como genealogia propriamente dita.
Poderão notar os pesquisadores de que estas antigas obras genealógicas - sim, genealógicas por que tratavam das indagações da origem e sucessão das famílias - eram, na verdade, genealogias do ponto de vista nobiliárquico, porque preocupavam-se em traças a sucessão das famílias nobres daquele tempo.
Desde quando "Nobiliarquia" significa "genealogia"??
Entende-se por "Nobiliarquia" o estudo que contém os apelidos, origens, tradições e genealogias das famílias nobres de uma província, nação, etc., e trata de seus brasões, de seus feito, serviços, etc. Nobres são aqueles que pertencem a classe da nobreza, que tem a qualidade de nobre ou de fidalgo.
A classe da nobreza, segundo o antigo regime, era a classe social à qual o direito reconhecia privilégios que eram transmitidos hereditariamente, somente pelo fato do nascimento. Também os são os Fidalgos - os filhos de algo, os filhos de alguém, ou a sucessão genealógica dos filhos da nobreza.
Basta fazermos uma leitura da introdução de um dos mais antigos livros de genealogia, em Portugal - que, conforme dissemos, é um livro de genealogia da nobreza, portanto, um nobiliário - para percebermos a razão da sua existência:
LIVRO DE LINHAGENS
"Em nome de Deos Amen. Por saberem os homens fidalgos de Portugal de qual linhagem vem, e de quaes coutos, honras, mosteiros, e igrejas som naturaes, e per saberem como som parentes, fazemos escrever este livro verdadeiramente dos linhagens daqueles que som naturaes e moradores no reino de Portugal estremamente. E deste livro se pode seguir muita prol e arredar muito danno; cá muitos vem de bom linhagem e nom o sabem elles, nem o sabem os reis, nem o sabem os grandes homens: ca se o soubessem em alguma maneira lhes viria onde bem, em alguma maneira, dos senhores. E os outros nom casam como devem, e casam em pecado porque non sabem o linhagem. E muitos som naturaes e padroeiros de muitos mosteiros, e de muitas igrejas, ede muitos couto, e de muitas honras, e de muitos terras, que o perdem à mingua de saber de que linhagem vem: e outros se fazem naturaes de muitos lugares onde o nom som: porque des o tempo delrey D. Affonso o que ganhou Toledo acá forom feitos os mais dos mosteiros, e igrejas, e dos coutos, e das honras. Que em tempo deste rey que reinou longamente forom muitos ricos homens, e infançoens que ora poremos por padroens onde descendem os filhos d'algo". [LIVRO DE LINHAGEM I, Edições Bilbion, Lisboa, 1937 - pág. 1]
Esta impressionante obra, LIVRO DE LINHAGEM, de autor desconhecido, que o Padre José Matoso, calcula datar aproximadamente de 1270-1280, nos legou as mais importantes informações sobre a verdadeira origem das principais famílias da fundação de Portugal, denunciando, no entanto, de que nem a própria nobreza, daquele tempo, saberia informar quem são os seus verdadeiros fidalgos.
Nas primeiras linhas da introdução do LIVRO DE LINHAGENS, o autor alega, como intenção da sua obra, alertar aos fidalgos de Portugal suas verdadeiras origens, a que linhagens pertenciam, e de que forma os mesmos são parentes.
Informa também, a importância de se registrar a verdadeira origem e genealogia das grandes linhagens, por não a saberem os fidalgos, os reis e os grandes reis. Alerta que, este desconhecimento de suas origens, os levavam a realizarem «desaconselháveis» alianças matrimoniais, ocasionando a perda ou o enfraquecimento de seus bens, coutos e honras.
Assim, não nos parece exagero afirmar de que a finalidade deste antigo Livro de Linhagem, tinha um cunho jurídico, utilizando-se os registros genealógicos para saber quem são os verdadeiros donos das terras, ou seja, quem são os grandes senhores feudais, ou qual é a verdadeira nobreza de Portugal.
O próprio autor, anônimo afirma - em pleno século XIII - de que a estes registros genealógicos das grandes linhagens de Portugal serviria para evitar danos territoriais [«se pode seguir muita prol e arredar muito danno»], isto porque, ao se casarem com quem não deviam [«à mingua de saber de que linhagem vem»], perdiam suas propriedades [«padroeiros de muitos mosteiros, e de muitas igrejas, e de muitos coutos, e de muitos honras, e de muitos terras»].
Enfim, o mais antigo livro de assuntos genealógicos que se tem notícia em Portugal, era um nobiliário.
Com o passar dos anos, mais dois Livros de Linhagens foram elaborados e, confirmando a importância destes estudos, naqueles tempos, a própria Casa Real investiu-se nestes estudos. No século XIV, surgiu o famoso NOBILIÁRIO DO CONDE D. PEDRO, escrito antes de 1354, considerado o melhor daquele tempo, de autoria do Conde de Barcelos, D. Pedro, filho bastardo do Rei D. Dinis de Portugal.
De 1354 a 1999, se passaram seiscentos e quarenta e cinco anos [645].
Como é possível, depois de mais de meio século de história, quererem alguns críticos - desavisados, talvez por desconhecimento do assunto, ou simplesmente, adeptos da crítica, pelo simples prazer de criticar, na maioria das vezes, sem o conhecimento da matéria - ver na genealogia, as mesmas intenções da Idade Média ?
A nobreza francesa, por exemplo, uma classe privilegiada e dirigente do Estado, foi perseguida na Revolução de 1789. No entanto, hoje, fins do século XX, a genealogia, dentro do seu significado etimológico - estudo ou tratado da origem da família, da raça, da tribo, da pátria, etc., independente da posição social ou econômica da família - é extremamente difundida na França. São quase cento e cinquenta associações genealógicas espalhadas por todo território francês, das quais, um terço, aproximadamente, está estabelecida em Paris.
Quase todas as províncias ou departamentos franceses possuem uma associação genealógica que trata de assuntos referentes àqueles departamentos. Há também, a «Federation des Societes Francaises de Genealogie, d'Heraldique et de Sigillographie», em Paris, aglutinando todas as demais neste centro.
Fora estas Associações departamentais, existem Associações Temáticas, uma prova fundamental de que na França, após o «caça-bruxas», de 1789, eles, mais do que ninguém, sabem o valor exato da genealogia.
Há, por exemplo, uma associação genealógica dedicada aos estudos das emigrações dos povos da África do Norte.
Há uma associação genealógica dedicada aos estudos dos descendentes dos corsários.
Há uma associação genealógica dedicada aos estudos dos judeus na França: Cercle de Genealogie Juive.
Há um centro de estudos de «genealogie protestant».
Além das Associações departamentais e temáticas, existem as Associações de Empresas, como:
Círculo enealógico do Aeroporto de Paris - destinada aos estudos genealógicos dos funcionários do Aeroporto «Orly»;
Há uma «Section Genealogie» do Clube Esportivo e Artístico da Empresa AMX-SPX, de versailles.
Há um centro de estudos genealógicos dos ferroviários.
Há um setor de estudos genealógicos no Centro Hospitalar de Cannes.
Há um setor de estudos genealógicos na Fábrica Peugeot.
Há um setor de estudos genealógicos na Sociedade dos Vinhos Franceses.
Há um setor de estudos genealógicos na Sociedade dos Criadores de Cavalos; etc.
Fui abordado algumas vezes, por genealogistas particulares, sobre os enterramentos de seus antepassados, ora em cemitérios, ora dentro da Igrejas. Percebeu-se que, a partir de meados do século XIX, os sepultamentos, pouco a pouco, foram deixando de ser realizados dentro das igrejas, em suas catacumbas, e transferidos para cemitérios públicos.
Por quê?
Tal procedimento ocorreu em decorrência de uma grande epidemia de febre amarela que assolou o Rio de Janeiro. O Governo Imperial, autorizado pelo Corpo Legislativo, decretou, a 5 de setembro de 1850, a abertura de cemitérios nos subúrbios do Rio de Janeiro (artigo 1.º, § 1.º), tornando proibido, definitivamente, os enterramentos entro das igrejas.
CEMITÉRIO - terreno reservado onde se enterram e guardam os cadáveres humanos. || (Por ext.) Terreno reservado para os cadáveres dos irracionais. || (Fig.) Lugar em que a morte faz muitas vítimas: A epidemia tinha feito da cidade um vasto cemitério. || F. lat. Coemiterium. [Caldas Aulete, Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa, Rio, Delca, 1964 - vol. 1, p. 754].
Já há algum tempo os médicos vinham condenando os sepultamentos em cemitérios que ficavam colados aos hospitais. As catacumbas das igrejas não tinham mais espaços. O Conselheiro José Clemente Pereira, Provedor da Santa Casa de Misericórdia, aos poucos vinha se indispondo com esta situação, privilegiada de alguns, de serem enterrados em cemitérios nas proximidades dos Hospital da Santa Casa de Misericórdia.
Somente de 1838 a 1839, informa Vieira Fazenda [Os Provedores da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. Rio, 1960, p.170], «foram inumados 3.194 cadáveres e, nos últimos 8 anos anteriores, 22.279».
Inconformado com esta situação, conseguiu, o Conselheiro Clemente Pereira, que se fundasse um cemitério público, o que aconteceu na Ponta do Caju, começando a funcionar a 20 de Julho de 1839. Uma epidemia de cólera, ocorrida pouco tempo depois de seu funcionamento, levaria às sepulturas mais de 300 pessoas. A 1.º de Novembro de 1840 mandou fechar para sempre os jazigos e catacumbas do hospital.
Os ingleses, muitos anos antes destes acontecimentos, já mantinham um cemitério, no Rio de Janeiro, desde 1809, por doação feita pelo Príncipe Regente D. João, a pedido do Lorde Stransford, Ministro da Inglaterra, para nele dar sepultura aos restos mortais de membros da Igreja Anglicana.
Em 1851, a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, abriu os cemitérios de «São Francisco Xavier» e de «São João Batista».
O primeiro, de São Francisco Xavier, no Caju, tem 668.720m2. Em 1924 já possuía 20.000 sepulturas ocupadas. Por volta de 1866, uma área daquele cemitério, exatamente 1.885m2 foi vendida à Irmandade do Príncipe dos Apóstolos São Pedro, para nela sepultar seus irmãos.
O segundo, São João Batista, mede 172.575m2, sendo 531m pela Rua General Polidoro e 325m pela Rua Real Grandeza. Ficou instalado na região sul da cidade do Rio de Janeiro, no nobre bairro de Botafogo.
A Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco de Paula, em 1849, adquiriu uma grande chácara no bairro do Catumbí, para nela instalar o seu cemitério e dar sepultamento a seus irmãos. O Decreto de 30 de março de 1849, do Ministro do Império, aprovou a construção deste cemitério.
Com aprovação da Imperial Academia de Medicina, foram transladados os restos mortais de 457 irmãos que se encontravam sepultados nas catacumbas da igreja, para o cemitério. Foi este o «campo santo» da nobreza brasileira. Entre os transladados, por exemplo, estavam:
Os Marqueses: de Bellas, de Vagos, de Paranaguá, de Barbacena, de Jundiaí, de Jacarepaguá, de Inhambupe, de Maricá, de Baependi, de São João da Palma e de Aguiar.
As Marquesas: de Vallada, de São João da Palma, de Nazareth, de Jundiaí, de Itaguaí e de Maricá.
Os Condes: da Barca, de Gouvêas (Vice-Rei), de São João das Duas Barras, de Gestes, de Beaurepaire, de Sarapuí, de Souzel e de Galveias.
As Condesas: de Escragnolle, da Figueira e de Iguassú.
Os Viscondes: do Rio Branco, de Gencinó e de Mirandela.
As Viscondessas: da Cunha e de Mirandela.
Os Barões: de Corovê, de Taquarí, de Sorocaba, de Ubá e Nevew.
As Baronesas: de S. Chruburg e de Inhomirim.
O primeiro sepultamento direto efetuou-se a 28 de setembro de 1850 - D. Maria J. da Conceição, no Carneiro n.º 1409.
Em 1857 a Irmandade da Misericórdia recebeu dois grandes lotes de terreno, na Ponta do Caju, para a instalação do Cemitério da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência e de Nossa Senhora do Monte do Carmo.
Sobre as catacumbas da Igreja da Ordem Terceira da Penitência do Rio de Janeiro, rápidas referências encontramos no trabalho do Prof. Mário BARATA, ao historiar a igreja:
«Na comunicação do pátio para o Cemitério das Catacumbas há portada antiga de granito com inscrição pintada ao alto, entre volutas dizendo "EXULTABUNT DOMIN OSSA HUMILIATA".
A Capela anexa, no fundo do cemitério, participa em geral do aspecto neoclássico do conjunto, valorizado pelas colunas sóbrias da área central. Iniciado em 1814, o cemitério foi inaugurado em 1827, seu uso terminou em 1850. Vale a pena visitá-lo. Note-se, porém, que uma estátua de São Francisco, de gesso, ali colocada recentemente, é de artista atual, não representando obviamente o estilo e a solução espacial do recinto.» [Mário Barata, Igreja da Ordem 3.ª da Penitência do Rio de Janeiro. Editora Agir, Arte no Brasil, vol. 3, 1975 - p.48]
Segundo relatório da Ordem Terceira de N. S. do Monte do Carmo, de 1898, sepultaram-se em seu cemitério, naquele ano, 222 indivíduos.
No Rio de Janeiro, ainda no século XIX, apareceram outros cemitérios:
Em 1888, o Cemitério de Inhaúma
Em 1894, o Cemitério de Irajá
Em 1895, o Cemitério de Realengo
Em 1896, o Cemitério de Campo Grande
Em 1899, o Cemitério da Ilha do Governador
Fonte: Revista e ampliada da obra: Presidentes do Senado no Império. Uma Radiografia Histórica, Genealógica, Social, Política e Diplomática do Brasil Imperial. 1997 - 783 págs. do autor: Carlos Eduardo Barata.
Minas, 27.03.1999 - Carlos de Almeida Barata
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Recentemente, através da HC GALLERY [hcgallery@ccard.com.br] recebi de um historiador, um e-mail pedindo informações sobre a família do General LABATUR.
Nossas investigações chegaram ao seguinte resultado:
LABATUT - Sobrenome de origem geográfica. Localidade de origem, na França. Família de origem francesa, estabelecida no Rio de Janeiro, procedente do Coronel do Exército Francês Pedro Labatut [16.05.1768, Canes, França - 24.09.1849, Bahia], sepultado no Mosteiro da Piedade. Em 1853, seus restos mortais foram trasladados para a matriz de Pirajá. Oficial da Legião de Honra, General das Tropas Libertadoras da Nova Granada, General de Brigada do Exército francês. Achando-se no Brasil ofereceu-se para servir no exército brasileiro, onde foi admitido no posto de Brigadeiro [03.07.1822]. Comandante das Tropas Libertadoras da Bahia [09.07.1822]. Herói da batalha de Pirajá, Comandante das Forças Pacificadoras da Prov. do Ceará [07.06.1832], Marechal de Campo graduado [02.12.1839], Comandante das Forças da fronteira da Prov. de São Paulo [10.01.1840], Marechal de Campo [15.11.1845]. O decreto de 25.10.1831, autoriza o Governo para mandar passar carta de naturalização a Pedro Labatut, Brigadeiro do Exército do Brasil. Filho de Antoine Labatut e de Genoveva Alegre. Deixou numerosa descendência de seu cas. com Maria Cristina Ursula Montagnion. Provável descendente seu, deve ter sido Venancio Hemeterio Lobo Labatut, nascido por volta de 1874, em Alagoas. Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito do Recife, Pernambuco [1895].
Recentemente, através da HC GALLERY [hcgallery@ccard.com.br] recebi um e-mail, pedindo informações sobre as origens da família LIMA E SILVA.
Nossas investigações chegaram ao seguinte resultado:
LIMA E SILVA - Uma das mais importantes famílias de oficiais militares de altas patentes, do Exército, de origem portuguesa, estabelecida no Rio de Janeiro, para onde passou o Marechal de Campo José Joaquim de Lima e Silva [01.03.1746, freguesia de Santa Maria de Lagos, Algarve - 25.04.1821, Rio, RJ], filho do Sargento-Mor de Infantaria João da Silva da Fonseca Lima e de Isabel Maria Josefa Brandão Ivo - que, segundo dizem, era descendente de um irmão do glorioso Santo Ivo, canonizado pelo Papa Clemente VII no ano de 1348, membro de uma das primeiras famílias da Bretanha, em França.
O então Capitão José Joaquim de Lima e Silva, passou ao Brasil, em 1783. Sobre sua carreira militar, informa o Coronel Laurênio Lago
«Era capitão do 1.º Regimento de Infantaria de Bragança quando foi confirmado no pôsto de sargento-mor nomeado por comissão pelo vice-rei Luiz de Vasconcelos, como se vê da sua patente assinada em 27 de outubro de 1792. Foi promovido a tenente-coronel em 10 de outubro de 1800, a coronel graduado em 12 de outubro de 1808, a brigadeiro em 13 de maio de 1812, a marechal de campo graduado em 6 de fevereiro de 1818. Foi nomeado vogal do Conselho Supremo Militar em 6 de Fevereiro de 1818.» (Brigadeiros e Generais de D. João VI e D. Pedro I. Rio, 1938 - pág. 93)
Deixou numerosa descendência, no Rio de Janeiro, de seu cas., no Rio de Janeiro, com Joana Maria da Fonseca Costa [1762, Rio, RJ - 1842, Rio, RJ], neta do Sarg. Mor João Francisco da Costa, patriarca desta família Fonseca Costa (v.s.), do Rio de Janeiro. Entre seus descendentes, cabe registrar:
o filho, Tenente General Francisco de Lima e Silva [1785-853], Barão da Barra Grande - que segue;
o filho Marechal José Joaquim de Lima e Silva [1787-1855], Visconde de Magé - que segue;
o filho, Tenente General Manoel da Fonseca de Lima e Silva [1793-1869], Barão de Suruí - que segue;
o filho General João Manuel de Lima e Silva [1805-1837];
o filho Marechal Luiz Manoel de Lima e Silva [29.08.1806, Rio, RJ - 23.07.1873, Porto Alegre, RS], Comendador da Ordem de São Bento de Aviz. Comendador da Ordem da Rosa. Brigadeiro. Deixou geração natural, conforme vai dito adiante;
a filha Maria Joaquina de Lima e Silva [1788-1862], uma das matriarcas da família Burlamaqui (v.s.), do Piauí;
o neto Marechal Luiz Alves de Lima e Silva [1803- 1880], Duque de Caxias - que segue;
o neto, Major João Manuel de Lima e Silva [02.02.1805, Rio, RJ - 29.08.1837, São Borja, RS], patriarca desta família Lima e Silva, no Rio Grande do Sul. Brigadeiro, general de divisão graduado. Deixou geração do seu cas., a 26.04.1828, em Porto Alegre, RS, com Maria Joaquina de Almeida Corte Real [1810, Caçapava, RS - 23.10.1878, Porto Alegre, RS], filha do brigadeiro Francisco de Borja de Almeida Corte Real e de Maria Angélica da Fontoura;
o neto, Coronel José Joaquim de Lima e Silva Sobrinho [1809-1894], Conde de Tocantins - que segue;
o neto tenente Carlos Miguel de Lima e Silva [29.09.1813, Rio, RJ - 1845], alferes do Batalhão do Imperador;
a neta, Carlota Guilhermina de Lima e Silva [1817-1894], baronesa com honras de Grandeza do Suruí - que segue;
o neto Coronel José Joaquim de Lima e Silva [13.12.1831, Rio, RJ - 10.03.1880, Rio, RJ], bacharel em Ciências Físicas e Matemáticas. Moço Fidalgo com exercício na Casa Imperial. Cavaleiro da Ordem de São Bento de Aviz. Cavaleiro da Ordem de Cristo e da Imperial Ordem do Cruzeiro. Comendador da Ordem da Rosa;
o neto Marechal Francisco de Lima e Silva [25.04.1835, Rio, RJ - 02.09.1903, idem, general de brigada];
o neto Marechal João Manuel de Lima e Silva [1832-1899];
a neta, Teresa Camila de Lima e Silva [07.07.1844, Porto Alegre, RS -], baronesa com honras de Grandeza de São Sepe - que segue;
o bisneto, Conselheiro Francisco Augusto de Lima e Silva [16.10.1832, Rio, RJ - 09.08.1905, idem] - filho natural do major Francisco de Lima e Silva Filho [citado abaixo], que foi batizado a 16 de Novembro, e foi legitimado pelo avô paterno, o Regente Lima e Silva, em 03.04.1846. Chefe de Repartição. Fiscal das Forças que em 1865, invadiu o Paraguai, pela Província do Mato Grosso. Comendador da Ordem de Cristo. Conselheiro. Coronel Honorário do Exército. Presidente da Imperial Sociedade Auxiliadora das Artes Mecânicas, Liberais e Beneficentes. Deixou geração somente do seu primeiro cas., a 05.04.1865, em casa de Geraldo da Silva Corrêa, na rua de Mata-cavalos, Rio, com Emília Guilhermina Buys [04.03.1839, Rio, RJ - 14.09.1882, idem], filha do brigadeiro Vicente Antônio Buys, patriarca de um dos ramos da família Buys (v.s.), do Rio Grande do Sul;
o bisneto, Coronel Francisco de Lima e Silva [25.08.1831, Porto Alegre, RS - 11.12.1868, na batalha de Avaí, na guerra do Paraguai];
o bisneto, Marechal João Manuel de Lima e Silva [05.11.1832, Porto Alegre, RS - 28.06.1899, Rio, RJ], brigadeiro, general de divisão graduado. Reformado a 30.11.1897, no posto de Marechal. Cavaleiro da Ordem de Cristo [1874]. Cavaleiro da Ordem de São Bento de Aviz [1875]. Deixou geração do seu cas., a 02.07.1871, em Porto Alegre, RS, com Maria Francisca Pinheiro Bittencourt [20.06.1845, Porto Alegre, RS - 21.10.1893, Cuiabá, MT], filha do Marechal Francisco Antônio da Silva Bittencourt;
a bisneta, Luiza do Loreto Viana de Lima [e Silva] [05.12.1833, Rio, RJ - 22.04.1902, idem], baronesa com honras de Grandeza de Santa Mônica - que segue;
o bisneto, Luiz César de Lima e Silva [26.03.1838, Dores do Piraí, RJ -29.06.1875, Paris, França], Moço Fidalgo da Casa Imperial. Cavaleiro da Real Ordem Belga de São Leopoldo. Oficial da Imperial Ordem da Rosa e Cavaleiro da Ordem de Cristo. Diplomata. Deixou geração do seu cas., em 1864, em Paris, França, com Vera Haritoff [- 09.09.1909, Paris, França], filha de Alexis Haritoff e de Ana Louy;
o bisneto, Coronel Diogenes César de Lima e Silva [11.01.1846, Rio, RJ - 10.07.1877], Coronel Honorário do Exército. Oficial da Imperial Ordem da Rosa. Faleceu no Combate de Vileta, na Guerra do Paraguai;
a bisneta, Mariana Cândida de Lima e Silva [1852, Rio, RJ - 02.06.1891, idem], baronesa e viscondessa da Vargem Alegre - que segue;
a bisneta, Maria Balbina de Lima e Silva [21.11.1857, Rio, RJ - 15.02.1946, idem], matriarca da família Cosme Pinto (v.s.), do Rio de Janeiro;
a bisneta, Amélia Júlia de Mariz Lima e Silva [16.12.1864, Itaguaí, RJ - 03.03.1946, Barra do Piraí, RJ], matriarca da família Teixeira Neto (v.s.), do Estado do Rio de Janeiro;
a terceira neta, Ana Cecília Maria de Lima e Silva [1865, Paris, França - 13.10.1940, Rio, RJ], condessa romana de Souza Dantas - que segue;
o terceiro neto, Luiz Maurício de Lima e Silva [31.10.1869, Paris, França -], diplomata;
o terceiro neto, Diógenes Buys de Lima e Silva [31.08.1871, Rio, RJ - 08.12.1930, idem], engenheiro civil, Lente Catedrático da Escola nacional e Livre Docente de Mecânica Racional da antiga Escola Politécnica do Rio de Janeiro;
o terceiro neto, Otávio de Lima e Silva [10.07.1872, Porto Alegre, RS - 01.08.1908, idem], Capitão Tenente da Marinha de Guerra;
o terceiro neto, Rinaldo de Lima e Silva [04.02.1874, Porto Alegre, RS - 1935], diplomata, embaixador;
o terceiro neto, Leopoldo de Lima e Silva [- 25.04.1931], diplomata. Cônsul do Brasil, em Paris, França, onde deixou geração natural - ver adiante; e
o diplomata José Joaquim de Lima e Silva Moniz de Aragão [12.05.1887, Rio, RJ -], bacharel em Ciências e Letras pelo Colégio Pedro II e em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro. Adido à Secretaria de Estado [1908-1910] .Serviu no Gabinete do Ministro Rio Branco [1908-1912]. 3.º Oficial, por Portaria de 10.05.1910. 2.º Secretário, por Decreto de 25.05.1911, atuando em Washington e Montevidéu. 1.º Secretário, por Decreto de 16.05.1913, atuando em Montevidéu, Madri e Roma. 1.º Secretário da Delegação do Brasil junto à Conferência da Paz de Versalhes [Decreto de 27.12.1918]. Ministro Residente em Genebra (Liga das nações), por Decreto de 30.12.1925. Serviu em Washington [1926], Paris [1926]. Designado Ministro Residente em comissão de Enviado Extraordinário e Ministro Plenipotenciário em Copenhague [1929]. Em se tratando de família de militares, de altas patentes, ver também Espírito Santo Cardoso, Mena Barreto e Hermes, para o exército, e Lamare e Thompson, para a Marinha.
Linha Natural: Entende-se por linha natural, a descendência do um dos membro desta família que, não sendo casado, deixou geração.
O citado Visconde de Magé, teve, quando solteiro, uma filha, de mãe não identificada.
O major Francisco de Lima e Silva Filho [1811-1844], filho do citado Regente do Império, antes de seu matrimônio, teve um filho natural, que foi o Conselheiro Francisco Augusto de Lima e Silva, legitimado pelo avô paterno, o Regente Lima e Silva, em 1846.
O citado Marechal Luiz Manoel de Lima e Silva [1806-1873], embora solteiro, teve, porém, dois filhos de mãe desconhecida; e com Júlia Francisca de Jesus, nat. de Porto Alegre (RS), teve mais quatro filhos, que foram reconhecidos.
O diplomata Leopoldo de Lima e Silva [? -1931], Cônsul do Brasil em Paris, neto do citado Conde de Tocantins, deixou um filho, que reconheceu, havido com a francesa Jeanne Bourgeois [1873, Montmorency - 1956, Paris], filha de modestos fabricantes de colchões.
Nobreza Titular: Entende-se por nobreza titular, os membros esta família que foram agraciados com títulos de nobreza. As relações de parentesco que precede aos nomes, referem-se ao patriarca da família, citado no início deste artigo:
1 - o filho, Tenente General Francisco de Lima e Silva [08.06.1785, Rio, RJ - 02.12.1853, idem], Regente do Império, agraciado com o título [18.07.1841] de Barão da Barra Grande, que nunca usou, e dizem que recusou a mercê por ter sido agraciado no mesmo dia em que seu filho o foi, com o título de barão de Caxias, e por julgar-se merecedor de maior hierarquia.
Sobre sua carreira militar, informa Laurênio Lago:
«Assentou praça de cadete com a idade de cinco anos no regimento de Bragança, do qual era comandante seu pai. Sendo alferes foi promovido a tenente em 20 de agosto de 1799, a sargento-mor, sendo capitão, a 10 de novembro de 1815, a tenente-coronel graduado em 4 de julho de 1818. Era coronel comandante do 2.º batalhão de caçadores quando foi graduado no pôsto de brigadeiro por decreto de 9 de agosto de 1824. Nesse mesmo ano seguiu para a provincia de Pernambuco na qualidade de comandante da brigada expedicionária contra a revolução, acumulando os cargos de presidente interino da provincia e da comissão militar criada em 27 de julho dêsse ano.
Em decreto de 16 de agosto de 1827 D. Pedro I resolveu conceder ao brigadeiro Francisco de Lima e Silva a pensão anual de trezentos mil réis. Em vista da representação feita pelo mesmo brigadeiro, foi declarado em decreto de 29, também de agosto, que a referida mercê se verificasse nas pessoas das suas três filhas D.D. Bernardina Mafalda de Lima e Silva, Carlota Guilhermina de Lima e Silva e Carolina Leopoldina de Lima e Silva.
Em decreto de 5 de setembro de 1828 foi nomeado governador das armas da provincia de São Paulo, sendo dispensado a 5 de novembro de 1829. Em 5 de dezembro dêsse ano foi nomeado interinamente governador das armas da Côrte e província do Rio de Janeiro, sendo dispensado e nomeado para o comando das armas de São Paulo, que anteriormente exercia, por decreto de 9 de dezembro de 1830.
Em 19 de março de 1831 foi nomeado comandante das armas da Côrte e província. Em 7 de abril de 1831, foi o brigadeiro Francisco de Lima e Silva que entregou no paço do Senado o ato de abdicação de D. Pedro I. No mesmo dia foi eleito membro da regência provisória juntamente com o marquês de Caravelas e Nicolau Pereira de Campos Vergueiro.
A 17 de junho do referido ano de 1831 a Assembléia Geral elegeu a regência permanente que ficou formada pelo brigadeiro Francisco de Lima e Silva e deputados José da Costa Carvalho e João Braulio Moniz. Eleito Senador pela província do Rio de Janeiro foi escolhido a 6 de março de 1837. Era grã-cruz da ordem do Cruzeiro e possuía a medalha militar de ouro.» (Brigadeiros e Generais de D. João VI e D. Pedro I. Rio, 1938 - pág. 40).
Deixou numerosa descendência do seu cas., a 07.11.1801, na casa do coronel Manuel Alvares da Fonseca Costa, no bairro da Glória, Rio, com Mariana Cândida de Oliveira Belo [29.04.1783, Paraíba do Sul, RJ - 10.11.1841, Rio, RJ], baronesa da Barra Grande, filha do coronel Luiz Alves de Freitas Belo e de Ana Quitéria Joaquina de Oliveira, patriarcas da família Oliveira Belo (v.s.), do Rio de Janeiro.
2. o filho Marechal José Joaquim de Lima e Silva [26.07.1787, Rio, RJ -- 24.08.1855, idem], agraciado com o título [02.12.854] de Visconde com honras da Grandeza de Magé.
Sobre sua carreira militar, informa o Coronel Laurênio Lago:
«Assentou praça de cadete no 1.º regimento de infantaria de linha a 6 de outubro de 1790, foi promovido a alferes em 15 de agosto de 1805, a tenente em 17 de dezembro de 1806, a capitão em 12 de outubro de 1808, a major em 17 de dezembro de 1814, a tenente-coronel em 6 de fevereiro de 1818, a coronel graduado em 24 de junho de 1822, a coronel em 9 de maio de 1823, a brigadeiro graduado em 9 de agosto de 1824, a brigadeiro em 25 de março de 1825, a marechal de campo graduado em 12 de setembro de 1837, a marechal de campo em 2 de dezembro de 1839, a tenente-general graduado a 7 de setembro de 1842 com antigüidade em 18 de julho de 1841, a tenente general em 15 de novembro de 1846.
Em 18 de dezembro de 1814 foi nomeado comandante da tropa de infantaria de linha do Piauí e encarregado da inspeção dos corpos milicianos da mesma província, sendo dispensado dessa comissão em 28 de setembro de 1818.
Organizado o batalhão do imperador por decreto de 18 de janeiro de 1823 foi nomeado seu comandante e com o mesmo marchou para a província da Baía onde fez a campanha da independência do Brasil, primeiro na qualidade de comandante da 1.ª brigada do exército pacificador da referida província e depois como comandante em chefe do exército e de todas as tropas das 1.ª e 2.ª linhas da provincia por decreto de 24 de maio de 1823 do govêrno provisório da parte dos independentes, tomando parte nas ações de 3 de maio e 3 de junho desse ano.
Por decreto de 17 de fevereiro de 1824 foi nomeado ajudante de campo junto à pessoa do imperador. Em 7 de abril dêsse ano prestou juramento à Constituição política do Império.
Em 7 de abril de 1831 foi nomeado comandante das armas da Côrte e provincia do Rio de Janeiro, cargo de que foi exonerado a pedido em 1 de setembro do mesmo ano.
Em 24 de outubro de 1832 foi nomeado vogal do Conselho Supremo Militar. Foi nomeado secretário de guerra por decreto de 2 de janeiro de 1834, cargo de que foi exonerado em 15 de novembro de 1842.
Nas 3.ª, 4.ª e 5.ª legislaturas, 1834 a 1844, foi eleito deputado geral pela província do Piauí.
Teve o título de conselho em 12 de julho de 1841, havendo sido elevado ao cargo de conselheiro de estado extraordinário por decreto de 5 de fevereiro de 1842.
Possuía as condecorações das ordens de S. Bento de Aviz, Rosa e Cruzeiro e a medalha de distinção concedida ao exército pacificador da Baía. Solicitou reforma do serviço do exército que lhe foi concedida no pôsto de marechal do exército por decreto de 17 de janeiro de 1852.».
Deixou geração natural, conforme foi citado acima. Deixou numerosa descendência do seu cas., a 05.10.1825, com sua prima irmã, Maria Eulália de Lima Fonseca [bat. 19.10.1812, Rio, RJ -], viscondessa com honras de Grandeza de Magé, neta de João Francisco de Lima Fonseca, patriarca da família Lima Fonseca Gutierrez (v.s.), do Rio de Janeiro (Brigadeiros e Generais de D. João VI e D. Pedro I. Rio, 1938 - pág. 93).
3. o filho, Tenente General Manoel da Fonseca de Lima e Silva [10.06.1793, Rio, RJ - 01.04.1869, idem], Ministro da Guerra [Nomeado a 16.07.1831]. Ministro da Justiça [Nomeado a 30.07.1832]. Ministro da Guerra e marinha [Nomeado a 14.10.1835]. Ministro da Guerra [Nomeado a 05.02.1836]. Ministro do Império [Nomeado a 01.11.1836]. Presidente da Província de São Paulo.
Comandante das Armas da Corte. Vogal do Conselho Supremo Militar [04.09.1837]. Conselheiro de Guerra [03.07.1852]. 1.º Ajudante General do Exército [31.01.1857]. Comandante Superior da Guarda nacional do Município da Corte. Brigadeiro, Marechal de Campo Graduado, Marechal de Campo e Tenente-General.
Foi agraciado com o título [02.12.1854] de Barão com honras de grandeza de Suruí.
Deixou geração do seu cas., a 08.06.1839, em casa de seu irmão e futuro sogro, com sua sobrinha Carlota Guilhermina de Lima e Silva, baronesa com honras de grandeza de Suruí, citada adiante.
4. o neto Marechal Luiz Alves de Lima e Silva [25.08.1803, Porto da Estrela, RJ - 07.05.1880, fazenda Santa Mônica, RJ], Oficial do Exército. Primeiro Praça [22.11.1808]; Alferes [12.10.1818]; Tenente [02.01.1821]; Capitão [22.01.1824]; Major [02.12.1828]; Tenente-Coronel [12.09.1837]; Coronel [02.12.1839]; Brigadeiro [18.07.1841]; Marechal de Campo [20.08.1842]; Tenente-General [03.03.1852]. Marechal do Exército.
Ajudante de Campo de S.M. o Imperador. Conselheiro de Estado e de Guerra [1858]. Senador do Império [RS-1846], Presidente das Províncias do Maranhão [1840] e Rio Grande do Sul [1842 e 1851]. Presidente do Conselho de Ministros [1856, 1861 e 1875]. Ministro da Guerra [1855, 1861 e 1875]. Veador.
Comendador da Imperial Ordem de Cristo. Comendador da Ordem de São Bento de Aviz [12.10.1827]. Grã-Cruz da Imperial Ordem de S. Bento de Aviz [11.09.1842]. Cavaleiro da Imperial Ordem da Rosa [18.10.1829]. Grã-Cruz efetiva da Imperial Ordem da Rosa [28.08.1866]. Cavaleiro da Imperial Ordem do Cruzeiro [17.02.1824]. Grã-Cruz do Cruzeiro [03.03.1868]. Grã-Cruz Ordem de Pedro I [26.12.1868] - a Jarreteita do Império - ver artigos Títulos de Nobreza II, HC GAllery, mês de Fevereiro. Medalha de Ouro da Guerra da Independência [Bahia]. Medalha de ouro do Exército em operações no Estado Oriental do Uruguai [26.06.1852]. Medalha comemorativa da Rendição de Uruguaiana [1866]. Medalha de Mérito Militar [20.02.1869].
Agraciado sucessivamente com os títulos de Barão de Caxias [Mercê de 18.07.1841], conde de Caxias [Designação de 25.03.1845], Marquês de Caxias [26.06.1852] e finalmente Duque de Caxias [23.03.1869].
Membro da Maçonaria: Iniciado em 1841 [RJ}, Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho [1847], Membro Efetivo do Supremo Conselho do Passeio [1861] e Grão mestre Honorário do Grande Oriente do Brasil.
Deixou numerosa descendência do seu cas., a 26.01.1833, no Rio, com Ana Luiza Carneiro Viana, Anicota [30.12.1816, Rio, RJ - 23.03.1874, idem], filha do desembargador Paulo Fernandes Viana e de Luiza Rosa Carneiro da Costa - patriarcas da família Carneiro Viana (v.s.), do Rio de Janeiro.
5. o neto Coronel José Joaquim de Lima e Silva Sobrinho [07.10.1809, Rio, RJ - 21.08.1894, idem], Veador, agraciado, sucessivamente, com os títulos de Visconde com Honras de Grandeza de Tocantins [Mercê de 17.07.1872] e de Conde de Tocantins [Mercê de 30.03.1889].
Deixando o exército, foi reformado no posto de Capitão. Membro da Guarda Nacional do Município da Corte do Rio de Janeiro, onde alcançou a patente de Coronel. Presidente do Banco do Brasil.
Presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro. Vice-Presidente da Caixa Econômica e Monte Socorro. Secretário da Imperial Companhia de Seguros Mútuos Contra Fogo.
Veador de S. majestade. Comendador da Ordem de Cristo. Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição da Vila Viçosa. Comendador da Imperial Ordem de Rosa [1851]. Comendador da Ordem de Ernestina de 2.ª Classe, da Coroa Ducal da Saxônia. Dignitário da Imperial Ordem da Rosa.
Deixou geração dos seus dois casamentos: o primeiro, em 1836, com Emiliana Umbelina de Morais, natural de Santana do Piraí, Estado do Rio de Janeiro, filha do barão de Piraí, membro da importante família Gonçalves de Morais, da região do Vale do Paraíba Fluminense, Estado do Rio de Janeiro; o segundo, a 15.04.1848, no Rio, em casa da avó paterna da noiva, sua prima Maria Balbina de Souza da Fonseca Costa [27.01.1828, Rio, RJ - 20.07.1912, idem], condessa de Tocantins, filha do Marquês da Gávea e terceira neta do sargento-mor João Francisco da Costa, patriarca da família Fonseca Costa, do Rio de Janeiro.
6. a neta, Carlota Guilhermina de Lima e Silva [11.03.1817, Rio, RJ - 06.09.1894, idem], que por seu cas., em 1830, com seu tio paterno, citado acima, tornou-se, em 1854, a baronesa com honras de Grandeza do Suruí. Em 1880, residia na rua de Santo Amaro, n.º 21, Glória, e, em 1891, já viúva, residia na Av. St. Martin, n.º 51, Petrópolis, RJ.
7. a neta, Teresa Camila de Lima e Silva [07.07.1844, Porto Alegre, RS -], que por seu cas., em 1863, com um membro da família Pereira de Carvalho (v.s.), do Rio Grande do Sul, tornou-se, em 1889, a baronesa com honras de Grandeza de São Sapé.
8. a bisneta, Luiza do Loreto Viana de Lima (e Silva) [05.12.1833, Rio, RJ - 22.04.1902, idem], por seu cas., em 1853, na importante família Nogueira da Gama, de Minas Gerais, tornou-se a baronesa com honras de Grandeza de Santa Mônica;
9. a bisneta, Mariana Cândida de Lima e Silva [1852, Rio, RJ -], que por seu casamento na importante família Oliveira Roxo, do Rio de Janeiro, tornou-se, em 1882, a baronesa e, em 1888, a viscondessa da Vargem Alegre.
10. a terceira neta, Ana Cecília Maria de Lima e Silva [1865, Paris, França - 13.10.1940, Rio, RJ], que por seu cas., em 1888, na importante família Souza Dantas, da Bahia, tornou-se a condessa romana de Souza Dantas.
Minas, 28.04.1999 - Carlos de Almeida Barata
Em meu segundo artigo da «Súmula Genealógica», fiz alguns esclarecimentos sobre os Cemitérios, acompanhado de uma relação de alguns membros da nobreza brasileira, enterrados no Cemitério do Catumbí [São Francisco de Paula]. Rapidamente, alguém perguntou-me:
De que tipo de doenças morriam àquelas personalidades??
Nem sempre, nos é possível saber esta resposta, porém, na muitos dos registros de óbitos consultados, apareceram alguns esclarecimentos.
Muitas das famílias daqueles tempos passados, foram pegas de surpresa por diversas epidemias que assolaram o Brasil, tais como a febre amarela, a varíola e o cólera-morbo, que levaram milhares de brasileiros às sepulturas.
Estas epidemias não eram novidades em meados do século XIX, por ocasião da Lei que tornou obrigatório a criação dos Cemitérios. No decorrer do século XVII, e, diante das péssimas condições higiênicas que vivia a Cidade do Rio de Janeiro, elas se alastravam.
Sua propagação se dava de todas as maneiras, pois não bastando a insuficiência de homens especializados para tratá-la, as roupas e colchões que deram leitos às vítimas, ficavam expostas ao ar livre, os cadáveres da escravatura, predominantemente atingida, eram mal sepultados, beirando estradas e caminhos. Muitos destes escravos morreram de «bexigas» [varíola] gênero de doença infecciosa, febril, com erupção cutânea pustulosa.
Nos anos de 1613, 1643, 1662, 1665 e 1693, por exemplo, violentas epidemias de varíola assolaram a Cidade do Rio de Janeiro, levando a uma grande mortandade entre a escravatura e os indígenas.
Durante o Império, período em que surgiram os cemitérios, o Rio de Janeiro viu-se, novamente, assolado por epidemias de varíola, febre amarela e cólera-morbo.
«Quando no segundo quartel da centúria, nos últimos meses de 1849, registrou-se no Rio de Janeiro intenso surto de varíola, logo seguido de terríveis e devastadoras epidemias de febre amarela e de cólera-morbo que acometeram cerca de 10.000 habitantes, dos quais 4.000 faleceram, a municipalidade estava inteiramente desarmada para enfrentar a grave situação. Não possuíam, nem ela nem o Governo Imperial, nenhum estabelecimento hospitalar para assistir os doentes pobres da comunidade e receber os infectados dos navios em quarentena no porto, e os que adoeciam em terra que, por contagiantes, não poderiam ser internados nos raros nosocômios de iniciativa privada em funcionamento» [Achilles Ribeiro de Araújo, A Assistência Médica Hospitalar no Rio de Janeiro no século XIX. Rio, 1992 - p.21]
Diante destes acontecimento, o Governo nomeou uma Comissão Central de Saúde, para combater esta calamidade. A mesma Comissão seria presidida pelo sanitarista Dr. Francisco de Paula Cândido, Catedrático da Faculdade de Medicina e Titular da Academia de Medicina. Aquela Comissão Central de Saúde, por Decreto de 14 de setembro de 1850 pasou a ser denominada de Junta Central de Higiene Pública.
A 6 de agosto de 1855, a Junta Central de Higiene Pública, então presidida pelo Dr. Paula Cândido, divulga sua «Instrução para médicos encarregados das vítimas preventivas»:
«Sendo reconhecido que o cholera-morbus raramente se manifesta de improviso, e que ao contrário na generalidade dos casos semelhantes padecimento se faz anunciar por sintomas precursores mais ou menos pronunciados, a Comissão Central de Saúde, considerando que as visitas preventivas, a exemplo do que se há observado em outros países muito podem concorrer para atalhar o progresso do mal, por isso especialmente as recomenda.
Os sintomas da enfermidade que primeiramente se declaram consistem em perturbações das funções digestivas, sendo porém, a diarreia segundo a observação geral, o mais constante desses sintomas, e que procede quase sempre o cólera...»
É lamentável que, do século XVII ao século XIX, muito sofreu o País com o arrasamento de seus habitantes que, indefesos e, por negligência das autoridades maiores, viram seus familiares falecerem por falta de atendimentos adequados e, por vezes, por falta de médicos e, até mesmo, de hospitais.
São estes acontecimentos que nos entristecem, deixando-nos com os corações enfermos, quando vemos que o «velho» é sempre moderno, que o passado não está tão longe quanto pensamos pois, ainda hoje, em pleno final do século XX, o mesmo cólera continua fazendo vítimas nas camadas mais baixas da população, mais uma vez, aquela classe desprivilegiada, que fulminantemente baixa à sepultura, sem mesmo saber o que as levou.
E os nossos hospitais?
Em 1850 inauguravam os Lazaretos da Ilha do Bom Jesus e do Saco do Alferes, além do Hospital de Nossa Senhora do Livramento, destinados a receber os enfermos.
Em 1851 inaugurava o Lazareto de Jurujuba, mais tarde batizado com o nome de Hospital PAULA CÂNDIDO, em homenagem àquele sanitarista.
Em 1852 inaugurava-se a 1.ª Enfermaria, no então caminho de Copacabana, a fim de atender aos habitantes de Botafogo e Copacabana.
Em 1852, instalou-se na Casa de Saúde do Doutor Peixoto (Antonio José Peixoto), a 2.ª Enfermaria, a fim de atender à população da Gamboa e adjacências.
Em 1855 começou a funcionar a 3.ª Enfermaria, em uma antiga Chácara do Morundu, destinada a atender à região de São Francisco Xavier do Engenho Velho.
Neste último ano, 1855, alastrava-se pela cidade a epidemia do cólera-morbo, tornando-se, dois meses depois, catastrófica, e durou até 1867.
Sobre a história e as consequências destas epidemias, o Dr. José Pereira Rêgo, futuro Barão do Lavradio, fez publicar, em 1872, o seguinte trabalho:
«Esboço histórico das epidemias que têm grassado no Rio de Janeiro desde 1830 até 1870»
«Nada foi mais mortífera do que esta epidemia. Nada foi mais pestilencial do que esta doença. Nada foi mais terrível do que este flagelo. A cronologia nosológica brasileira marcou esta epidemia com o apelido de peste.» [Manuel Xavier Vasconcellos Pedrosa. A Cólera Morbo e a Ordem da Rosa. Anais do Congresso de História do Segundo Reinado. Rio, 1984 - pág. 143]
Entre as vítimas atingidas por estas epidemias, de 1850 a 1856, que fazem parte das principais árvores genealógicas daquele tempo, por exemplo, cito:
Comendador José Thomaz Nabuco de Araújo, falecido a 18 de março de 1850, no Rio de Janeiro, vitimado por febre amarela.
Dr. Luiz Inácio Nascentes de Azambuja, falecido a 14 de janeiro de 1854, no Rio de Janeiro, vítima de febre tifóide.
Josefa Maria Batista Roquette Franco, falecida a 17 de novembro de 1855, em Petrópolis (RJ), vítima do cólera-morbu.
Em 1882 retornava a epidemia de varíola; em 1889, a febre amarela; em 1891, novamente a varíola; e por volta de 1919, a epidemia de gripe espanhola. Somente em 1889, a febre amarela matou 18.485 indivíduos.
Algumas vítimas destas epidemias:
Nicolau Antonio Calmon Nogueira da Gama, neto do Conde de Baependi, faleceu aos 17 anos de idade, a 20 de fevereiro de 1886, vítima de febre amerela.
Maria do Carmo de Oliveira Figueiredo, bisneta do Marquês de Sapucaí, faleceu aos 7 anos de idade, a 3 de fevereiro de 1903, vitimada de febre amarela.
Engenheiro Joaquim Silvério de Castro Barbosa, faleceu em outubro de 1919, no Rio de Janeiro, vitimado pela epidemia de gripe.
Além destas doenças, de caráter epidêmicos, pudemos tirar de alguns livros de óbitos outra variedade de doenças, que levaram ao falecimento inúmeros brasileiros.
A importância de se pesquisar estas velhas doenças, em registros de óbitos, não é uma novidade. Outros estudiosos têm se preocupado com estes assunto. Em um dos Mensários do Arquivo Nacional, a pesquisadora Thalita O. Casadei assina um interessante e importante trabalho entitulado: «Velhas doenças nos velhos livros de óbitos.»
Não há razões para desenvolvermos aqui, um texto mais detalhado sobre a importância destes estudos no slivros de óbitos, se já o fez, com profundidade, a Prof. Casasei. A mim, resta transcrevê-lo:
«A História da Medicina ficará enriquecida quando seus cultores atentarem mais para as informações que os registros de óbitos podem oferecer. Em muitos assentamentos aparecem não só as doenças que causaram a morte dos paroquianos, como as mais diversas maneiras em que o óbito ocorreu. O livro de óbito é uma fonte primária muito utilizada pelos estudiosos da Genealogia, pois, mais que os livros de batizados, fornecem dados preciosos para a organização das árvores genealógicas das famílias da sociedade brasileira.. Cabem ao Vigário, ou ao Sacristão, as anotações sobre o morto e sobre a causa mortis, esta nem sempre presente em todos os assentamentos pesquisados.» [Thalita O. Casadei, Mensários do Arquivo Nacional, Ano VIII, Julho de 1977, n.º 7 - pág. 12].
A pesquisa da Prof.ª Casadei se realizou na região de Campanha, sul de Minas Gerais, tomando como amostra um livro de óbitos do início do século XIX. Neles encontraram diversas causas mortis, entre elas, a «mordida de cobra», «dor no peito», «hidropsia», «inflamação do bofe», as diversas formas de febre, além de se morrer «de velhice».
O Dr. Jorge Godofredo Felizardo, médico renomado genealogista, foi outro pesquisador preocupado, com as questões da hereditariedade em seus estudos genealógicos e, em alguns casos, teve por fonte, os livros de óbitos. Defende, este autor, a importância da genealogia no estudo e interpretação dos fenômenos biológicos observados através dos quadros genealógicos dos ascendentes, «porque as qualidades quer morais, quer físicas, tiveram um ponto de partida e pela hereditariedade será determinado o seu autor».
Godofredo Felizardo [Um Caso de Xifopagia no Rio Grande do Sul. Anais do III Congresso sul-rio-grandense de História e Geografia - pág. 985] cita o trabalho de Forts de Battaglia, onde é feita a abordagem dos problemas concernentes à hereditariedade, denominado de «implexos dos antepassados ao quadro de ancestrais que formam os costados, deduzindo a importância que até hoje conserva a endogomia.»
Este artigo do dr. Godofredo Felizardo, intutulado «Um Caso de Xifopagia no Rio Grande do Sul», originou-se, devido as suas pesquisas genealógicas realizada no Livro 3.º de óbitos da então Vila do Rio Pardo, Rio Grande do Sul, onde encontrou o seguinte assento:
«Maria e Anna - Aos tres dias do mez de Junho de mil sete centos noventa e tres annos nesta Freguezia do Rio Pardo se sepultarão Anna e Maria, inocentes, que nasceram juntas, e unidas tendo duas cabeças, e dous peitos, mas uma só barriga, sendo contudo o mais criaturas perfeitas: batizarão-se e só duas horas estiverão vivas, filhas legítimas de Antonio de Crasto Monteiro e de sua mulher Anna Maria da Silveira; forão encomendadas pelo Reverendo Padre Coadjutor Duarte Mendes de Sam Payo, e forão sepultadas dentro desta Matriz. De que para Constar fiz este assento que assignei. Vig.º Manoel Marques de S. Payo» [Rio Pardo- Livro 3.º de Óbitos, fls. 20v]
Fonte: Revista e ampliada da obra: Presidentes do Senado no Império. Uma Radiografia Histórica, Genealógica, Social, Política e Diplomática do Brasil Imperial. 1997 - 783 págs. do autor: Carlos Eduardo Barata.
Minas, 26.05.1999 - Carlos de Almeida Barata
Entende-se por «Necrológio», palavra composta do grego nekrós, morto, e lógos, discurso, artigo, acrescida do sufixo "io".
Por volta do século XVIII, intitularam-se de «Necrol\ogio» as obras destinadas à traçar as biografias, quase sempre em tons elogiosos, dos grandes homens, que, recentemente falecidos, eram merecedores de elogios.
«Quando no século VI os diptycos cessaram de estar em uso, foram substituídos pelos necrológios. Chamavam-se assim uns livros redigidos em latim, onde, nas egrejas e mosteiros, se inscriviam os nomes dos defuntos, bispos, dignatários do capítulo, abbades, monges e bemfeitores leigos, dos quaes se fazia memória no offício» [Encyclopédia e Diccionário Internacional Jackson, Vol. XIII, pág. 7800]
Entre as fontes básicas para encontrá-los, quando não fossem publicados pequenos "opúsculos"de características necrológicas, citam-se as notícias dos grandes jornais, entre os antigos, o Jornal do Commércio, ou os Almanacks Laemmert, publicados a partir de 1844.
Ao citar pequenos "opúsculos"de características necrológicas, refiro-me ao costume, que me parece já não existir mais, de publicá-los, ou no mesmo ano ou no seguinte, ao falecimento, de forma que se possa conhecer maiores detalhes sobre o "saudoso"amigo ou familiar. Estes grandes elogios, quando emocionados, o que na maioria das vezes o eram, nem sempre encontravam tantos espaços diponíveis nos jornais.
Por ocasião do falecimento do Marquês de Valença [Estevão Ribeiro de Rezende], por exemplo, publicou-se em 1856 - ano do seu falecimento - com 45 páginas, sem o nome do autor, o seguinte opúsculo: ESBOÇO BIOGRÁPHICO - O MARQUEZ DE VALENÇA [Rio de Janeiro, Typ. Imp. e Const. de J. Villeneuve e Comp. - Rua do Ouvidor, n.º 65].
O bibliógrafo Sacramento Blake, não faz nenhuma referência a este opúsculo, em sua obra - Diccionário Bibliográphico Brazileiro, Rio, 7 vols.. Foi identificado como sendo de autoria de Adolpho Bezerra de Menezes. Consta de um retrato litografado por A. de Pinho - «lith. Imp. de Rensburg».
Principia esta homenagem da seguinte forma:
(p.5) «Em 8 de Setembro de 1856 baixou à sepultura Estevão Robeiro de Rezende, marquez de Valença, conselheiro de estado, senador do império. Artigos biographicos publicados nas folhas diárias disserão à geração de hoje, essa que não menos do que a de Roma dos Cesares merece a triste qualificação de incuriosa suorum, o que tinha sido a bem (p.6) da pátria e da humanidade esse ancião que, no meio do pranto de sua família e da consternada saudade de tantos amigos, se retirara da afanosa peregrinação da vida para a mansão da eterna justiça. Mas às cinzas do último membro do antigo conselho de estado, do último senador da primeira nomeação, é devido tributo de maior homenagem do que ephemeros artigos, lidos pela manhã, e à noite esquecidos. A passagem do homem de bem, do patriota desinteressado, deve deixar um rastilho de luz que chame para sua memória a atenção da posteridade; que lhe sirva de exemplo e de incitamento. A recordação das virtudes do marquez de Valença não deve ficar concentrada, embora ahi eterna seja, no seio da sua família; essa parte da sua herança pertence à pátria brazileira; cumpre entrehar-lh'a.»
Tomando, ainda, outro exemplo, por ocasião do falecimento do Barão do Lavradio, Dr. José Pereira Rego, foi publicado o seu necrológio, pelo Dr. Soeiro Guarany. Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, e publicado em 1893, com 28 páginas, teve o interessante título: DISCURSO BIOLÓGICO SOBRE O BARÃO DO LAVRADIO:
«Nem sempre, Srs. Acadêmicos, os indefesos peregrinos da terra quando chegados ao último marco da romagem humana atufam-se nos mysterios insondaveis da morte, ficando esquecidos no 'umulo que abre-se para receber-lhes os desejos, os feitos mais ou menos ruidosos que os recommendem à gratidão e à benemerencia das gerações posthumas.
Com effeito a morte é uma violencia cruel; ella golpeia-nos fundo o coração segregando-nos para sempre dos entes que nos são caros, para quem porém continuamos a viver pela saudade, esse sentimento mystico, lenitivo poderoso como a esperança das dôres que cruciam-nos a alma, élo ao mesmo tempo inquebrantável da infinita cadeira que une a vida à morte, os que sobrevivem áquelles que cedo ou tarde evoluiram em espírito para os páramos da eternidade.»
Como terceiro e último exemplo, recorro-me a Manfredo Leite, Membro da Academia Paulista de Letras, quefez publicar um pequeno folheto de 18 páginas, sobre a Princesa Isabel, intitulado: ORAÇÃO FÚNEBRE NAS EXÉQUIAS DE D. ISABEL A REDEMPTORA»:
«Não ha, de facto, ensinamento mais podero so e forte do que o ensinamento do túmulo, entreaberto para receber os miseros despojos humanos. Baliza levantada entre o tempo e a eternidade, é sempre o tumulo, seja embora o sarcophago dos Pharaós, seja embora o monumento do Escurial, seja embora o raso coval do obscuro indigente, é sempre o túmulo um golphão tenebroso, assignalando o estágio em que succumbe o transitorio e resurge o definitivo.
E a beira desse golphão e junto desse estágio detem-se o espírito para meditar, recolhe-se a consciencia para analysar, repousa o coração para sondar, investigar, perguntar e ouvir. Desenrolam-se então duas regiões bem diversas e bem oppostas: uma que acaba nas fronteiras terrestres, outra que abre para as fronteiras do invisível e do além.»
Fonte: Revista e ampliada da obra: Presidentes do Senado no Império. Uma Radiografia Histórica, Genealógica, Social, Política e Diplomática do Brasil Imperial. 1997 - 783 págs. do autor: Carlos Eduardo Barata.
Minas, 26.06.1999 - Carlos de Almeida Barata