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As Alminhas em Portugal e a devolução da memória, estudo, recuperação e conservação
Olinda Maria de Jesus Rodrigues
Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, Departamento de História da Arte, 2010
Usar o registo fotográfico que deve incluir o retábulo, o oratório e o painel com cuidado de pormenor. Fotografar a envolvência espacial.
Georreferenciar recorrendo por exemplo a um GPS.
Datar quando possível o monumento.
O material usado na construção das Alminhas, tanto no retábulo e oratório como no painel.
A classificação terá de ser feita pelo painel onde estejam pintadas ou esculpidas as almas do purgatório a arder nas chamas, são estas as Alminhas. Mas, também, existem nichos decorativos para receber uma figura do santo padroeiro, que o povo, chama de Alminhas a todo o tipo de oratório. Existem nichos chamados passos de processão relacionados com a procissão da via-sacra, além de nichos com cruzes que foram dedicados como uma homenagem aos parentes mortos por acidente nesse local, chamadas Alminhas “Memorativas”, e as Alminhas “Apologéticas”, dedicadas às almas do purgatório.
Na dúvida se um nicho alguma vez teve um painel com almas do purgatório ou se funcionou somente como o lugar para colocar o santo padroeiro, verificar se existe uma cruz encimando o oratório ou no próprio nicho, pois pode servir simplesmente para colocar uma vela acesa com intenção de oração às almas do purgatório.
Local onde está erigido o monumento. Cruzamentos, caminhos rurais, zonas comunitárias (fontes, lavadouros,presas de água, etc).
Tipologias estudadas por Olinda Maria de Jesus Rodrigues:
TIPO A – Com o formato de uma estela ou marco, são considerados como Alminhas porque exibem uma cruz incisa.
TIPO B – São os mais antigos com edículas que no seu tempo protegeram um painel entretanto desaparecido. Conhecidos pela erosão da pedra e pela fragilidade da sua posição. Podem apresentar-se isolados, no meio dos campos ou mesmo embebidos em muros compostos por pedras agregadas que com o tempo se derrubam.
TIPO C – São nichos feitos em paredes de casas particulares ou muros e a moldura do oratório é estruturado por quatro blocos de pedra frequentemente em granito liso ou recorrem a simulações de pequenas colunas adossadas à volta do espaço do painel. Têm caixa para esmolas embora violadas ou só com o buraco.
TIPO D – Oratório feitos de um só bloco de pedra, normalmente um paralelepípedo, o nicho em baixo-relevo para colocar o painel ou no seu tempo para pintura mural, encimado pela cruz. Um dos moldes mais frequentes apresenta-se com um pináculo de cada lado e uma cruz a encimar ao centro. Alguns têm caixa para esmolas.
TIPO E – O oratório feito de pedra tem no seu interior um painel pintado ou de azulejos frequentemente azuis e brancos ou tem a figura de um santo em madeira ou gesso, com protecção de ferro forjado trabalhado, apresenta-se inserido no interior de uma estrutura em alvenaria tipo capela pequena coberta por um telhado de telha. Pode ser aberta com bancos corridos lateralmente ou fechada. Têm caixa de esmolas com cadeado.
TIPO F – Oratório que respeita um molde típico de cada zona do país geralmente com um trabalhado decorativo escultório de relevo. Costuma ter um trabalho de ferro forjado com alguma notoriedade a proteger o oratório.
OBS do autor: Sendo difícil a distinção entre monumentos erguidos para paga de uma promessa - ex-votos - e as edificações erguidas com o intuito de interceder pelas almas do purgatório - alminhas -, como também as edificações "memorativas", que assinalam o local de alguma fatalidade, tendo por vezes o mesmo tipo de arquitetura e material de construção, se porventura houver informação que seja uma destas situações, daremos conta dessa especificidade e procederemos ao seu inventário.